Dandara dos Palmares: o que a documentação sustenta
morte tradicionalmente dada em 6 fev. 1694 (Souza e Cararo 2017, via Caetano e Castro 2020); sem nascimento conhecido · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Dandara é lembrada como guerreira de Palmares e companheira de Zumbi, mas Caetano e Castro (2020) mostram que sua existência é questionada por autores que a veem como figura lendária. Os relatos sobre ela vêm de tradição oral, de obras de divulgação e da literatura de Jarid Arraes.
O que se conta
Segundo a síntese de Caetano e Castro (2020), Dandara seria guerreira, esposa de Zumbi e mãe de três filhos, que se opôs ao acordo de paz de Ganga Zumba com Pernambuco em 1678 e teria morrido em 6 de fevereiro de 1694, na destruição de Palmares, supostamente lançando-se de um penhasco para não se render. As autoras apoiam essa narrativa em Souza e Cararo (2017), obra de divulgação, e não em documento colonial. (Caetano e Castro 2020)
A documentação e o debate
Caetano e Castro (2020) registram que Nei Lopes, na Enciclopédia brasileira da diáspora africana, a chama de personagem lendária, e que Maurício Ayer afirma não haver evidências históricas, sugerindo que ela teria sido criada para dar a Zumbi uma companheira à altura. Souza e Cararo dizem que não se distingue o que é fato e o que é mito. Lara (2021) reexamina a documentação de Palmares e descreve o ataque de fevereiro de 1694 ao Barriga, mas não cita Dandara nos trechos lidos. (Caetano e Castro 2020; Lara 2021)
Memória e apropriações
Para Caetano e Castro (2020), Dandara foi esquecida pela história escolar por racismo e machismo, e sua memória se manteve no imaginário popular. O nome dela está no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria (Lei 13.816/2019) e, no Rio de Janeiro, o Dia de Dandara e da Consciência da Mulher Negra, em 6 de fevereiro, foi criado pela Lei 7.270/2016. A cordelista Jarid Arraes escreveu As lendas de Dandara (2015) respondendo a quem dizia que ela era só lenda: se era lenda, alguém precisava escrever suas lendas. (Caetano e Castro 2020)
Fontes
- Caetano, J. O.; Castro, H. C. (2020). "Dandara dos Palmares: uma proposta para introduzir uma heroína negra no ambiente escolar". Revista Eletrônica História em Reflexão 14(27): 153–179. DOI 10.30612/rehr.v14i27.12106. Acessar
- Lara, S. H. (2021). "O território dos Palmares: cartografia, história e política". Afro-Ásia 64: 12–50. DOI 10.9771/aa.v0i64.43622. Acessar
Na mesma região
- Ouro em Minas Gerais e a ocupação dos sertões indígenas fins do séc. XVII (Sobreira 2014)
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- Zumbi dos Palmares c. 1655 (tradição; não visto em documento) – nov. 1695 (Lara 2021; o 20 de novembro é a data de memória)
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