Zumbi dos Palmares
c. 1655 (tradição; não visto em documento) – nov. 1695 (Lara 2021; o 20 de novembro é a data de memória) · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Chefe de guerra de Palmares, o maior assentamento de fugitivos da escravização no Brasil colonial, Zumbi manteve o mocambo da serra da Barriga de 1680 a 1694 e permaneceu nos matos quando Ganga Zumba aceitou o acordo de Cucaú. Sua morte, em novembro de 1695, deu origem ao 20 de novembro.
Leia sobre isto
Da paz de Cucaú à recusa
Segundo Lara (2021), Ganga Zumba, chefe de uma população vinda em grande parte de Angola, pode ter negociado a paz de 1678 para salvar seus súditos da destruição, e a aldeia de Cucaú, perto do litoral e com padres, permitiria maior controle do governo de Pernambuco sobre os sobreviventes. Mas nem todos os habitantes de Palmares a acompanharam: Zumbi e sua "gente de guerra" permaneceram nos matos, no "mais oculto" dos Palmares. Em abril de 1680, o governador de Pernambuco anunciou ter derrotado todos os mocambos, restando só Zumbi com poucos. (Lara 2021)
O mocambo do Barriga
Lara (2021) mostra que a derrota não veio: em 1680 Zumbi já estava no outeiro do Barriga. Em novembro de 1681 a cerca foi atacada por mais de três horas, casas e armazéns foram queimados e mais de 600 pessoas foram presas; em 1683 houve nova ofensiva, e em 1684 ele aparece em Gongoro, voltando depois ao Barriga. Em 1692 a investida de Domingos Jorge Velho fracassou. O ataque de fevereiro de 1694, com tropas locais e paulistas experientes em guerras contra indígenas e mocambos, venceu a cerca de 232 casas e 40 tendas de ferreiros; entre 350 e 500 pessoas foram aprisionadas, números que a autora vê como talvez exagerados. (Lara 2021)
O 20 de novembro e o que se debate
Lara (2021) registra que Zumbi morreu em novembro de 1695, e que no século XX Palmares e Zumbi se tornaram referências políticas do movimento negro, o que levou à escolha do 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra e ao tombamento da serra da Barriga. A mesma autora mostra que os mapas usados nesse processo têm falhas e que a ocupação de Palmares não foi contínua. Macêdo e Lacerda (2024), analisando canções e vídeos, notam que circula uma biografia popular, com nascimento em 1655 e criação por um padre, que o atlas não viu documentada. (Lara 2021; Macêdo e Lacerda 2024)
Fontes
Na mesma região
- Insurreição Pernambucana 1645–1654
- Bandeiras paulistas e a escravização de indígenas (surto de 1628–1641) 1628–1641 (surto bandeirante, segundo Monteiro, via Peixoto 1995)
- Ouro em Minas Gerais e a ocupação dos sertões indígenas fins do séc. XVII (Sobreira 2014)
- Dandara dos Palmares: o que a documentação sustenta morte tradicionalmente dada em 6 fev. 1694 (Souza e Cararo 2017, via Caetano e Castro 2020); sem nascimento conhecido
- Quilombo dos Palmares c. 1605–1710 (Wikidata; a conferir)
- Guerra dos Emboabas 1708–1709 (Wikidata: 1707)