Ouro em Minas Gerais e a ocupação dos sertões indígenas
fins do séc. XVII (Sobreira 2014) · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
O achado de ouro nas cabeceiras do ribeirão do Carmo, em fins do século XVII, atraiu migrantes e originou povoados que viraram Ouro Preto e Mariana. A mineração avançou sobre sertões habitados por povos indígenas, que reagiram; a Coroa combinou aldeamentos, catequese e guerra.
Os povos dos sertões e a chegada dos paulistas
A tese de Ribeiro (2008) mapeia os povos que habitavam os sertões das minas: Cataguás (ou Cataguases) no sul e no centro, Caiapós no oeste, Puris no leste, Tupis no São Francisco e, perto do rio Doce, os chamados Botocudos, termo genérico usado pelos colonizadores. Lourenço Castanho Taques atacou os Cataguases a partir de 1669, e a tese afirma que eles foram exterminados em 1675. Os paulistas capturavam indígenas, e indígenas também guiaram expedições aos achados de ouro. Nos documentos do Códice Costa Matoso aparecem indígenas entregues como pagamento, o que mostra que eram tratados como mercadoria na economia mineradora. (Ribeiro 2008)
Aldeamento, guerra ofensiva e a década de 1730
Segundo Ribeiro (2008), a Coroa e os governadores usaram aldeamentos para confinar indígenas e abrir acesso ao território, e a guerra ofensiva contra grupos considerados hostis. A partir da década de 1730, com a crise do ouro de aluvião e a capitação de 1735, a conquista dos sertões ganhou novo ritmo. A tese cita o Regimento das Aldeias de São Paulo, de 10 de maio de 1734, e o governo de Gomes Freire (1735 a 1763), que combateu os Caiapós com apoio de Bororos. Ela lembra também o Quilombo do Ambrósio, atacado em 1741 e arrasado em 1746, e diz que as autoridades temiam uma aliança entre indígenas e negros fugidos. (Ribeiro 2008)
Cativeiro indígena e sua proibição legal
Ribeiro (2008) trata o trabalho indígena nas minas como escravidão e, com base em Venâncio, afirma que a mortalidade entre indígenas escravizados era cerca de três vezes maior que entre africanos. A escravização persistiu até a segunda metade do século XVIII. Em 1757 foi instituído o Diretório, que vigorou até 1798, e o alvará de dezembro de 1763 foi dirigido contra a escravidão indígena. A tese menciona ainda a tomada de Cuieté, em 1765, como parte do avanço sobre territórios indígenas. Por tudo isso, o texto mostra que a história do ouro mineiro inclui a conquista violenta dos povos do sertão, e não apenas o trabalho africano. (Ribeiro 2008)
Fontes
- Sobreira, F. (2014). "Mineração do ouro no período colonial: alterações paisagísticas antrópicas na serra de Ouro Preto, Minas Gerais". Quaternary and Environmental Geosciences 5(1). DOI 10.5380/abequa.v5i1.34432. Acessar
- Ribeiro, N. B. (2008). Os povos indígenas e os sertões das minas do ouro no século XVIII. Universidade de São Paulo. DOI 10.11606/t.8.2008.tde-24112009-160156. Acessar
Na mesma região
- Dandara dos Palmares: o que a documentação sustenta morte tradicionalmente dada em 6 fev. 1694 (Souza e Cararo 2017, via Caetano e Castro 2020); sem nascimento conhecido
- Guerra dos Emboabas 1708–1709 (Wikidata: 1707)
- Engenho de açúcar e a Cultura e Opulência do Brasil (Antonil, 1711) publicado em 1711 (capítulo do açúcar escrito entre 1693 e 1698)
- Zumbi dos Palmares c. 1655 (tradição; não visto em documento) – nov. 1695 (Lara 2021; o 20 de novembro é a data de memória)
- Insurreição Pernambucana 1645–1654
- Tiradentes 1746 – 21 abr. 1792 (Moreira e Moreira 2026; Rodrigues 2008)