Quilombo dos Palmares
c. 1605–1710 (Wikidata; a conferir) · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Comunidade formada por pessoas que fugiram da escravidão no Brasil colonial e resistiu por décadas. Ganga Zumba e Zumbi foram seus líderes mais conhecidos.
Angola Janga: nomes e origens
Segundo Funari (1998), pessoas que fugiam da escravidão se instalaram, no início do século XVII, a cerca de 60 km a oeste das zonas de engenho de Pernambuco. Os documentos falam em mocambo, palavra que vem do quimbundo mu-kambo, esconderijo; os próprios moradores preferiam o nome Angola Janga, "Angolinha", e o termo quilombo, do quimbundo ki-lombo, só aparece por volta de 1691. Há consenso de que a maioria vinha da região de Angola. Kent (1979) viu em Palmares um sistema político africano governando uma sociedade plural; Schwartz o ligou ao kilombo angolano; e Miller lembrou que o kilombo imbangala era uma confraria militar específica. A expressão "República" de Palmares, nos textos coloniais, significava simplesmente "Estado". (Funari 1998)
Um século de expedições contra a serra da Barriga
A primeira expedição contra Palmares é de 1612, e os holandeses o consideravam um perigo sério; Baro estimou seis mil moradores em 1644. Em 1675, documentos portugueses descrevem uma aldeia fortificada de duas mil casas; em 1676, Palmares se estendia por mais de 60 léguas, com dez povoados. Ganga Zumba aceitou um acordo com o governo colonial em 1678 e foi deposto pelo sobrinho Zumbi, que adotou uma política de confronto. Com o bandeirante Domingos Jorge Velho, a capital caiu em 1694, e Zumbi foi capturado e executado em 20 de novembro de 1695 (Funari 1998). As estimativas de população variam: contemporâneos falavam, talvez com exagero, em mais de 30 mil pessoas (Silva e Gomes 2013), e Funari propõe de 10 a 20 mil no auge. A presença de fugitivos na serra é registrada de 1585 a 1740. (Funari 1998; Silva e Gomes 2013)
O que a arqueologia encontrou na serra da Barriga
O projeto de Charles Orser e Pedro Paulo Funari começou em 1991, com campanhas em 1992 e 1993, e localizou mais de dez sítios e milhares de artefatos na serra da Barriga, em Alagoas. A cerâmica mostra grande variedade e forte presença indígena, assim como o cultivo de mandioca; uma urna da tradição Tupinambá foi encontrada na serra. Para Orser, Palmares formava um mosaico cultural, com africanos, indígenas e outros grupos. Funari (1998) conclui que a arqueologia ajuda a contar a história de Palmares do ponto de vista de seus moradores, para além dos relatos das expedições que os combatiam. (Funari 1998)
20 de novembro e o tombamento da serra
Em 1971, o poeta Oliveira Silveira e o Grupo Palmares, de Porto Alegre, propuseram o 20 de novembro, data da morte de Zumbi, como dia de celebração negra, ideia retomada pelo Movimento Negro Unificado em 1978. Um encontro em União dos Palmares, em 1980, deu origem ao conselho do Memorial Zumbi e às peregrinações anuais à serra. Em 1982, um pedido de tombamento com 5.084 assinaturas chegou ao Iphan; o tombamento foi homologado em 20 de novembro de 1985, e a serra virou monumento nacional em 21 de março de 1988. A Constituição de 1988 (art. 216, § 5º) tombou os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos (Silva e Gomes 2013). Entre ativistas, as leituras divergiam: em 1984, Olympio Serra destacava o caráter multiétnico de Palmares, e Abdias do Nascimento, um Estado africano (Funari 1998). (Silva e Gomes 2013; Funari 1998)
Fontes
- Gomes, F. dos S. (2005). Palmares. Contexto. ISBN 9788572443135.
- Schwarcz, L. M.; Starling, H. M. (2015). Brasil: uma biografia. Companhia das Letras. ISBN 9788535925661.
- Funari, P. P. A. (1998). "O estudo arqueológico de Palmares e a sociedade brasileira". África 20–21: 93–103. DOI 10.11606/issn.2526-303x.v0i20-21p93-103. Acessar
- Silva, A. C. L. S. da; Gomes, F. (2013). "A Lei 10.639 e a patrimonialização da cultura: quilombos, Serra da Barriga e Palmares – primeiros percursos". Revista Teias 14(34): 92–101. https://www.e-publicacoes.uerj.br/revistateias/article/view/24349 (consultado em 07/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Bandeiras paulistas e a escravização de indígenas (surto de 1628–1641) 1628–1641 (surto bandeirante, segundo Monteiro, via Peixoto 1995)
- Insurreição Pernambucana 1645–1654
- Guerra dos Tamoios (Confederação dos Tamoios) aliança tupinambá-francesa a partir de 1555; guerra aberta a partir de 1560 (Alencar 2017)
- Zumbi dos Palmares c. 1655 (tradição; não visto em documento) – nov. 1695 (Lara 2021; o 20 de novembro é a data de memória)
- Governo-geral do Brasil e fundação de Salvador (1549) 1549 (chegada em 29 mar. ou instalação em 1º mai., conforme a leitura)
- Capitanias hereditárias do Brasil 1534 a 1822 (Wikidata, como divisões administrativas)