Batalha de Adwa
1º mar. 1896 · África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Batalha decisiva da primeira guerra ítalo-etíope, vencida pelo Império Etíope de Menelik II contra o Reino da Itália. Garantiu a soberania etíope em plena era do imperialismo europeu na África.
Wechale: um tratado, duas versões
O conflito tem raiz no Tratado de Wechale, assinado em 2 de maio de 1889 com o enviado italiano Antonelli. Segundo o historiador etíope Bahru Zewde (2013), o artigo 17 tinha sentidos diferentes nas versões amárica e italiana, ponto que opôs historiadores como Rubenson e Giglio, e o artigo III fixava uma fronteira que o avanço italiano depois violou. A Itália ocupara Massawa em 1885 com a conivência britânica e sofrera a derrota de Dogali em janeiro de 1887, diante de Ras Alula. Após a morte do imperador Yohannes, em 1889, criou a colônia da Eritreia em janeiro de 1890 e, em 1894–1895, avançou sobre o Tigré, enfrentando Ras Mangasha em Koatit e Sanafe. (Bahru Zewde 2013)
Armas, aliados e mobilização
Bahru Zewde (2013) mostra que Menelik se preparou durante anos. Os recursos das províncias do sudoeste, controladas desde o início dos anos 1880, e a conquista de Harar, em 1887, deram-lhe acesso a armas; Alfred Ilg e a imperatriz Taytu estiveram entre seus apoios. Em setembro de 1895, um édito convocou a mobilização geral. As vitórias começaram antes de Adwa: em Amba Alage, em 7 de dezembro de 1895, sob o comando do Fitawrari Gabbayahu, e no cerco de Maqale, de 1º a 20 de janeiro de 1896, ganho com o corte das fontes de água da guarnição italiana. (Bahru Zewde 2013)
O 1º de março de 1896
A batalha ocorreu em 1º de março de 1896, perto de Adwa, cidade de mercado no Tigré, segundo Vandervort (2011), e o exército etíope era maior que o italiano. Bahru Zewde (2013) a descreve como uma obra-prima de manobra, favorecida pelo agente duplo eritreu Basha Aw'alom; por volta das 9h30, a brigada de Albertone já estava desfeita. Houve mutilações, inclusive de áscaris eritreus capturados. Quase 2 mil soldados italianos ficaram prisioneiros, e uma missão do papa Leão XIII, conduzida por Mgr Cyrille Macaire com apoio francês, tentou libertá-los, mas fracassou por problemas logísticos e pela hostilidade do governo italiano, conta Cavagnini (2016). Os prisioneiros foram soltos no fim de 1896, e o tratado de paz garantiu a independência etíope. (Vandervort 2011; Bahru Zewde 2013; Cavagnini 2016)
Etiopianismo, pan-africanismo e memória
Para Vandervort (2011), a derrota derrubou o governo italiano e deixou um desejo de revanche que levaria à invasão fascista; na Etiópia, o 1º de março é feriado nacional, o Dia de Adwa. Bahru Zewde (2013) liga a batalha ao etiopianismo e ao pan-africanismo e cita o haitiano Benito Sylvain, atuante na causa a partir de 1897 e presente no 1º Congresso Pan-Africano, em 1900. Ele registra também as reações europeias, que trataram a derrota como um infortúnio italiano ou passaram a classificar os etíopes como caucasoides. (Vandervort 2011; Bahru Zewde 2013)
Fontes
- Jonas, R. (2011). The Battle of Adwa: African Victory in the Age of Empire. Harvard University Press (Belknap). DOI 10.4159/harvard.9780674062795; ISBN 9780674052741. Acessar
- Bahru Zewde (2013). "Adwa: ‘A Milestone in the Creation of Modern Ethiopia’". Africa Review of Books 9(2). DOI 10.57054/arb.v9i2.4865. Acessar
- Vandervort, B. (2011). "Adowa (Adwa, Adua), Battle of (1896)". In: The Encyclopedia of War. Wiley. ISBN 9781405190374. DOI 10.1002/9781444338232.wbeow003. Acessar
- Cavagnini, G. (2016). "Une diplomatie charitable ? Léon XIII, la France et les soldats italiens prisonniers en Éthiopie (1896)". Relations internationales 166(2): 37–52. DOI 10.3917/ri.166.0037. Acessar
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