Atlas da História

Reino de Axum

c. séc. I ao séc. VIII d.C., com declínio político no séc. X (UNESCO 15; Hagos 2010) · África Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Estado comercial com centro na região da Eritreia e do norte da Etiópia. Estudado como uma civilização africana da Antiguidade tardia, ligado às rotas do mar Vermelho.

Moeda de Axum com rei anônimo (anverso)
Moeda do Reino de Axum, que passou a cunhar moedas por volta de 270 d.C. A cunhagem mostra um Estado organizado e ligado às redes comerciais do mar Vermelho. Moeda de Axum com rei anônimo (anverso), cunhadores de Axum não identificados, séc. IV. Domínio público. Ver no acervo
Moeda de ouro do rei Ezana, com cruz
Moeda de ouro do rei Ezana, que adotou o cristianismo e fez colocar a cruz nas moedas. É um registro material dessa mudança religiosa na corte de Axum. Moeda de ouro do rei Ezana, com cruz, cunhadores de Axum não identificados, c. 340–400. CC BY-SA (1.0 a 4.0). Ver no acervo

Uma capital no planalto, voltada ao mar

Segundo a UNESCO, as ruínas de Aksum vão do séc. I ao XIII d.C., e o reino floresceu do séc. I ao VIII. A UNESCO o descreve como o Estado mais poderoso entre o Império Romano do Oriente e a Pérsia, com comércio de marfim vindo do Sudão e frota no mar Vermelho, a partir do porto de Adulis. Tekle Hagos (2010) pergunta por que a capital ficou no planalto do Tigré, longe do mar, e responde com fatores locais: a posição permitia controlar recursos das terras baixas e das terras altas, e a disputa entre chefes por terras férteis teria levado à formação de uma administração. Ele situa o início do Estado aksumita no começo do séc. I d.C. (UNESCO, lista nº 15; Hagos 2010)

Estelas, túmulos e as inscrições de Ezana

O sítio reúne obeliscos monolíticos, túmulos reais e ruínas de palácios dos séc. VI e VII; as grandes estelas são dos séc. III e IV. A maior estela ainda de pé passa de 23 m e representa um edifício de nove andares, e uma de cerca de 33 m está caída. O rei Ezana deixou no séc. IV inscrições em três línguas, grego, sabeu e ge'ez, e no mesmo século o reino adotou o cristianismo. A igreja de Santa Maria de Sião, reconstruída no séc. XVII, é tida pela tradição como guardiã da Arca da Aliança. Tudo segundo a descrição da UNESCO, que aponta ainda como problemas as casas modernas construídas sobre o sítio e as enchentes. (UNESCO, lista nº 15)

Aksum depois de Aksum

O poder político de Aksum declinou no séc. X, mas os imperadores continuaram a ser coroados ali, registra a UNESCO. Hirsch e Fauvelle-Aymar (2001) estudam essa vida longa das ruínas. A partir do Liber Axumae, eles descrevem uma política das ruínas sob o rei Zär'a Ya'qob, no séc. XV, que fazia de Aksum uma nova Jerusalém de um Cristo-rei, e outra sob Menelik II, que restaurava a cidade como base de identidade diante dos colonizadores. Os autores questionam o caráter fundador atribuído ao mito salomônico. Já no séc. XX, um obelisco foi levado a Roma durante a ocupação italiana; voltou em 2005 e foi reerguido em 2008. (UNESCO, lista nº 15; Hirsch e Fauvelle-Aymar 2001)

Fontes

  1. Munro-Hay, S. (1991). Aksum: An African Civilisation of Late Antiquity. Edinburgh University Press. ISBN 9780748601066.
  2. Ehret, C. (2002). The Civilizations of Africa: A History to 1800. University Press of Virginia; James Currey. ISBN 9780813920849; 9780852554753.
  3. UNESCO World Heritage Centre, "Aksum", lista nº 15. https://whc.unesco.org/en/list/15/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
  4. Hagos, T. (2010). "The choice of Aksum as a metropolis". Annales d'Éthiopie 25: 139–156. DOI 10.3406/ethio.2010.1411. Acessar
  5. Hirsch, B.; Fauvelle-Aymar, F.-X. (2001). "Aksum après Aksum. Royauté, archéologie et herméneutique chrétienne de Ménélik II (r. 1865-1913) à Zär'a Ya'qob (r. 1434-1468)". Annales d'Éthiopie 17: 59–109. DOI 10.3406/ethio.2001.991. Acessar

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