Reino de Axum
c. séc. I ao séc. VIII d.C., com declínio político no séc. X (UNESCO 15; Hagos 2010) · África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Estado comercial com centro na região da Eritreia e do norte da Etiópia. Estudado como uma civilização africana da Antiguidade tardia, ligado às rotas do mar Vermelho.
Uma capital no planalto, voltada ao mar
Segundo a UNESCO, as ruínas de Aksum vão do séc. I ao XIII d.C., e o reino floresceu do séc. I ao VIII. A UNESCO o descreve como o Estado mais poderoso entre o Império Romano do Oriente e a Pérsia, com comércio de marfim vindo do Sudão e frota no mar Vermelho, a partir do porto de Adulis. Tekle Hagos (2010) pergunta por que a capital ficou no planalto do Tigré, longe do mar, e responde com fatores locais: a posição permitia controlar recursos das terras baixas e das terras altas, e a disputa entre chefes por terras férteis teria levado à formação de uma administração. Ele situa o início do Estado aksumita no começo do séc. I d.C. (UNESCO, lista nº 15; Hagos 2010)
Estelas, túmulos e as inscrições de Ezana
O sítio reúne obeliscos monolíticos, túmulos reais e ruínas de palácios dos séc. VI e VII; as grandes estelas são dos séc. III e IV. A maior estela ainda de pé passa de 23 m e representa um edifício de nove andares, e uma de cerca de 33 m está caída. O rei Ezana deixou no séc. IV inscrições em três línguas, grego, sabeu e ge'ez, e no mesmo século o reino adotou o cristianismo. A igreja de Santa Maria de Sião, reconstruída no séc. XVII, é tida pela tradição como guardiã da Arca da Aliança. Tudo segundo a descrição da UNESCO, que aponta ainda como problemas as casas modernas construídas sobre o sítio e as enchentes. (UNESCO, lista nº 15)
Aksum depois de Aksum
O poder político de Aksum declinou no séc. X, mas os imperadores continuaram a ser coroados ali, registra a UNESCO. Hirsch e Fauvelle-Aymar (2001) estudam essa vida longa das ruínas. A partir do Liber Axumae, eles descrevem uma política das ruínas sob o rei Zär'a Ya'qob, no séc. XV, que fazia de Aksum uma nova Jerusalém de um Cristo-rei, e outra sob Menelik II, que restaurava a cidade como base de identidade diante dos colonizadores. Os autores questionam o caráter fundador atribuído ao mito salomônico. Já no séc. XX, um obelisco foi levado a Roma durante a ocupação italiana; voltou em 2005 e foi reerguido em 2008. (UNESCO, lista nº 15; Hirsch e Fauvelle-Aymar 2001)
Fontes
- Munro-Hay, S. (1991). Aksum: An African Civilisation of Late Antiquity. Edinburgh University Press. ISBN 9780748601066.
- Ehret, C. (2002). The Civilizations of Africa: A History to 1800. University Press of Virginia; James Currey. ISBN 9780813920849; 9780852554753.
- UNESCO World Heritage Centre, "Aksum", lista nº 15. https://whc.unesco.org/en/list/15/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Hagos, T. (2010). "The choice of Aksum as a metropolis". Annales d'Éthiopie 25: 139–156. DOI 10.3406/ethio.2010.1411. Acessar
- Hirsch, B.; Fauvelle-Aymar, F.-X. (2001). "Aksum après Aksum. Royauté, archéologie et herméneutique chrétienne de Ménélik II (r. 1865-1913) à Zär'a Ya'qob (r. 1434-1468)". Annales d'Éthiopie 17: 59–109. DOI 10.3406/ethio.2001.991. Acessar
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