Atlas da História

Genocídio contra os tutsis em Ruanda

7 abr. a 4 jul. 1994 · África Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Genocídio contra os tutsis em Ruanda, entre abril e julho de 1994. Os mortos estão estimados entre cerca de meio milhão de tutsis (Des Forges 1999; McDoom 2020: 491 mil a 522 mil) e 1.074.017 mortos no levantamento do governo ruandês de julho de 2000 (citado por McDoom 2020). A historiografia citada analisa sua organização e suas raízes coloniais e pós-coloniais.

Categorias fixadas pela administração colonial

Des Forges (1999) mostra como as políticas coloniais belgas endureceram as categorias hutu e tutsi, que passaram a constar das carteiras de identidade a partir dos anos 1930. A revolução de 1959 tirou a elite tutsi do poder. Entre 1952 e 1991, segundo a autora, a parcela tutsi nos registros oficiais caiu de 17,5% para 8,4%, por massacres, exílio e reclassificação como hutus. Para Des Forges, o genocídio de 1994 não foi uma explosão espontânea de ódios antigos, mas o resultado de escolhas políticas feitas por quem controlava o Estado. (Des Forges 1999)

Uma máquina administrativa e de propaganda

Segundo Des Forges, os organizadores usaram as hierarquias da administração pública, milícias como a Interahamwe e a Rádio Televisão Livre das Mil Colinas (RTLM), que incitava a matança. Depois que o avião do presidente Habyarimana foi derrubado, em 6 de abril de 1994, autoridades que resistiam, como alguns prefeitos, foram destituídas. A linguagem oficial chamava os massacres de “pacificação”, e quem hesitava sofria coerção. A autora registra também a violência sexual contra mulheres tutsis e as pessoas que arriscaram a vida para salvar outras, e critica a retirada das tropas belgas e de boa parte dos soldados da ONU logo no início do genocídio. (Des Forges 1999)

Quem sobreviveu em Gikongoro

Verpoorten (2005) estudou a província de Gikongoro com dados de 117 setores administrativos. A chance média de sobrevivência dos tutsis foi de cerca de uma em quatro, um pouco maior para as mulheres (29%) do que para os homens (21%). Segundo o resumo do estudo, sobreviver dependeu mais do lugar onde ocorreram os grandes massacres do que da intervenção das autoridades locais, e o censo de 1991 provavelmente subestimou a população tutsi da província. (Verpoorten 2005)

Contar o genocídio: um número em disputa

McDoom (2020) examina por que o total continua contestado. O autor considera o período de 6 de abril a 19 de julho de 1994 e aponta as fragilidades das bases disponíveis: um censo que pode ter subcontado os tutsis, a dependência da autoidentificação dos entrevistados e a disputa política em torno de quem é reconhecido como sobrevivente. O título do artigo resume a proposta: avançar para uma estimativa rigorosa do número de pessoas assassinadas. (McDoom 2020)

Fontes

  1. Des Forges, A. (1999). Leave None to Tell the Story: Genocide in Rwanda. Human Rights Watch / FIDH. ISBN 9781564321718.
  2. Mamdani, M. (2001). When Victims Become Killers. Princeton University Press. DOI 10.1515/9781400851720; ISBN (ed. 2020) 9780691193830. Acessar
  3. Verpoorten, M. (2005). "The Death Toll of the Rwandan Genocide: A Detailed Analysis for Gikongoro Province". Population (English edition) 60: 331–. DOI 10.3917/pope.504.0331. Acessar
  4. McDoom, O. S. (2020). "Contested Counting: Toward a Rigorous Estimate of the Death Toll in the Rwandan Genocide". Journal of Genocide Research 22: 83–93. DOI 10.1080/14623528.2019.1703252. Acessar

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