Atlas da História

Quíloa (Kilwa Kisiwani)

ocupada do séc. IX ao XIX; auge nos séc. XIII–XIV (UNESCO) · África Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Cidade-porto suaíli numa ilha da Tanzânia, ocupada do séc. IX ao XIX e mais próspera nos séculos XIII e XIV, segundo a UNESCO. Ibn Battuta a visitou em 1331–1332.

Grande Mesquita de Quíloa, vista interna
Interior da Grande Mesquita de Quíloa, nas ruínas de Kilwa Kisiwani. A construção em pedra coralina é testemunho da cidade suaíli que prosperou no comércio do Oceano Índico. Grande Mesquita de Quíloa, vista interna, fotografia de Janet M. Purdy, 2016. CC BY-SA (1.0 a 4.0). Ver no acervo

Moedas, mesquitas e palácios de pedra coral

Segundo a UNESCO, Quíloa cunhou moeda própria entre os séc. XI e XIV, e sua Grande Mesquita, do séc. XI, foi ampliada no séc. XIII. O palácio de Husuni Kubwa é de c. 1310–1333, e um forte português foi erguido no séc. XVI. O bem inclui também as ruínas de Songo Mnara e entrou na Lista do Patrimônio em Perigo em 2004. Wynne-Jones (2016) inclui Quíloa entre as cidades de pedra coral da costa suaíli, surgidas desde o séc. IX, com população islâmica diversa e voltadas ao comércio marítimo, e mostra uma cultura material marcada mais pela redistribuição e pela circulação de objetos do que pela acumulação. (UNESCO, lista nº 144; Wynne-Jones 2016)

O que o DNA antigo mostra

Brielle et al. (2023) analisaram o DNA de 80 pessoas que viveram entre 1250 e 1800 em Mtwapa, Manda, Faza, Kilwa, Songo Mnara e Lindi, além de Makwasinyi; de Kilwa vêm dois indivíduos, de 1300 a 1600. A ascendência africana veio sobretudo pela linha materna, e a asiática, em 80% a 90%, de homens de origem persa. A mistura ocorreu por volta do ano 1000, junto com a adoção do islã, e antes de c. 1500 o aporte asiático foi principalmente persa, depois árabe. Os autores notam que esse quadro é coerente com a Crônica de Quíloa e com a tradição shirazi, registrada por escrito no séc. XVI. (Brielle et al. 2023)

Contra a tese dos colonos estrangeiros

Arqueólogos do período colonial atribuíram as cidades suaílis a colonos persas e árabes. Brielle et al. (2023) lembram que os objetos importados são menos de 5% do material escavado, que o kiswahili é uma língua banta e que as moedas datam o governante Ali bin al-Hasan, de dinastia shirazi, de meados do séc. XI. Para os autores, as elites vinham de populações misturadas da própria costa, e não de colonos de fora. A equipe incluiu pesquisadores do Quênia, da Tanzânia e de Madagascar e fez consultas de devolução dos resultados em Lamu, Songo Mnara e Kilwa Kisiwani, respeitando as regras muçulmanas sobre o trato dos restos humanos. (Brielle et al. 2023)

Cantos de pesca em Kilwa Kisiwani

A história de Quíloa também continua no presente. Lubao e Ichumbaki (2023), da Universidade de Dar es Salaam e de instituições do Reino Unido e da Irlanda, estudaram os cantos de pesca da ilha de Kilwa Kisiwani. Pescadores e pescadoras preparam armadilhas, redes e barcos, observam o tempo e remam juntos, e o canto acompanha todas as etapas da pesca. Os autores tratam essas canções como patrimônio marítimo imaterial da costa suaíli. (Lubao e Ichumbaki 2023)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Ruins of Kilwa Kisiwani and Ruins of Songo Mnara", lista nº 144. https://whc.unesco.org/en/list/144/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
  2. Kusimba, C. M. (1999). The Rise and Fall of Swahili States. AltaMira Press. ISBN 9780761990529.
  3. Wynne-Jones, S. (2016). A Material Culture. Oxford University Press. DOI 10.1093/oso/9780198759317.001.0001. Acessar
  4. Brielle, E. S.; Fleisher, J.; Wynne-Jones, S.; Sirak, K. et al. (2023). "Entwined African and Asian genetic roots of medieval peoples of the Swahili coast". Nature 615(7954): 866–873. DOI 10.1038/s41586-023-05754-w. Acessar
  5. Lubao, C. B.; Ichumbaki, E. B. (2023). "Fishing Songs from Kilwa Kisiwani, Tanzania: A Case Study of Intangible Maritime Cultural Heritage on the Swahili Coast". Journal of Maritime Archaeology 18(2): 165–195. DOI 10.1007/s11457-023-09356-5. Acessar

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