Movimento Cinturão Verde (Green Belt Movement)
desde 1977 · África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Movimento queniano criado em 1977 por Wangari Maathai, que começou com sete mudas e fez do plantio de árvores a base de educação cívica, ação política e fortalecimento comunitário. Envolveu mulheres em projetos florestais comunitários e, segundo Muthuki (2006), desafiou estruturas patriarcais no país e fora dele.
Das demandas das mulheres rurais ao primeiro plantio
Segundo Özberk (2024), o movimento nasceu em 1977 dentro do Conselho Nacional de Mulheres do Quênia (NCWK), como resposta a problemas relatados por mulheres do campo: fontes de água que secavam, insegurança alimentar e caminhadas cada vez mais longas atrás de lenha. Seu primeiro nome foi “Save the Land Harambee”. O plantio inaugural aconteceu em 5 de junho de 1977, no parque Kamukunji, em Nairóbi; das sete árvores, só duas sobreviveram. No mesmo ano, Nairóbi sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Desertificação. Wangari Maathai presidiu o NCWK de 1981 a 1987. (Özberk 2024)
Viveiros, educação cívica e “silvicultores sem diploma”
O método descrito por Özberk combinava viveiros comunitários, pagamento por muda que sobrevivesse e seminários de educação cívica. As participantes passaram a ser chamadas de “silvicultores sem diploma”. Em revisão de literatura, Boyer-Rechlin (2010) avalia o movimento com critérios de estudos sobre manejo florestal comunitário e destaca a consciência cultural, a educação cívica e a formação de habilidades. Smulders (2016), por sua vez, analisa cinco biografias de Maathai em livros ilustrados para crianças, sob o ângulo da eco-pedagogia e da maneira como o chamado terceiro mundo é apresentado a leitores do primeiro. (Özberk 2024; Boyer-Rechlin 2010; Smulders 2016)
Da floresta à política sob o governo Moi
Özberk retoma a divisão proposta por Michaelson em duas fases: de 1977 a 1988, um trabalho sem confronto aberto com o Estado; a partir de 1989, uma atuação politizada. Naquele ano, o movimento se opôs à construção de uma torre no Uhuru Park, em Nairóbi, e foi despejado de seus escritórios. Vieram depois a obstrução do governo Moi e campanhas pela libertação de presos políticos, pelo multipartidarismo e por uma nova constituição. Muthuki (2006) situa o movimento no rastro das conferências da ONU sobre a mulher de Nairóbi (1985) e Pequim (1995), que ligaram gênero, desenvolvimento e ambiente sem enfrentar as relações de poder entre homens e mulheres, e sustenta que o GBM pôs essas relações em evidência. (Özberk 2024; Muthuki 2006)
Rede pan-africana e “ambientalismo dos pobres”
Em 1986, a Rede Pan-Africana do Cinturão Verde levou o modelo à Tanzânia, a Uganda, ao Malawi, ao Lesoto, à Etiópia e ao Zimbábue. Um relatório do próprio movimento, de 2011, fala em mais de 51 milhões de árvores plantadas. Maathai foi deputada de 2002 a 2007 e recebeu o Nobel da Paz em 2004. Özberk lê essa trajetória com o conceito de “ambientalismo dos pobres”, de Martinez-Alier e Nixon, ligando a defesa da floresta às necessidades materiais das mulheres rurais que estiveram na origem do movimento. (Özberk 2024)
Fontes
- Muthuki, J. (2006). "Challenging patriarchal structures: Wangari Maathai and the Green Belt Movement in Kenya". Agenda 20: 83–91. DOI 10.1080/10130950.2006.9674752. Acessar
- Smulders, S. (2016). "'Information and Inspiration': Wangari Maathai, the Green Belt Movement and Eco-Children's Literature". International Research in Children's Literature 9: 20–34. DOI 10.3366/ircl.2016.0180. Acessar
- Boyer-Rechlin, B. (2010). "Women in forestry: A study of Kenya's Green Belt Movement and Nepal's Community Forestry Program". Scandinavian Journal of Forest Research 25: 69–72. DOI 10.1080/02827581.2010.506768. Acessar
- Özberk, N. (2024). "'Yoksulların çevreciliği'ne bir örnek: Kenya Yeşil Kuşak Hareketi". ChronAfrica 1(2): 91–117. DOI 10.62841/chronafrica.2024.223. Acessar
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