Atlas da História

Cerco e saque de Constantinopla pela Quarta Cruzada (abril de 1204)

abril de 1204 (o Wikidata dá 8 a 13 abr. 1204 para o cerco e a tomada; o saque durou três dias, segundo Ibn al-Athīr) · Europa Oriental, Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em abril de 1204 o exército da Quarta Cruzada, transportado pelos venezianos, tomou e saqueou Constantinopla, capital do Império Bizantino; o resultado foi a criação do Império Latino de Constantinopla. O historiador bizantino Niceta Coniates descreve profanação de igrejas e relíquias, violência contra a população e o desmonte do altar de Santa Sofia. Ibn al-Athīr, historiador muçulmano cujo relato, segundo o tradutor, foi escrito entre 1204 e 1261, fala em três dias de matança e pilhagem, e as cartas de Inocêncio III mostram um papa que antes proibira o ataque e depois saudou o resultado.

Leia sobre isto

O relato de Niceta Coniates

Na tradução de D. C. Munro (1912), Coniates escreve que as imagens, que deveriam ser adoradas, foram pisoteadas, que as relíquias dos mártires foram jogadas em lugares impuros e que o corpo e o sangue de Cristo foram derramados no chão. Diz que o altar da Grande Igreja, de materiais preciosos, foi quebrado e distribuído entre os soldados, e que mulas e cavalos de carga entraram no santuário para levar o butim; os animais que escorregavam no pavimento eram mortos a punhaladas. Fala em gemidos, gritos de mulheres, feridas, estupro, cativeiro e separação de famílias, e diz que ninguém ficou sem sua parte de dor. O texto não traz número de mortos. (Niceta Coniates (Nicetas Choniates) 1204)

Ibn al-Athīr: o olhar de fora da cristandade

No relato traduzido por Ballandalus, Ibn al-Athīr conta que o príncipe Aleixo foi levado pelos cruzados a Constantinopla, que os "romanos" depois mataram o jovem imperador e expulsaram os francos (janeiro de 1204, na datação do tradutor), e que os francos então cercaram a cidade e a tomaram. Afirma que um quarto da cidade foi destruído pelo fogo e que houve três dias de matança e pilhagem. Depois do saque, o doge de Veneza, o marquês de Monferrato e Balduíno de Flandres teriam repartido o poder, e Balduíno foi feito imperador; o autor registra que territórios na Anatólia continuaram sob controle bizantino, nas mãos de Teodoro Láscaris. O tradutor observa que o texto foi escrito entre 1204 e 1261. (Ibn al-Athīr (m. 1233) 2014)

A justificativa cruzada e a posição do papa

Segundo Robert de Clari, no domingo anterior ao assalto os bispos de Soissons, Troyes e Halberstadt, entre outros, pregaram que a guerra era justa porque os gregos teriam deixado de obedecer à lei de Roma e assassinado seu senhor legítimo, e que atacá-los não era pecado, e sim ato de grande caridade. Em carta do verão de 1203, Inocêncio III proibira os chefes da cruzada, sob pena de excomunhão, de invadir ou saquear a terra dos gregos, e dissera que não lhes cabia julgar as faltas deles. Em maio de 1205, já depois da conquista, escreveu aos prelados da França pedindo monges e livros litúrgicos para o Império Latino; em dezembro de 1210 relatou ao patriarca latino a precária situação militar e financeira do império. (Robert de Clari; Institute for Medieval Studies)

Fontes

  1. Niceta Coniates (Nicetas Choniates), "The Sack of Constantinople (1204)", trad. D. C. Munro, em Translations and Reprints from the Original Sources of European History, Series 1, vol. 3:1 (rev. ed.), Filadélfia: University of Pennsylvania Press, 1912, pp. 15-16, reproduzido no Internet Medieval Sourcebook (Paul Halsall, Fordham University). Texto bruto lido em https://sourcebooks.fordham.edu/halsall/source/choniates1.asp (HTML), baixado com curl e extraído com texto.py, em 30/10/2026. Acessar
  2. Ibn al-Athīr (m. 1233), relato da conquista de Constantinopla em 600 H./1204, em al-Kāmil fī al-Tā'rīkh, vol. 12, pp. 190-192 (Beirute: Dar Sader, 2008), traduzido pelo blog Ballandalus (2014), "Ibn al-Athir (d. 1233) on the Conquest of Constantinople in 1204". Texto bruto lido em https://ballandalus.wordpress.com/2014/04/21/ibn-al-athir-d-1233-on-the-conquest-of-constantinople-in-1204/ (HTML), baixado com curl e extraído com texto.py, em 30/10/2026. Acessar
  3. Robert de Clari, La Prise de Constantinople, caps. LXXII-LXXIII, trad. Dana C. Munro, "The Fourth Crusade", em Translations and Reprints from the Original Sources of European History, vol. 3:1 (Filadélfia: University of Pennsylvania). Texto bruto lido em https://sourcebooks.fordham.edu/halsall/source/clari1.asp (Internet Medieval Sourcebook, HTML), baixado com curl e extraído com texto.py, em 30/10/2026. Acessar
  4. Institute for Medieval Studies, University of Leeds (s.d.). "Contemporary Documents concerning the Fourth Crusade and the Latin Empire of Constantinople" (cartas de Inocêncio III de 1203, 1205 e 1210, entre outros documentos; autoria da seleção e da tradução não identificada no PDF). Texto bruto lido em https://ims.leeds.ac.uk/wp-content/uploads/sites/29/2019/02/Latin-Empire.pdf (PDF), baixado com curl e extraído com texto.py, em 30/10/2026. Acessar

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