Atlas da História

Conto da Campanha de Igor: a derrota de 1185 narrada por um poeta de Rus

campanha de maio de 1185 (derrota em 12 mai., segundo Francis); composição do poema discutida (Wikidata: 1185–1187; Columbia: c. 1188–1200) · Europa Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Poema anônimo em antigo eslavo oriental sobre a campanha do príncipe Igor Sviatoslavich contra os polovtsianos, em 1185, que terminou em derrota e cativeiro. O texto lamenta a desunião dos príncipes de Rus, é crítico e ao mesmo tempo admirativo com Igor e termina com a volta dele. A autoria e a data da composição são debatidas.

A campanha de 1185 e o eclipse

Segundo Francis, o poema narra a campanha de Igor Sviatoslavich, príncipe de Novgorod-Seversky, contra os velhos inimigos polovtsianos, em 1185. O ano é fácil de fixar porque o exército viu um eclipse solar em 5 de maio e o tomou como mau presságio. Participaram o filho de Igor, Vladimir, o irmão Vsevolod, príncipe de Kursk e Trubchevsk, e o sobrinho Sviatoslav Olgovich. Em 12 de maio de 1185 o exército foi derrotado, e Igor e o filho foram capturados; Igor conseguiu fugir e voltar à esposa, Iaroslavna. No poema, o presságio aparece na estrofe VI, em que Igor vê o sol cobrir de sombra seus guerreiros e responde que é melhor morrer do que ser cativo. (Francis; On Igor's Campaign (Slovo o polku Igoreve). Trad. J. A. V. Haney e Eric Dahl 1992)

A palavra dourada de Sviatoslav

A estrofe XXX apresenta o grão-príncipe Sviatoslav deixando cair uma "palavra dourada misturada com lágrimas". Ele chama Igor e Vsevolod de primos que atacaram cedo demais e acusa-os de querer "roubar a glória futura" e dividir entre si a glória do passado. Na XXXII, convoca os príncipes aliados a pôr o pé no estribo de ouro "pela terra de Rus, pelas feridas de Igor" e pede a Iaroslav de Galich, chamado Osmomysl, que feche os portões do Danúbio e atire contra Konchak, descrito como "escravo pagão". O trecho mostra que o poema liga a derrota à falta de ação conjunta. (On Igor's Campaign (Slovo o polku Igoreve). Trad. J. A. V. Haney e Eric Dahl 1992)

Boian, o poeta e o tom do canto

A abertura do poema (II–V) diz que não convém começar a história de Igor com "palavras ardentes de contos penosos" e promete cantar "desde o velho Vladimir até Igor". Boian é lembrado como feiticeiro que se movia como esquilo pelas árvores, lobo pelo chão e águia sob as nuvens, e cujos dez falcões, na verdade, eram os dedos que faziam as cordas glorificar os príncipes. Francis registra que o texto menciona divindades como Dazhdbog, Veles, Stribog e Div ao lado de motivos cristãos, o que ela descreve como fenômeno de fé dupla. (On Igor's Campaign (Slovo o polku Igoreve). Trad. J. A. V. Haney e Eric Dahl 1992; Francis)

Um manuscrito achado e perdido

Segundo Francis, o poema foi encontrado pelo colecionador A. I. Musin-Pushkin no mosteiro Spassky de Iaroslavl, nos anos 1790, traduzido para o russo moderno e publicado em 1800; o manuscrito foi destruído no incêndio de Moscou em 1812, durante a ocupação napoleônica. Isso alimentou dúvidas sobre sua autenticidade, que, segundo ela, a maioria dos pesquisadores rejeita. A autoria é anônima: já se propôs Boian, um veterano da campanha que virou monge, o abade Moisés e, entre as hipóteses mais inusitadas, uma mulher, a princesa Maria Mikhailovna, depois monja Eufrosina. A autora fala em cerca de cem traduções. (Francis)

Fontes

  1. On Igor's Campaign (Slovo o polku Igoreve). Trad. J. A. V. Haney e Eric Dahl (1992), reproduzida com permissão em faculty.washington.edu/dwaugh/rus/texts/igortxt2.htm.
  2. Francis, Y. P. "The Tale of Igor" (Kievan Rus), em Columbia University, World Epics. Columbia College (MO). https://edblogs.columbia.edu/worldepics/project/the-tale-of-igors-campaign. Acessar

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