Atlas da História

Cerco de Bagdá

29 jan. a 10 fev. 1258 (calendário juliano) · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Conquista mongol de Bagdá, sob o comando de Hulagu, em 1258. Pôs fim ao Califado Abássida em sua capital.

Fólio de manuscrito do Alcorão copiado em Bagdá
Página de Alcorão copiada em Bagdá meio século depois do cerco de 1258, pelo copista Ahmad ibn al-Suhrawardi al-Bakri. Mostra que a produção de livros e a caligrafia continuaram na cidade depois da conquista mongol. Fólio de manuscrito do Alcorão copiado em Bagdá, Ahmad ibn al-Suhrawardi al-Bakri, datado de 707 AH / 1307–8. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

O cerco e a margem leste

Petersen (2025) lembra que, em 1258, a margem oeste de Bagdá não tinha muralha e já estava em boa parte abandonada; o cerco e a matança concentraram-se na margem leste, murada. As cifras de pessoas assassinadas dadas pelas fontes divergem muito e são impossíveis de verificar. O palácio do califa sobreviveu, e a restauração começou logo, segundo cronistas como Ibn al-Fuwati e Ibn al-Ibri. (Petersen 2025)

Uma cidade já em declínio

Para Petersen, Bagdá já vivia um declínio antes da conquista, agravado por enchentes em 1253, 1255 e 1256. Depois de 1258, tornou-se uma cidade de província, voltada para o mundo persa. Mesmo assim, a recuperação foi relativamente rápida: surgiram construções como o minarete de Suq al-Ghazl (1270) e, quase um século depois, o Khan Marjan e a Marjaniyya (1357–1358). Uma pintura do Jami' al-tawarikh, de c. 1305, representa o cerco. (Petersen 2025)

Bibliotecas e um cronista iraquiano

A imagem da destruição das bibliotecas de Bagdá, muitas vezes apresentada como causa de um declínio geral do mundo muçulmano, é contestada por Biran (2019). A partir de dicionários biográficos árabes, certificados de audição (samāʿ) e listas de livros, a autora reconstrói as bibliotecas da Bagdá ilcânida e mostra uma comunidade intelectual ativa, com papel dos mongóis no estímulo aos estudos locais; Petersen também nota que muitas bibliotecas sobreviveram. Gilli-Elewy (2011) traduziu e comentou os anos de 1257–1258 da crônica al-Ḥawādiṯ al-ǧāmiʿa, de autor iraquiano anônimo, que narra a conquista e a morte do califa al-Mustaʿṣim de um ponto de vista local, fora das linhas árabe-mameluca e persa-mongol. (Biran 2019; Gilli-Elewy 2011; Petersen 2025)

Fontes

  1. Petersen, A. (2025). "The Buildings of Medieval Baghdad and the Impact of the Mongol Conquest in 1258". Medieval Worlds 22: 204–226. DOI 10.1553/medievalworlds_no22_2025s204. Acessar
  2. Biran, M. (2019). "Libraries, Books, and Transmission of Knowledge in Ilkhanid Baghdad". Journal of the Economic and Social History of the Orient 62(2-3): 464–502. DOI 10.1163/15685209-12341485. Acessar
  3. Gilli-Elewy, H. (2011). "Al-Ḥawādiṯ al-ǧāmiʿa: A Contemporary Account of the Mongol Conquest of Baghdad, 656/1258". Arabica 58(5): 353–371. DOI 10.1163/157005811x561569. Acessar

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