Batalha de Queroneia (338 a.C.): Filipe II vence Atenas e Tebas, nas palavras de Demóstenes e de Pausânias
ago. 338 a.C. (Wikidata P585, precisão de mês); as passagens lidas de Demóstenes e Pausânias não dão o mês · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em agosto de 338 a.C. (Wikidata), as forças de Filipe II da Macedônia derrotaram em Queroneia, na Beócia, Atenas e Tebas aliadas. Demóstenes, no discurso Sobre a coroa, conta como Atenas reagiu à tomada de Elateia por Filipe, propondo a aliança com Tebas, e defende essa escolha mesmo depois do desastre. Pausânias chama a derrota de início da desgraça para todos os gregos e diz que Filipe tomou a maior parte das cidades e tirou de Atenas as ilhas e o império marítimo.
Elateia e a assembleia ateniense
Demóstenes (§§ 169–171) conta que, ao anoitecer, chegou aos conselheiros presidentes a notícia de que Elateia fora tomada; na manhã seguinte o povo ocupou a colina da assembleia e, depois de o arauto perguntar várias vezes quem queria falar, ninguém se levantou, embora estivessem ali todos os estrategos e oradores. Ele mesmo diz ter subido à tribuna (§§ 173–178) para dizer que Filipe ainda não dispunha de todo Tebas, que Atenas deveria mandar os homens de idade militar e a cavalaria a Elêusis e enviar dez embaixadores a Tebas, com a promessa de socorro sem pedir favor. Segundo ele, a proposta teve aprovação geral e nenhuma oposição. (Demóstenes. Sobre a coroa (On the Crown)
A derrota segundo o orador
Para Demóstenes (§§ 195–200), se a derrota veio mesmo tendo os tebanos ao lado, o que se deveria esperar sem essa aliança, com Tebas junto a Filipe? Ele ressalta que a batalha se deu a três dias de marcha da fronteira ateniense, e que um, dois ou três dias deram à cidade tempo de resistir e se concentrar. Responde a Ésquines que, se alguém soubesse o futuro, devia tê-lo dito durante a deliberação, e que, mesmo que todos o conhecessem, a cidade não poderia ter abandonado sua política por honra e pelos antepassados. Para ele, "fracassamos" é a sorte comum, se Deus assim quer. (Demóstenes. Sobre a coroa (On the Crown)
O luto público e o epitáfio
Demóstenes (§§ 285–289) lembra que, pouco depois da batalha, o povo escolheu quem discursaria sobre os mortos e, entre os nomeados, incluindo Ésquines e Dêmades, o escolhido foi ele; e que os pais e irmãos dos mortos fizeram o banquete fúnebre em sua casa. Faz ler o epitáfio que a cidade resolveu gravar no monumento. Pelo texto traduzido, os versos dizem que os mortos lutaram pelo direito da pátria, que morreram para que a Grécia continuasse livre e não se curvasse ao jugo da servidão. (Demóstenes. Sobre a coroa (On the Crown)
Pausânias: Isócrates e o fim do império marítimo
Pausânias (1.18.8) descreve, junto à estátua de Isócrates em Atenas, que ele viveu 98 anos, ensinando até o fim, afastado da política, e morreu voluntariamente por causa da notícia da batalha de Queroneia. Em 1.25.3, afirma que o desastre foi o começo da desgraça para todos os gregos, que Filipe tomou a maior parte das cidades e que Atenas ficou passiva durante o reinado de Filipe e de Alexandre, até que a morte de Alexandre a levou a iniciar a guerra e incitar outros a ela. (Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece). Tradução inglesa de W. H. S. Jones e H. A. Ormerod. Cambridge)
Fontes
- Demóstenes. Sobre a coroa (On the Crown, discurso 18). Tradução inglesa de Charles Anthony Vince e James Herbert Vince. Londres: William Heinemann; Cambridge, MA: Harvard University Press, 1926 (Loeb Classical Library), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto os §§ 1 a 4, 169–180, 195–200 e 285–289. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0014/tlg018/tlg0014.tlg018.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
- Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece). Tradução inglesa de W. H. S. Jones e H. A. Ormerod. Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1918–1935 (Loeb Classical Library), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto 1.18.8 (Isócrates) e 1.25.3 (as consequências de Queroneia para Atenas). https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0525/tlg001/tlg0525.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Axioteia de Flios: aluna de Platão e de Espeusipo, junto com Lastênia de Mantineia séc. IV a.C. (por ter sido aluna de Platão, segundo Diógenes Laércio); o Wikidata dá −400 com precisão de século
- Hipárquia de Maroneia: a filósofa cínica que escolheu a vida de Crates e venceu Teodoro num banquete c. 350 – c. 280 a.C. (Wikidata); o texto lido a situa por volta de 300 a.C. (cabeçalho da edição de Hicks)
- Píteas de Massália: a viagem ao norte da Europa, a Britânia e Thule, segundo seus críticos antigos séc. IV a.C. (Wikidata: nascimento c. 359 ou 349 a.C.; morte c. 289 ou 284 a.C.); Estrabão não dá datas
- Aqua Appia: o primeiro aqueduto de Roma, trazido à cidade na censura de Ápio Cláudio 312 a.C. (Wikidata P571; Lívio o põe na censura de Ápio Cláudio e Caio Plaucio, marcada como 312 a.C. na edição)
- Via Ápia: a estrada de Roma a Cápua construída na censura de Ápio Cláudio 312 a.C. (Wikidata P571; Lívio situa a obra na censura de Ápio Cláudio e Caio Plaucio, no ano marcado como 312 a.C. na edição)
- Fundação de Messena (c. 370–369 a.C.): o regresso dos messênios ao Peloponeso, segundo Pausânias, e o silêncio de Xenofonte 3º ano da 102ª Olimpíada, arcontado de Disciceto em Atenas (Pausânias 4.27.9), que o atlas converte em 370/369 a.C.; o Wikidata (P571 de Q1022117) dá 371 a.C.