Fundação de Messena (c. 370–369 a.C.): o regresso dos messênios ao Peloponeso, segundo Pausânias, e o silêncio de Xenofonte
3º ano da 102ª Olimpíada, arcontado de Disciceto em Atenas (Pausânias 4.27.9), que o atlas converte em 370/369 a.C.; o Wikidata (P571 de Q1022117) dá 371 a.C. · Europa Mediterrânea
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Segundo Pausânias, depois de Leuctra os tebanos convocaram os messênios dispersos na Itália, na Sicília e na Líbia, e Epaminondas, com argivos e arcádios, fundou a cidade de Messena na região do monte Itome. Pausânias data o regresso dos messênios 287 anos depois da queda de Eira, no terceiro ano da 102ª Olimpíada. Nas passagens lidas de Xenofonte, a fundação não é narrada, e os messênios aparecem depois como aliados de Tebas.
Messênios no exílio e o retorno
Pausânias (4.26.1–4.26.5) conta que os messênios ofereceram Naupacto como base contra o Peloponeso na guerra entre Atenas e os peloponésios, e que, depois de Egospótamos, os lacedemônios os expulsaram de lá. Alguns foram para os parentes da Sicília e de Régio; a maioria, sob Comon, para os euespérites da Líbia. Segundo ele, um ano antes de Leuctra o céu já anunciava o retorno, em sonhos de um sacerdote de Héracles e de Comon. Depois da vitória, os tebanos enviaram mensageiros à Itália, à Sicília e à Líbia e chamaram os messênios, que se reuniram mais rápido do que se esperava. (Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece). Tradução inglesa de W. H. S. Jones e H. A. Ormerod. Cambridge)
Epaminondas e a escolha do lugar
De acordo com Pausânias (4.26.6–4.27.7), Epaminondas não via como fundar uma cidade capaz de resistir a Esparta, pois os messênios se recusavam a voltar a Andânia e a Ecália, onde tinham sofrido seus desastres. Um sonho, a urna de bronze com a lâmina de estanho enrolada como um livro e os oráculos de Bácis o convenceram; os adivinhos declararam os sacrifícios favoráveis. Os argivos, arcádios e tebanos sacrificaram cada um a seus deuses, os messênios a Zeus do Itome e aos Dióscuros, e invocaram os heróis para voltar a morar com eles. Nos dias seguintes ergueram a muralha, as casas e os templos ao som de flautas beócias e argivas, e a cidade recebeu o nome de Messena. (Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece). Tradução inglesa de W. H. S. Jones e H. A. Ormerod. Cambridge)
Data e duração da dispersão
Pausânias (4.27.9–4.27.11) escreve que os messênios retornaram ao Peloponeso e recuperaram sua terra 287 anos depois da queda de Eira, no arcontado de Disciceto em Atenas e no terceiro ano da 102ª Olimpíada, quando Damon de Túrio venceu pela segunda vez. Compara a duração do exílio com a de outros povos expulsos: os plateenses, os délios em Adramítio e os mínios de Orcômeno, e afirma que as andanças dos messênios fora do Peloponeso duraram quase trezentos anos, bem mais que as dos plateenses, que ele julga as mais longas entre as citadas, sem passar de duas gerações. (Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece). Tradução inglesa de W. H. S. Jones e H. A. Ormerod. Cambridge)
Messena nos textos de Xenofonte
No texto inglês das Helênicas, as passagens que nomeiam Messena ou os messênios são breves. Em 6.5.28–6.5.29, depois da invasão tebana da Lacônia, as autoridades de Esparta proclamam aos hilotas que todos que tomassem armas seriam livres; segundo Xenofonte, mais de seis mil se alistaram a princípio, e os espartíatas temeram seu número. Em 7.1.36, Pelópidas pede ao rei da Pérsia que Messena seja independente dos lacedemônios; em 7.5.5, Epaminondas conta entre seus apoios os argivos, os messênios e parte dos arcádios. A fundação, em si, não é descrita nesses trechos. (Xenofonte. Helênicas (Hellenica). Tradução inglesa de Carleton L. Brownson)
Fontes
- Pausânias. Descrição da Grécia (Description of Greece). Tradução inglesa de W. H. S. Jones e H. A. Ormerod. Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1918–1935 (Loeb Classical Library), pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto 4.26.1–4.27.11 (os messênios no exílio, o sonho de Epaminondas, a fundação, a data e o fim da dispersão). https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0525/tlg001/tlg0525.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
- Xenofonte. Helênicas (Hellenica). Tradução inglesa de Carleton L. Brownson, em Xenophon in Seven Volumes. Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1918–1921, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub. Lidos em texto bruto 5.2.3, 6.5.28–6.5.29, 7.1.27, 7.1.36 e 7.5.5 (as passagens em que o texto inglês nomeia Messena ou os messênios, e o apelo espartano aos hilotas). https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0032/tlg001/tlg0032.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Batalha de Leuctra (371 a.C.): Tebas derrota Esparta, segundo Xenofonte e Pausânias 6 jul. 371 a.C. (Wikidata P585, precisão de dia; as passagens lidas de Xenofonte e Pausânias não dão a data)
- Axioteia de Flios: aluna de Platão e de Espeusipo, junto com Lastênia de Mantineia séc. IV a.C. (por ter sido aluna de Platão, segundo Diógenes Laércio); o Wikidata dá −400 com precisão de século
- Hipárquia de Maroneia: a filósofa cínica que escolheu a vida de Crates e venceu Teodoro num banquete c. 350 – c. 280 a.C. (Wikidata); o texto lido a situa por volta de 300 a.C. (cabeçalho da edição de Hicks)
- Píteas de Massália: a viagem ao norte da Europa, a Britânia e Thule, segundo seus críticos antigos séc. IV a.C. (Wikidata: nascimento c. 359 ou 349 a.C.; morte c. 289 ou 284 a.C.); Estrabão não dá datas
- Saque de Roma pelos gauleses (c. 390–387 a.C.): o que contam Lívio e Políbio, e a lembrança dos próprios gauleses c. 390 a.C. (Wikidata P585: 390 a.C., sem mês); o item da batalha do Ália (Q655777) lista também 387 a.C.; Políbio 1.6 situa a tomada de Roma 16 anos antes de Leuctra, ano da Paz de Antálcidas
- Cinismo antigo (séc. IV a.C.): Antístenes, Diógenes de Sinope e Hiparquia, segundo Diógenes Laércio séc. IV a.C. (Wikidata P580: 400 a.C., precisão de século); Diógenes Laércio situa Diógenes de Sinope na época de Alexandre, e Demétrio de Magnésia, citado por ele, o faz morrer no mesmo dia que Alexandre (323 a.C.)