Hipárquia de Maroneia: a filósofa cínica que escolheu a vida de Crates e venceu Teodoro num banquete
c. 350 – c. 280 a.C. (Wikidata); o texto lido a situa por volta de 300 a.C. (cabeçalho da edição de Hicks) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Hipárquia nasceu em Maroneia, na Trácia, e era irmã de Metrocles. Segundo Diógenes Laércio, apaixonou-se pelos discursos e pelo modo de vida do filósofo cínico Crates, recusou pretendentes ricos e bem-nascidos e ameaçou se matar se não a casassem com ele. Adotou o mesmo traje, vivia com Crates em público e ia a banquetes, onde teria vencido Teodoro, o ateu, num raciocínio sobre o que é ou não errado.
A escolha de Crates
Segundo Diógenes Laércio (VI.96), Hipárquia e seu irmão Metrocles, ambos de Maroneia, foram conquistados pelas doutrinas cínicas. Ela se apaixonou pelos discursos e pela vida de Crates e não dava atenção a pretendentes de riqueza, berço ou beleza; ameaçava se matar se não a casassem com ele. Os pais pediram a Crates que a dissuadisse. Ele tentou e, sem sucesso, tirou a roupa diante dela e disse que aquele era o noivo, que ali estavam os seus bens, e que ela escolhesse, pois não seria sua companheira se não partilhasse suas práticas. Ela escolheu. (Diógenes Laércio. Lives of Eminent Philosophers)
Vida em público e o banquete de Lisímaco
Depois de escolher, diz Diógenes Laércio (VI.97), Hipárquia adotou a mesma roupa, andava com o marido, vivia com ele em público e ia a jantares com ele. No banquete oferecido por Lisímaco, venceu Teodoro, chamado o ateu, com um sofisma: se uma ação não seria errada quando feita por Teodoro, também não seria quando feita por Hipárquia; Teodoro não erra ao bater em si mesmo, logo ela não erra ao bater em Teodoro. Ele não soube responder e tentou arrancar o manto dela, sem que ela mostrasse susto. Em VI.98 ela responde ao verso de Eurípides sobre a roca e o tear. (Diógenes Laércio. Lives of Eminent Philosophers)
Família: Metrocles e Pasícles
O mesmo livro diz que Metrocles de Maroneia, irmão de Hipárquia, fora aluno do peripatético Teofrasto e que Crates o ajudou a superar um constrangimento que o levara a querer se deixar morrer de fome, depois do que Metrocles virou seu aluno e progrediu na filosofia (VI.94). Citando Eratóstenes, o livro diz que Crates teve com Hipárquia um filho, Pasícles (VI.88-89). Não há, nos trechos lidos, mais dados sobre a vida dela depois do casamento. (Diógenes Laércio. Lives of Eminent Philosophers)
Fontes
- Diógenes Laércio. Lives of Eminent Philosophers, livro VI, "Hipparchia" (§§ 96-98) e passagens sobre Crates e Metrocles. Trad. R. D. Hicks. Londres: William Heinemann, 1925. Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0004.tlg001.perseus-eng2, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0004/tlg001/tlg0004.tlg001.perseus-eng2.xml Acessar
Na mesma região
- Axioteia de Flios: aluna de Platão e de Espeusipo, junto com Lastênia de Mantineia séc. IV a.C. (por ter sido aluna de Platão, segundo Diógenes Laércio); o Wikidata dá −400 com precisão de século
- Píteas de Massália: a viagem ao norte da Europa, a Britânia e Thule, segundo seus críticos antigos séc. IV a.C. (Wikidata: nascimento c. 359 ou 349 a.C.; morte c. 289 ou 284 a.C.); Estrabão não dá datas
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