Píteas de Massália: a viagem ao norte da Europa, a Britânia e Thule, segundo seus críticos antigos
séc. IV a.C. (Wikidata: nascimento c. 359 ou 349 a.C.; morte c. 289 ou 284 a.C.); Estrabão não dá datas · Europa Mediterrânea, Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Píteas era um grego de Massália (a atual Marselha) a quem se atribui um relato de viagem pelo norte da Europa. Sua obra não chegou até nós: o que se sabe vem de críticos antigos. Segundo Estrabão, citando Políbio, Píteas dizia ter percorrido a pé toda a Britânia e descrito Thule, e depois a costa europeia de Gades ao Don; Hiparco, ainda segundo Estrabão, usou medidas de sombra de gnômon que Píteas deu para Massália.
O que Políbio e Estrabão atribuem a Píteas
Segundo Estrabão (II.4.1-2), Políbio dizia que Píteas enganara muita gente. Píteas afirmava ter percorrido a pé toda a Britânia, que teria mais de 40.000 estádios de perímetro; descrevia Thule e arredores como um lugar onde não havia terra, água nem ar separados, mas uma mistura semelhante a uma esponja marinha, que não se podia atravessar a pé nem de barco, e dizia ter visto isso com os próprios olhos. Depois, contava Píteas, percorrera toda a costa da Europa, de Gades ao Don. Estrabão (I.4) acrescenta que Píteas dava à Britânia mais de 20.000 estádios de comprimento e dizia que Kent ficava a alguns dias de navegação da Gália. (Estrabão. The Geography of Strabo)
Thule, o gnômon e a ciência que Estrabão reconhece
Estrabão escreve (II.5.8) que Píteas afirmava ser Thule a terra mais ao norte, perto das ilhas britânicas, e que ali o trópico de verão e o círculo ártico coincidiam; sobre ela, diz Estrabão, Píteas não dava outros pormenores. Em IV.5.5, Estrabão julga falso o que Píteas conta de Thule, mas concede que, no campo da astronomia e da matemática, ele raciocinou bem sobre os povos junto à zona gelada. Os tradutores de 1903 anotam que o trópico estaria a 24° do equador e que a latitude de Thule seria então 66°, a do norte da Islândia; é uma nota de 1903, não uma conclusão de Estrabão. (Estrabão. The Geography of Strabo)
Hiparco, Políbio e a recepção em Massália
Hiparco, segundo Estrabão (II.5.8), afirmava, com base em Píteas, que o gnômon dá a mesma sombra em Bizâncio e em Massália, e por isso as duas cidades estariam no mesmo paralelo; Estrabão rebate que Píteas engana também nesse ponto. Em IV.2.1, citando Políbio, Estrabão conta que, interrogados por Cipião, os massaliotas, os de Narbona e os de Corbilon não tinham nada digno de nota a dizer sobre a Britânia, e que só Píteas ousou inventar tantas coisas sobre a ilha. Portanto, o que se conhece de Píteas passa por quem o refuta ou o usa em polêmica, e a visão de Massália sobre ele não aparece nos textos lidos. (Estrabão. The Geography of Strabo)
Fontes
- Estrabão. The Geography of Strabo, livros I, II, IV e V (passagens sobre Píteas). Trad. H. C. Hamilton e W. Falconer. Londres: George Bell & Sons, 1903. Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0099.tlg001.perseus-eng4, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0099/tlg001/tlg0099.tlg001.perseus-eng4.xml Acessar
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