Calota craniana de Salkhit
c. 34,4 mil anos atrás (Devièse et al. 2019) · Ásia Central e Interior
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Calota craniana achada em 2006 durante obras de mineração no vale de Salkhit, na província de Khentii (Mongólia). A datação direta deu c. 34,4 mil anos atrás, e o DNA mitocondrial pertence a um grupo de humanos modernos (haplogrupo N) hoje comum na Eurásia (Devièse et al. 2019).
Um fóssil sem contexto arqueológico
A calota apareceu em 2006 durante a mineração no vale de Salkhit, no distrito de Norovlin, e é o único fóssil humano do Pleistoceno conhecido na Mongólia, segundo Devièse et al. (2019). Buscas feitas depois no local não acharam outros restos, de modo que não há camada, ferramentas ou fauna associadas que ajudem a datar ou interpretar a peça, guardada no Instituto de História e Arqueologia, em Ulan Bator. As primeiras descrições apontaram possíveis afinidades arcaicas, e por isso a datação direta e a genética se tornaram decisivas para situar o fóssil. (Devièse et al. 2019)
Datar um osso contaminado
As datas anteriores eram jovens demais. Um laboratório comercial obteve 22.105 ± 45 anos de radiocarbono, resultado nunca publicado formalmente, e a Universidade de Oxford chegou a 23.630 ± 160 em 2010. O problema eram produtos de conservação aplicados ao osso. Devièse et al. (2019) dataram então só a hidroxiprolina, um aminoácido próprio do colágeno, isolado por cromatografia líquida. O resultado, 30.430 ± 300 anos de radiocarbono, corresponde a 34.950–33.900 anos calibrados, no Paleolítico Superior Inicial. Os autores sugerem, como hipótese, que essas pessoas podem ter conhecido as indústrias de lâminas e de técnica tipo Levallois desse período na região. (Devièse et al. 2019)
O que o DNA revela
O DNA mitocondrial foi recuperado apesar da forte contaminação por DNA de pessoas de hoje: os autores separaram os fragmentos antigos pela troca química C→T típica de material degradado. Ele pertence ao haplogrupo N, que, pelos cálculos de Devièse et al. (2019), começou a se diversificar 19 a 28 mil anos antes de esse indivíduo viver. Em 2020, Massilani et al. publicaram dados do genoma nuclear do fóssil, de uma mulher que viveu c. 34 mil anos atrás no leste da Mongólia. Eles acharam ascendência denisovana e mostraram que a contribuição denisovana em Salkhit difere da de outro indivíduo asiático antigo e da que chegou aos australasianos atuais. (Devièse et al. 2019; Massilani et al. 2020)
Fontes
- Devièse, T.; Massilani, D.; Yi, S.; Comeskey, D. et al. (2019). "Compound-specific radiocarbon dating and mitochondrial DNA analysis of the Pleistocene hominin from Salkhit Mongolia". Nature Communications 10: 274. DOI 10.1038/s41467-018-08018-8. Acessar
- Massilani, D.; Skov, L.; Hajdinjak, M.; Gunchinsuren, B. et al. (2020). "Denisovan ancestry and population history of early East Asians". Science 370(6516): 579–583. DOI 10.1126/science.abc1166. Acessar
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