Chegada ao Leste Asiático pelo norte (Altai, Mongólia e Transbaikália)
c. 50 mil a 45 mil anos atrás (Li et al. 2019; Zwyns et al. 2019) · Ásia Central e Interior, Sibéria e Norte da Ásia, Leste Asiático
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Hipótese de que populações de Homo sapiens entraram no Leste Asiático pelo norte das grandes cordilheiras, cruzando as estepes do Altai, da Mongólia e da Transbaikália antes de descer para o norte da China. Ela se apoia na difusão do Paleolítico Superior Inicial, um conjunto de técnicas de lâminas que chega à Mongólia por volta de 45 mil anos atrás.
Tolbor-16 e o Paleolítico Superior Inicial
Em 2019, uma equipe internacional com pesquisadores do Instituto de História e Arqueologia da Academia Mongol de Ciências publicou o sítio Tolbor-16, no vale do rio Tolbor, norte da Mongólia, numa passagem baixa entre a Sibéria e a Mongólia. A camada mais antiga, datada entre 45,6 mil e 42,5 mil anos, tem lâminas grandes e lamelas feitas com os métodos que definem o Paleolítico Superior Inicial asiático, os mesmos de sítios do Altai como Kara-Bom. Para os autores, esse conjunto técnico se espalhou pela Sibéria até a Mongólia por volta de 45 mil anos e seguiu para o sul e o leste até o noroeste da China, numa fase de clima mais ameno, o interestadial da Groenlândia 12. (Zwyns et al. 2019)
Quem fez as ferramentas
Não há fósseis humanos associados à camada, e os autores discutem duas hipóteses. A primeira atribui as ferramentas ao Homo sapiens: as datas coincidem com as do fêmur de Ust'-Ishim, que os autores tratam como o registro mais recuado da espécie nas estepes eurasiáticas, e contas e ferramentas de osso aparecem com esse conjunto na bacia do Selenga. A outra atribui as ferramentas a populações locais, como neandertais ou denisovanos, mas não há restos neandertais seguros a leste do noroeste do Altai. Zwyns e colegas consideram o Homo sapiens o autor mais provável e notam que a data coincide com estimativas genéticas de um encontro com denisovanos por volta de 45 mil anos. Segundo Li e colegas (2019), os fósseis de Homo sapiens mais antigos do norte da China, os de Tianyuan, têm datação direta de cerca de 40 mil anos, depois dessas indústrias. (Zwyns et al. 2019; Li et al. 2019)
Corredores alternativos e críticas
Li Feng, Gao Xing, da Academia Chinesa de Ciências, e colegas questionam a premissa do modelo 'Overland', de Goebel e outros, de que o Altai, o Tian Shan e os desertos de Gobi e Taklamakan foram sempre barreiras. Com modelos de caminho de menor custo, mostram que em fases mais úmidas e quentes haveria passagens diretas de oeste para leste por esses desertos e cordilheiras, perto de paleolagos com níveis altos; em fases secas e frias, o arco pelo norte seria a única opção provável. Os próprios autores dizem que os modelos não comprovam essas rotas e pedem prospecções. Liu e colegas dataram dentes do sul da China em mais de 80 mil anos, mas Sun e colegas (2021) os situam no Holoceno, e Zwyns e colegas lembram que a rota interior não exclui a costeira. (Li et al. 2019; Liu et al. 2015; Zwyns et al. 2019; Sun et al. 2021)
Fontes
- Zwyns, N.; Paine, C. H.; Tsedendorj, B.; Talamo, S. et al. (2019). "The Northern Route for Human dispersal in Central and Northeast Asia: New evidence from the site of Tolbor-16, Mongolia". Scientific Reports 9. DOI 10.1038/s41598-019-47972-1. Acessar
- Li, F.; Vanwezer, N.; Boivin, N.; Gao, X. et al. (2019). "Heading north: Late Pleistocene environments and human dispersals in central and eastern Asia". PLOS ONE 14(5): e0216433. DOI 10.1371/journal.pone.0216433. Acessar
- Liu, W.; Martinón-Torres, M.; Cai, Y.; Xing, S. et al. (2015). "The earliest unequivocally modern humans in southern China". Nature 526(7575): 696–699. DOI 10.1038/nature15696. Acessar
- Sun, X.-f.; Wen, S.-q.; Lu, C.-q.; Zhou, B.-y. et al. (2021). "Ancient DNA and multimethod dating confirm the late arrival of anatomically modern humans in southern China". Proceedings of the National Academy of Sciences 118(8): e2019158118. DOI 10.1073/pnas.2019158118. Acessar
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