Atlas da História

Cândido Rondon

5 mai. 1865 – 19 jan. 1958 (Wikidata; Camargo e Lima 2005) · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Militar e engenheiro nascido perto de Cuiabá, Rondon comandou a Comissão de Linhas Telegráficas do Mato Grosso ao Amazonas e dirigiu o primeiro Serviço de Proteção aos Índios. Sua imagem de protetor é celebrada e também criticada por Miller (2023), que mostra o apagamento de nomes indígenas dos lugares nos mapas da Comissão.

Cândido Rondon em Salvador
Fotografia de Rondon em Salvador. Mostra o militar sertanista em seu papel público, não a perspectiva dos povos indígenas com quem a Comissão Rondon teve contato. Cândido Rondon em Salvador, autoria não registrada, início do séc. XX. Domínio público. Ver no acervo

Origem e formação

Segundo Camargo e Lima (2005), Rondon nasceu em 5 de maio de 1865 em Mimoso, perto de Cuiabá. Perdeu o pai antes de nascer e a mãe aos dois anos, e foi criado por um tio, que lhe acrescentou o sobrenome Rondon. Formou-se professor na Escola Normal em 1881, assentou praça em Cuiabá nesse ano e estudou na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde teve como mestre Benjamin Constant, de quem herdou o positivismo. Miller (2023) acrescenta que a mãe era descendente dos povos Terena e Bororo. (Camargo e Lima 2005; Miller 2023)

A Comissão e as linhas telegráficas

Rondon ingressou na comissão de construção de linhas telegráficas e, entre 1900 e 1906, percorreu o interior de Mato Grosso. Em 1907, a convite do presidente Afonso Pena, passou a chefiar a Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas. Camargo e Lima registram a expedição com Theodore Roosevelt em 1913–1914. Miller (2023), citando Diacon, conta dezesseis estações telegráficas e trinta e duas pontes e cerca de 1.800 km de linhas; a Comissão foi extinta em 1930. (Camargo e Lima 2005; Miller 2023)

Povos indígenas: contato e crítica

Os autores divergem no tom. Camargo e Lima (2005) enfatizam que ele não hostilizava os indígenas e foi o primeiro dirigente do Serviço de Proteção aos Índios (1910). Miller (2023) mostra a relação com os Nambiquara como marcada por tensão e hostilidade, enquanto os Paresi, que viviam em regime de escravidão nos seringais, o viram como protetor e atuaram como guias e telegrafistas. Para a autora, os mapas da Comissão apagaram nomes indígenas dos lugares, e o Serviço visava transformar indígenas em trabalhadores nacionais. (Camargo e Lima 2005; Miller 2023)

Memória e outras missões

Camargo e Lima (2005) registram que, em 1919, Rondon assumiu a Diretoria de Engenharia do Exército, combateu os revoltosos no Paraná e em Santa Catarina em 1924–1925, inspecionou as fronteiras de 1927 a 1930 e, em 1934, foi nomeado por Getúlio Vargas representante na comissão de Letícia. O Território de Guaporé foi rebatizado Rondônia em 1936. Miller (2023) lembra que Rondon é central numa certa versão da história nacional, na qual aparece como "desbravador" e autor do lema "morrer, se preciso for, matar, jamais". (Camargo e Lima 2005; Miller 2023)

Fontes

  1. Camargo, J. C. G.; Lima, F. F. de (2005). "O positivismo e a geografia em Rondon". Estudos Geográficos 3(1): 37–52. ISSN 1678-698X.
  2. Miller, J. (2023). "Na linha: os Nambiquara e as linhas telegráficas". Mana 29(1): e2023008. DOI 10.1590/1678-49442023v29n1e2023008.pt. Acessar

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