Atlas da História

Carolina Maria de Jesus

14 mar. 1914 – 13 fev. 1977 (Savério Rocha 2023; ela própria duvida de 1914 no Diário de Bitita) · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Escritora negra nascida em Sacramento (MG), catadora de papel e moradora da favela do Canindé, em São Paulo, que registrou a vida na favela em diários. Quarto de despejo (1960), compilado e levado à publicação pelo jornalista Audálio Dantas a partir dos cadernos dela, foi traduzido para treze línguas; ela morreu esquecida em 1977.

Carolina Maria de Jesus autografa Quarto de Despejo
Carolina Maria de Jesus, escritora negra, autografando o livro em que registrou o dia a dia na favela do Canindé, em São Paulo. A foto é do Arquivo Nacional. Carolina Maria de Jesus autografa Quarto de Despejo, Arquivo Nacional, 1960. Domínio público. Ver no acervo

Origem e formação

Segundo Savério Rocha (2023), Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, em Sacramento (MG). Lopes, Bizello e Rodrigues (2022), apoiados em Gonçalves (2014), contam que ela frequentou a escola até o segundo ano do primário, o suficiente para despertar o gosto pela leitura. No Diário de Bitita, citado por Savério Rocha, a própria autora diz que alguns afirmam ter nascido em 1914 e que talvez fosse 1921. Em 1937, aos 23 anos, mudou-se para São Paulo, morou em cortiços do centro e trabalhou como empregada doméstica. (Savério Rocha 2023; Lopes et al. 2022)

Canindé e os cadernos

Em 1948, por causa das reformas urbanas, Carolina foi para a favela do Canindé, às margens do Tietê, e teve três filhos. Passou a catar papel e encontrou no lixo cadernos que transformou em diários, nos quais registrava a rotina, a fome e o desejo de ser escritora. Em 1958, o jornalista Audálio Dantas, da Folha da Noite, a encontrou e se interessou por seus 35 cadernos; em 1960 publicou Quarto de despejo. Segundo Lopes et al. (2022), foram mais de dez mil exemplares na primeira semana, cem mil em seis meses, e a obra foi traduzida para treze línguas. (Lopes et al. 2022; Savério Rocha 2023)

Depois do sucesso e a memória

Savério Rocha (2023) registra que ela saiu da favela e, em 30 de agosto de 1960, foi morar em Osasco, depois numa casa de alvenaria em Santana. Lopes et al. (2022) afirmam, como leitura sua, que o êxito durou pouco e foi interrompido pelo golpe de 1964; ela vendeu a casa e comprou um sítio em Parelheiros, onde recebeu jornalistas francesas que levaram os originais do Diário de Bitita. Morreu em 13 de fevereiro de 1977, de bronquite asmática. Os manuscritos ficaram dispersos entre o Arquivo Público de Sacramento (MG), o Instituto Moreira Salles, a Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro) e o Museu Afro Brasil, o que dificulta a pesquisa. (Savério Rocha 2023; Lopes et al. 2022)

Fontes

  1. Savério Rocha, G. de C. (2023). "Carolina Maria de Jesus". Revista Aurora 16(2): 61–86. DOI 10.36311/1982-8004.2023.v16.n2.p61-86. Acessar
  2. Lopes, B. P.; Bizello, M. L.; Rodrigues, G. M. (2022). "A dispersão em arquivos literários: um estudo à luz do acervo da escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1977)". InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação 13(2): 244–264. DOI 10.11606/issn.2178-2075.v13i2p244-264. Acessar

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