Guerra de Canudos e a comunidade de Belo Monte
1893 (fundação de Belo Monte) a out. 1897 (destruição) · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Belo Monte, também chamada Canudos, foi uma comunidade camponesa fundada em 1893 por Antônio Conselheiro no sertão da Bahia e destruída pelas tropas republicanas em outubro de 1897. Segundo Rozeaux, viver ali era uma opção de vida comunitária e religiosa, em ruptura com a república laica e com a colonização do sertão.
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Belo Monte: a vida na comunidade
Segundo a resenha de Oliveira sobre o livro de Clóvis Moura (2000), Antônio Conselheiro e seus seguidores chegaram em 1893 à fazenda Canudos e ali fundaram o Belo Monte. A comunidade tinha economia coletiva, com agricultura, criação de cabras, trabalho com metais e um sistema de vales no lugar do dinheiro. Rozeaux, em resumo de seu artigo, escreve que as fontes do lado dos rebeldes são escassas, mas que documentos da época e a memória oral dos sobreviventes permitem reconstituir o que era viver ali. Para ele, tratava-se da escolha de uma vida comunitária baseada no sagrado, em ruptura com a república laica. (Oliveira 2026; Rozeaux 2023)
A guerra e a queda em outubro de 1897
Moura, na leitura de Oliveira, afirma que a comunidade derrotou as três primeiras expedições e caiu diante da última, em outubro de 1897. A resenha menciona ainda que a campanha contra Canudos incluiu propaganda segundo a qual haveria estrangeiros envolvidos. Euclides da Cunha, que acompanhou a campanha, descreve na edição de 1905 de Os Sertões que Canudos não se rendeu e caiu no fim da tarde do dia 5, restando quatro defensores diante de cinco mil soldados: um velho, dois homens feitos e uma criança. Ele conta 5.200 casas destruídas e estima a população em quinze ou vinte mil pessoas, número que obteve observando à distância. (Oliveira 2026; Cunha 1905)
Os Sertões: uma testemunha crítica e seus limites
Em Os Sertões, Euclides da Cunha classifica a campanha como, no sentido pleno da palavra, um crime. Ao mesmo tempo, a nota preliminar da obra emprega termos de classificação biológica dos sertanejos e prevê o desaparecimento do jagunço, linguagem que reflete as teorias da época. Ele relata ainda um boato sobre mulheres que teriam se lançado ao fogo e o desaparecimento de prisioneiros. O corpo de Conselheiro foi exumado, fotografado e decapitado, e o crânio levado ao litoral para que a ciência desse a palavra final. Rozeaux observa que Euclides criticou a guerra e a morte de civis, mas retratou os moradores de modo desfavorável. (Cunha 1905; Rozeaux 2023)
Leituras posteriores: movimento camponês e político
Segundo a resenha de Oliveira, Clóvis Moura (2000), sociólogo e militante do Partido Comunista Brasileiro, lê Canudos como resistência camponesa diante dos grandes latifundiários da Bahia e o apresenta como um dos movimentos sociais e políticos mais importantes da América Latina, e não como movimento pré-político, religioso ou messiânico. O segundo capítulo do livro chama Conselheiro de abolicionista da plebe. Moura liga ainda Canudos ao surgimento do MST. Rozeaux sustenta, por sua vez, que fontes novas e a memória oral dos sobreviventes permitem superar a leitura moldada por Os Sertões. As datas lidas são 1893 para a fundação e outubro de 1897 para o fim; o começo das expedições militares não foi confirmado. (Oliveira 2026; Rozeaux 2023)
Fontes
- Rozeaux, S. (2023). "Habiter Belo Monte, éphémère communauté chrétienne dans le sertão de Canudos (Brésil, 1893-1897)". L'Ordinaire des Amériques 231. DOI 10.4000/orda.9751. Acessar
- Oliveira, M. R. da C. (2026). "Sociologia política da guerra camponesa de Canudos: da destruição do Belo Monte ao aparecimento do MST". Revista da ANPEGE 22 (48). DOI 10.5418/ra2026.v22i48.21079. Acessar
- Cunha, E. da (1905). Os Sertões (Campanha de Canudos). 3. ed. corrigida. Rio de Janeiro; São Paulo: Laemmert & C. Domínio público. Texto integral em archive.org, identificador baixar-brasiliana-usp_202510.
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