Revolta da Vacina (Rio de Janeiro, 1904)
10–16 nov. 1904 (Gomes Junior e Silva 2020, a partir de Sevcenko) · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Entre 10 e 16 de novembro de 1904, trabalhadores e moradores pobres do Rio de Janeiro, em sua maioria negros, protestaram contra a vacinação obrigatória contra a varíola e as reformas urbanas do governo. Exército e Marinha cercaram a cidade; o número de mortos nunca foi calculado.
A cidade reformada e a campanha sanitária
Segundo Gomes Junior e Silva (2020), a gestão do prefeito Pereira Passos, no governo Rodrigues Alves, remodelou o Rio para lhe dar um "ar europeu": demoliu casarões e cortiços do centro (o "bota-abaixo"), instalou guardas sanitários e pagou recompensas pela captura de ratos. O médico Oswaldo Cruz, recém-chegado de um curso no Instituto Pasteur, montou uma brigada de 1.500 homens e aplicou o modelo campanhista na saúde, com medidas duras contra a febre amarela que a oposição e a população criticaram. (Gomes Junior e Silva 2020)
Os dias de novembro
O projeto de lei que tornava a vacinação contra a varíola obrigatória, mesmo contra a vontade das pessoas, e restringia direitos de quem não tivesse comprovante, chegou ao público pela imprensa em 9 de novembro de 1904. A oposição acusou o governo de violar direitos individuais e a Constituição. Entre 10 e 16 de novembro, a população tomou as ruas em ações chamadas de "turbas"; em 15 de novembro, navios da Marinha cercaram a cidade, e o Exército também interveio. Gomes Junior e Silva (2020) registram que até hoje não se sabe quantas pessoas morreram. (Gomes Junior e Silva 2020)
Quem se revoltou e por quê
Para Gomes Junior e Silva (2020), os trabalhadores cariocas de 1904 eram em sua maioria negros, pobres e egressos da escravização. Retomando Pereira (2002), os autores lembram que a religiosidade de matriz africana, presente nos terreiros frequentados por trabalhadores de várias origens, via a doença como algo também sobrenatural: a varíola era associada a Obaluaiê, e a intervenção médica podia parecer ilegítima. Dirigentes de sociedades operárias, em boa parte imigrantes europeus, também se opunham ao governo. Needell (1987) acrescenta que a revolta se ligou a uma conjuntura política em que houve uma tentativa de golpe militar. (Gomes Junior e Silva 2020; Needell 1987)
Fontes
- Gomes Junior, J.; Silva, J. P. S. da (2020). "Exclusão social em tempos de epidemia: raça, classe e cidadania durante a Revolta da Vacina (Rio de Janeiro, 1904)". Revista Rural & Urbano 5(2). DOI 10.51359/2525-6092.2020.247544. Acessar
- Needell, J. D. (1987). "The Revolta Contra Vacina of 1904: The Revolt Against “Modernization” in Belle-Époque Rio de Janeiro". Hispanic American Historical Review 67(2): 233–269. DOI 10.1215/00182168-67.2.233. Acessar
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