Semana de Arte Moderna (1922)
13 a 18 fev. 1922 (exposição); espetáculos em 13, 15 e 17 (Nascimento) · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Evento realizado em fevereiro de 1922 no Theatro Municipal de São Paulo, com dança, música, teatro, literatura, artes visuais e arquitetura. Apresentou ao público burguês correntes europeias de vanguarda e reuniu nomes que marcariam o modernismo brasileiro, com papel relevante de mulheres, segundo Wells.
Antes da Semana: Anita Malfatti e 1917
Evando Nascimento descreve a Semana como o marco de ruptura de um movimento que teve na exposição de pintura de Anita Malfatti, em 1917, um de seus marcos iniciais. Segundo ele, Anita voltava de estudos na Alemanha e nos Estados Unidos, e sua mostra, em cartaz de dezembro de 1917 a janeiro de 1918, foi repudiada de várias maneiras, com críticas como a de Monteiro Lobato, que defendia uma estética acadêmica de reprodução da natureza. Apenas Oswald de Andrade escreveu em sua defesa, e Mário de Andrade visitou a exposição mais de uma vez. Para o autor, foi nesse episódio que dois valores opostos se confrontaram publicamente no Brasil. (Nascimento 2015)
O evento de fevereiro de 1922
Nascimento relata que, segundo Mário de Andrade, a ideia da Semana partiu de Di Cavalcanti, atribuição que outros dão a Graça Aranha, e que a proposta era associar ao Centenário da Independência o marco de uma independência da cultura brasileira, sob inspiração das vanguardas europeias. O Estado de S. Paulo a anunciou em 29 de janeiro de 1922. O autor descreve uma exposição de pintura de 13 a 18 de fevereiro e três espetáculos, nos dias 13, 15 e 17, com conferências, poesia, dança e música, e diz que a noite de 15 foi a de maior confusão, realizada sob vaias. A introdução do próprio artigo traz 15, 17 e 19, mas o corpo do texto, que cita o anúncio do jornal, dá 13, 15 e 17. (Nascimento 2015)
Quem fez a Semana: elites paulistas e modernização
Nascimento cita Sérgio Miceli, para quem a proximidade social dos modernistas com os círculos intelectualizados da oligarquia paulista foi a condição que lhes permitiu inovar; o próprio Nascimento vê nisso um esforço da oligarquia rural, ainda politicamente dominante, para manter sua posição. Ele descreve São Paulo, nas primeiras décadas do século XX, como cidade em transformação, com imigração europeia, industrialização incipiente, burguesia industrial, proletariado e classes médias. Menezes acrescenta que os modernistas paulistas eram apoiados pela aristocracia cafeeira, e muitos vinham desse grupo social. (Nascimento 2015; Menezes 2013)
Debate: Rio, Recife e o primitivismo
Menezes discute como a hegemonia paulistana da Semana ofuscou outras práticas modernistas. Segundo ele, autoras como Monica Velloso e Angela de Castro Gomes veem no Rio de Janeiro uma intelectualidade marginal, de boêmios e humoristas sem espaço nas academias, e em Recife o movimento regionalista de Gilberto Freyre, voltado ao passado do Nordeste. Nascimento, por sua vez, examina o chamado primitivismo: para ele, o que o europeu via como primitivo corresponde, no Brasil, aos elementos populares das culturas indígenas e africanas, e o Manifesto Antropófago (1928) de Oswald de Andrade fez desse elemento um valor próprio. Wells, em resumo de enciclopédia, destaca o papel relevante de mulheres. (Menezes 2013; Nascimento 2015; Wells)
Fontes
- Wells, S. A. (s.d.). "Semana da Arte Moderna de 1922 [Modern Art Week, São Paulo 1922]". Routledge Encyclopedia of Modernism. Routledge. DOI 10.4324/9781135000356-rem197-1. Acessar
- Nascimento, E. (2015). "A Semana de Arte Moderna de 1922 e o Modernismo Brasileiro: atualização cultural e 'primitivismo' artístico". Gragoatá 20 (39): 376–391. DOI 10.22409/gragoata.v20i39.33354. Acessar
- Menezes, J. L. da S. (2013). "Modernismo brasileiro: muito além da Semana de Arte Moderna de 1922". Dialogia 16: 167–184. DOI 10.5585/dialogia.n16.3978. Acessar
Na mesma região
- Carolina Maria de Jesus 14 mar. 1914 – 13 fev. 1977 (Savério Rocha 2023; ela própria duvida de 1914 no Diário de Bitita)
- Era Vargas no Brasil (1930-1945): leituras 3 nov. 1930 (início do Governo Provisório; Wikidata P580) a 29 out. 1945 (deposição de Vargas; Wikidata P582 e FGV CPDOC)
- Revolta da Chibata 22–26 nov. 1910 (Wikidata)
- Revolta da Vacina (Rio de Janeiro, 1904) 10–16 nov. 1904 (Gomes Junior e Silva 2020, a partir de Sevcenko)
- Chico Mendes 15 dez. 1944 – 22 dez. 1988 (Wikidata; Castelo 2014 confere o assassinato)
- Guerra de Canudos e a comunidade de Belo Monte 1893 (fundação de Belo Monte) a out. 1897 (destruição)