Atlas da História

Caverna de Chiquihuite

possivelmente desde 33–31 mil anos atrás (Ardelean et al. 2020); contestado · Mesoamérica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Caverna de grande altitude em Zacatecas, no centro-norte do México, onde foram escavadas cerca de 1.900 peças de pedra numa sequência de 3 m, com mais de 50 datações. Ardelean et al. (2020) veem ali presença humana no Último Máximo Glacial e talvez desde 33–31 mil anos atrás; Chatters et al. (2022) atribuem as peças a processos naturais.

Uma indústria lítica de calcário verde

Ardelean et al. (2020) lembram que o registro arqueológico mais antigo do México é pouco estudado e que o país ficou por muito tempo à margem das pesquisas sobre os primeiros povoadores, embora já houvesse indícios no noroeste, nos altos de Chiapas, no centro do país e na costa do Caribe. A escavação em Chiquihuite revelou, segundo eles, uma indústria lítica antes desconhecida, que mudou pouco ao longo de milênios, enquanto dados genéticos, paleoambientais e químicos registram as mudanças do ambiente. Num texto de divulgação de 2021, Ardelean resume o achado: mais de mil artefatos de calcário verde, uma indústria simples nunca vista em contextos da Era do Gelo nas Américas, atribuída a uma cultura até então não documentada, de cerca de 28 mil a 12 mil anos atrás, e presença humana de cerca de 32 mil anos. As evidências incluem ferramentas, ossos de animais, restos de plantas, datações e DNA ambiental. (Ardelean et al. 2020; Ardelean 2021)

Artefatos ou pedras partidas pela natureza?

Chatters et al. (2022), um grupo de vinte pesquisadores, reconhecem que os autores de 2020 reuniram uma série extensa de estudos sobre a cronologia, a estratigrafia e o ambiente da caverna. Mas, para eles, esses dados não sustentam o argumento central: que as peças foram feitas por pessoas e formam uma indústria própria. A crítica principal é que a equipe de Ardelean deu pouca atenção à explicação alternativa mais plausível. A desagregação natural da rocha, a queda de blocos do teto e o deslizamento do sedimento da caverna poderiam produzir pedras com aparência de lascas, os chamados geofatos. O grupo compara duas hipóteses, artefatos ou processos naturais, conclui que a segunda tem mais apoio e afirma que Chiquihuite não é evidência dos primeiros americanos. (Chatters et al. 2022)

A réplica e um debate em aberto

A resposta saiu no mesmo número da revista PaleoAmerica. Ardelean et al. (2022) resumem as dúvidas dos críticos em dois pontos: a natureza artificial das peças e a integridade dos contextos geológicos. Os autores rebatem os principais argumentos e, para defender a origem humana, publicam dez exemplos de ferramentas de pedra com descrições completas e fotografias, sobretudo lascas com sinais de uso e de modificação intencional. Em novembro de 2021, depois da crítica, Ardelean manteve no texto de divulgação a leitura de presença humana de cerca de 32 mil anos. As fontes lidas não registram um acordo entre os dois lados: a origem humana das peças continua contestada, e a data mais antiga é a proposta pela equipe que escavou a caverna. (Ardelean et al. 2022; Ardelean 2021)

Fontes

  1. Ardelean, C. F.; Becerra-Valdivia, L.; Pedersen, M. W.; Schwenninger, J.-L. et al. (2020). "Evidence of human occupation in Mexico around the Last Glacial Maximum". Nature 584: 87–92. DOI 10.1038/s41586-020-2509-0. Acessar
  2. Chatters, J. C.; Potter, B. A.; Prentiss, A. M.; Fiedel, S. J. et al. (2022). "Evaluating Claims of Early Human Occupation at Chiquihuite Cave, Mexico". PaleoAmerica 8: 1–16. DOI 10.1080/20555563.2021.1940441. Acessar
  3. Ardelean, C. F.; Pedersen, M. W.; Schwenninger, J.-L.; Arroyo-Cabrales, J. et al. (2022). "Chiquihuite Cave and America’s Hidden Limestone Industries: A Reply to Chatters et al.". PaleoAmerica 8: 17–28. DOI 10.1080/20555563.2021.1985063. Acessar
  4. Ardelean, C. F. (2021). "A ghost population of the Ice Age hidden in a Mexican cave". The Science Breaker, 11/03/2021. DOI 10.25250/thescbr.brk491. Acessar

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