Atlas da História

Caverna de Denisova: denisovanos, neandertais e humanos modernos

c. 250 a 45 mil anos atrás (DNA mais antigo de denisovanos e primeiro DNA de humanos modernos nos sedimentos: Jacobs et al. 2025; Zavala et al. 2021) · Sibéria e Norte da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Caverna nos contrafortes das montanhas do Altai, na Sibéria, localidade-tipo dos denisovanos. É o único sítio conhecido em que há registros de denisovanos, neandertais e humanos modernos, com ossos e DNA nos sedimentos que cobrem cerca de 300 mil anos.

Uma caverna, três câmaras

A caverna fica nos contrafortes do Altai, no sul da Sibéria, e tem três câmaras: Principal, Leste e Sul. As escavações nas duas primeiras renderam seis fósseis de denisovanos, quatro de neandertais e um fragmento de osso do descendente de uma neandertal e de um denisovano (Denisova 11). Segundo Jacobs e colegas, é o único sítio conhecido em que se registram denisovanos, neandertais e humanos modernos. Zavala e colegas descrevem a caverna como localidade-tipo dos denisovanos, grupo arcaico aparentado com os neandertais. (Jacobs et al. 2025; Zavala et al. 2021)

Como se data a sequência

A cronologia usa datação óptica dos sedimentos (92 idades, na síntese de 2025) e radiocarbono em ossos, dentes e carvão com menos de cerca de 50 mil anos (60 idades). Jacobs e colegas construíram uma escala em anos de calendário para os depósitos pleistocênicos e a aplicaram à Câmara Sul, onde fizeram novas escavações com a equipe do Instituto de Arqueologia e Etnografia, em Novosibirsk. Os dados cobrem os últimos 300 mil anos e combinam datas, DNA mitocondrial de sedimentos, artefatos e fauna. (Jacobs et al. 2025)

DNA nos sedimentos: quem veio primeiro

Em 2021, Zavala e colegas recuperaram DNA mitocondrial arcaico de sedimentos e mostraram a ordem de chegada de denisovanos, neandertais e fauna. A síntese de 2025, com 963 amostras de DNA de sedimentos, achou DNA hominíneo em 22% e de fauna em 88%. As camadas mais antigas com DNA denisovano têm cerca de 250 mil anos e os fósseis denisovanos mais antigos, cerca de 200 mil. Os neandertais aparecem logo após 200 mil anos, mas a maior parte de seus vestígios vem de camadas de 150 a 80 mil anos atrás. (Zavala et al. 2021; Jacobs et al. 2025)

Fogo, ferramentas e humanos modernos

Na Câmara Leste, as camadas denisovanas mais antigas (camada 15, cerca de 200 mil anos) trazem vestígios microscópicos de uso do fogo, como fitólitos derretidos e fragmentos de osso queimado, mas não há estruturas de combustão intactas. Os fósseis e o DNA denisovanos mais antigos estão associados a ferramentas de pedra do início do Paleolítico Médio. Segundo os autores, denisovanos e neandertais ocuparam o local repetidamente, possivelmente até depois do início do Paleolítico Superior Inicial, quando o DNA de humanos modernos aparece nos sedimentos, há pelo menos 45 mil anos. (Jacobs et al. 2025; Zavala et al. 2021)

Fontes

  1. Zavala, E. I.; Jacobs, Z.; Vernot, B.; Shunkov, M. V. et al. (2021). "Pleistocene sediment DNA reveals hominin and faunal turnovers at Denisova Cave". Nature 595: 399–403. DOI 10.1038/s41586-021-03675-0. Acessar
  2. Jacobs, Z.; Zavala, E. I.; Li, B.; O’Gorman, K. et al. (2025). "Pleistocene chronology and history of hominins and fauna at Denisova Cave". Nature Communications 16. DOI 10.1038/s41467-025-60140-6. Acessar

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