Ídolo de Shigir
c. 12 mil anos atrás (c. 10.000 a.C.; Terberger et al. 2021) · Sibéria e Norte da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Escultura antropomorfa de madeira achada em 1890 numa turfeira dos Urais, decorada com linhas e ziguezagues geométricos. Datas por AMS a situam perto do início do Holoceno, há cerca de 12 mil anos; para Terberger et al. (2021), é a escultura monumental de madeira mais antiga conhecida, expressão simbólica de caçadores-coletores.
Achado numa mina de ouro em 1890
Segundo Savchenko (2024), o ídolo apareceu em 24 de janeiro de 1890 pelo calendário juliano (5 de fevereiro no gregoriano), na segunda mina de ouro de Kurya, na turfeira de Shigir, no Transurais médio, a 3,2–3,55 m de profundidade, partido em pedaços, junto com colheres de madeira, um remo quebrado e ferramentas de pedra cuja contemporaneidade é duvidosa. Com permissão do dono da mina, o conde A. A. Stenbock-Fermor, foi entregue à Sociedade Uraliana de Amigos das Ciências Naturais, cujo museu é hoje o Museu Regional de Sverdlovsk, e registrado em 30 de outubro de 1890. A reconstituição de Tolmachev, de 1914, passava de 5,3 m de altura. Um fragmento inferior de 195 cm se perdeu, e a dragagem de ouro destruiu o local do achado no séc. XX. (Savchenko 2024)
Três rodadas de datação e uma controvérsia
Em 1997, três datas convencionais por radiocarbono deram c. 8200–7500 a.C. Em 2014, sete datas AMS feitas em anéis da madeira formaram três grupos, segundo Savchenko (2024): duas mais recentes, c. 7000–6600 a.C., provavelmente contaminadas pela cera usada na conservação; três entre o Pré-Boreal e o início do Boreal, c. 9000–8000 a.C.; e duas do Dryas Recente, c. 10.500–10.000 a.C. A autora relata que Terberger et al. (2021) põem a escultura no fim do Dryas Recente, c. 10.100 a.C., e considera essa conclusão pouco fundamentada, por se apoiar em turfa das fissuras; ela prefere o Pré-Boreal, há cerca de 11 mil anos. Em sentido oposto, N. M. Chairkina (2021) e E. A. Kashina (2022) defendem idades bem mais recentes, a segunda por critérios de estilo. (Savchenko 2024)
Um lariço recém-cortado, de pé por décadas
A dendrocronologia indicou um tronco de lariço recém-abatido, com cerca de 159 anos e crescimento lento, em média 2,49 mm por ano, sinal de clima duro. A análise de marcas de uso citada por Savchenko (2024) mostra que a peça foi entalhada com enxós e formões de pedra polida e acabada com abrasivos. Para a autora, o ídolo ficou de pé sobre uma base firme, talvez uma laje, sem ser enterrado, e permaneceu ao ar livre por 20 a 40 anos, tempo em que se abriu a primeira geração de fissuras. Depois caiu em água rasa, com menos de 1 m, onde afundou e foi coberto pela turfa. O santuário ficaria na margem do antigo lago, talvez numa ilha ou no sopé da colina Skvortsov. (Savchenko 2024)
Oito personagens sem paralelo próximo
O corpo em forma de tábua traz oito personagens, e Savchenko (2024) não vê analogias próximas na zona florestal do norte da Eurásia. Segundo ela, só o sudeste da Anatólia, com Göbekli Tepe e Nevalı Çori e estelas de até 4 m, tem escultura antropomorfa monumental do início do Holoceno. A personagem feminina de número 7 lembraria o painel vermelho da caverna Ignatievskaya, nos Urais. Outras peças de Shigir também têm datas AMS do Mesolítico inicial, como uma cabeça de bastão em chifre de alce e uma ponta de flecha de osso, ambas entre c. 9300 e 8600 a.C. A coleção de Shigir soma 2.243 itens, cerca de 1.500 de osso e 86 de madeira; os ídolos pequenos do mesmo local, porém, foram feitos com ferramentas de ferro. (Savchenko 2024)
Fontes
- Terberger, T.; Zhilin, M.; Savchenko, S. (2021). "The Shigir idol in the context of early art in Eurasia". Quaternary International 573: 14–29. DOI 10.1016/j.quaint.2020.10.025. Acessar
- Zhilin, M.; Savchenko, S.; Hansen, S.; Heussner, K.-U. et al. (2018). "Early art in the Urals: new research on the wooden sculpture from Shigir". Antiquity 92: 334–350. DOI 10.15184/aqy.2018.48. Acessar
- Savchenko, S. N. (2024). "К вопросу об определении возраста Большого Шигирского идола". Camera Praehistorica n. 1(12): 72–93. DOI 10.31250/2658-3828-2024-1-72-93. Acessar
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