Atlas da História

Cultura Okunev

fim do séc. XXVI a.C. – séc. XVII a.C. (Poliakov e Svyatko 2021) · Sibéria e Norte da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Cultura da Idade do Bronze das bacias de Minusinsk, no médio Ienissei. Novas datas de radiocarbono situam seus primeiros sepultamentos no fim do séc. XXVI a.C., com cerca de um século de convivência com a cultura Afanasievo, e o seu fim no séc. XVII a.C. Duas estelas achadas na Cacássia em 2021 trazem uma máscara antropomorfa e a figura de um 'xamã' com máscara animal de três olhos.

Uma cronologia refeita pelo radiocarbono

Poliakov e Svyatko (2021) revisam a primeira cronologia por radiocarbono das culturas de Minusinsk, publicada em 2009. As novas datas aumentaram a série em cerca de um quarto, e medições AMS feitas no Altai mostraram que algumas datas anteriores eram velhas demais. No esquema revisto, a cultura Afanasievo ocupa os séculos XXX a XXV a.C.; o intervalo antes suposto entre o fim de Okunev e Andronovo deixa de existir; Andronovo, na variante Fedorovo, fica entre os séculos XVII e XV a.C.; a cultura Karasuk, do Bronze Final, começa no fim do séc. XV a.C.; e a Idade do Bronze local termina no fim do séc. IX a.C. (Poliakov e Svyatko 2021)

Estelas reaproveitadas em túmulos tagar

As duas estelas de 2021 vieram de escavações de salvamento no distrito de Askiz, na Cacássia, e tinham sido reutilizadas em cercados funerários da cultura Tagar, bem posterior. Uma é uma laje de arenito devoniano do monte 1 de Skalnaya-6, com uma máscara antropomorfa; a outra, de arenito vermelho, do monte 5 de Uitag-3, mostra de perfil uma figura masculina com máscara animal de três olhos e toucado alto, que Bogdanov (2023) chama de xamã. As duas foram feitas por picoteamento e atribuídas ao horizonte inicial de Okunev. Para o autor, a segunda é a representação realista de máscara de data mais recuada conhecida. (Bogdanov 2023)

Que língua falavam? A hipótese dene-caucasiana

Kozintsev (2023) propõe que o povo de Okunev falava uma língua dene-caucasiana do ramo ienisseiano. Suas evidências são indiretas: laços genéticos e culturais entre os ancestrais de Okunev e povos nativos da América, paralelos da arte de Okunev na China antiga e na costa noroeste da América do Norte e petróglifos de tipo Okunev no norte da Caxemira, onde sobrevive o burushaski, que o autor liga ao ienisseiano. Nessa leitura, os okunevianos seriam talvez ancestrais dos ienisseianos, título disputado com a cultura Karasuk, e parentes colaterais dos falantes de línguas na-dene e sino-tibetanas. Ele julga menos provável uma filiação urálica e muito improvável uma indo-iraniana, que lhe parece mais plausível para o povo Chaa-Khol de Tuva. É a hipótese de um autor, não um consenso. (Kozintsev 2023)

Fontes

  1. Poliakov, A. V.; Svyatko, S. (2021). "Modern Data on the Bronze Age Radiocarbon Chronology in the Minusinsk Basins". Vestnik of Saint Petersburg University. History 66: 934–949. DOI 10.21638/11701/spbu02.2021.314. Acessar
  2. Bogdanov, E. S. (2023). "Okunev Statues at Mount Uitag, Khakassia". Archaeology, Ethnology & Anthropology of Eurasia 50: 49–57. DOI 10.17746/1563-0110.2022.50.4.049-057. Acessar
  3. Kozintsev, A. G. (2023). "Okunev Culture and the Dene-Caucasian Macrofamily". Archaeology, Ethnology & Anthropology of Eurasia 51(2): 66–73. DOI 10.17746/1563-0110.2023.51.2.066-073. Acessar

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