Caverna de Xianrendong
c. 20 mil a 19 mil anos atrás (Wu et al. 2012) · Leste Asiático
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Na caverna de Xianrendong, no condado de Wannian (Jiangxi, China), cacos de cerâmica saem de camadas datadas de 20 mil a 19 mil anos atrás. Para Wu et al. (2012), são recipientes de caçadores-coletores móveis do Último Máximo Glacial, talvez usados para cozinhar, feitos uns dez milênios antes da agricultura.
Uma caverna numa bacia de calcário
Xianrendong fica no sopé de uma montanha, no lado norte da bacia de Dayuan, no nordeste de Jiangxi, um vale de c. 4 km de leste a oeste e 1 km de norte a sul cercado por montanhas de calcário. A 800 m ao sul, num morro, está o abrigo rochoso de Diaotonghuan, estudado junto com a caverna. Nos anos 1960 escavaram-se 69 m² na entrada. Em 1993 e 1995, a Universidade de Pequim, o Instituto de Arqueologia de Jiangxi e a Fundação Andover voltaram ao sítio num projeto sino-americano sobre as origens do arroz, descrito por Zhang (1999). (Zhang 1999)
Vasilhas de placas e de roletes
A cerâmica do início da sequência, que Zhang (1999) chama de "Xian Slab Ware", tem muito quartzo grosso como antiplástico e queima fraca; era montada com placas retangulares sobrepostas em fileiras, formando vasos em U, com bordas entalhadas e pontos impressos. Mais tarde aparece a "Xian Coiled Ware", feita com roletes e batida com uma pá envolta em cordas. Os ocupantes usavam ferramentas de osso, chifre e concha e caçavam cervos, porcos e aves. (Zhang 1999)
Arroz silvestre e datas sem calibrar
Os fitólitos, microfósseis de sílica das plantas, mostram arroz silvestre nas camadas do Paleolítico final e, nas do início do Neolítico, arroz silvestre junto com algum arroz domesticado, numa proporção crescente que Zhang (1999) leu como início do cultivo. Das 12 amostras datadas por radiocarbono, a data mais recuada foi de 19.770 ± 360 anos e a maioria ficou entre 17.640 ± 60 e 12.430 ± 80 anos, sem calibração. O autor tratava o intervalo de 16 mil a 10 mil anos como transição do Paleolítico para o Neolítico, chamava as camadas com cerâmica de Neolítico Inicial e propunha uma "cultura Xianrendong", com cerca de 20 cavernas ao longo da serra de Nanling. (Zhang 1999)
Uma invenção em vários lugares
As novas datas de Wu et al. (2012) põem os cacos de Xianrendong c. 20 mil anos atrás, quando se pensava que a cerâmica inicial da China e do Japão tinha c. 18 mil anos. Rotunno e Crema (2025) situam o surgimento da cerâmica no Leste Asiático entre 20 mil e 12 mil anos atrás, com Xianrendong como marco, e registram cerâmicas precoces semelhantes em outros pontos da China, na Rússia e no Japão, entre 17 mil e 15 mil anos atrás. Para eles, a técnica surgiu de forma independente em várias regiões, primeiro entre caçadores-coletores e antes das economias produtoras de alimentos; na África, aparece só no fim do 12º milênio antes do presente, no Saara. (Wu et al. 2012; Rotunno e Crema 2025)
Fontes
- Wu, X.; Zhang, C.; Goldberg, P.; Cohen, D. et al. (2012). "Early Pottery at 20,000 Years Ago in Xianrendong Cave, China". Science 336: 1696–1700. DOI 10.1126/science.1218643. Acessar
- Zhang, C. (1999). "The excavations at Xianrendong and Diaotonghuan, Jiangxi". Bulletin of the Indo-Pacific Prehistory Association 18: 97–100. DOI 10.7152/bippa.v18i0.11703. Acessar
- Rotunno, R.; Crema, E. R. (2025). "Bayesian analyses of radiocarbon dates suggest multiple origins of ceramic technology in Early Holocene Africa". Nature Communications 16. DOI 10.1038/s41467-025-63887-0. Acessar
Na mesma região
- Amido de painço em pedras de moer e em cerâmica de Nanzhuangtou e Donghulin (planície do norte da China): processamento de cereais, c. 11.500–9.500 cal AP 11,5–11,0 mil anos cal. AP em Nanzhuangtou e 11,0–9,5 mil anos cal. AP em Donghulin (c. 9550 a 7500 a.C.)
- Cultura de Cishan c. 10.300 a 7500 anos cal. AP, isto é, c. 8350 a 5550 a.C.; em ano astronômico, −8350 a −5550 (início em debate)
- Donghulin M2 (Mentougou, Pequim): esqueleto flexionado de c. 7250 a.C., com genoma de cobertura de 2,2× e a variante EGLN1 de adaptação à altitude c. 9200 anos AP ("∼9200 yr B.P.", Yang et al. 2026), isto é, c. 7250 a.C. (ano astronômico −7250). O texto lido dá a data arredondada, sem a faixa calibrada; a conversão é 1950 − 9200
- Secagem de corpos sobre o fogo antes do enterro, em Huiyaotian (Nanning, Guangxi): concheiro de caçadores-coletores com 169 sepultamentos, c. 7080 a.C. Datação direta de um dente de Huiyaotian (Beta-429237) em 9030–8975 cal. AP, segundo Hung et al. (2025), isto é, 7080–7025 a.C. (ano astronômico −7080 a −7025). É a única data direta do cemitério no texto lido; o registro vai do início ao fim dessa faixa, e a duração real do cemitério é desconhecida. A prática é atestada em outros sítios, mais antigos, citados no artigo
- Cultura de Peiligang c. 9000–7000 anos cal. AP (Zhang e outros 2012), isto é, c. 7050–5050 a.C.; em ano astronômico, −7050 a −5050
- Jiahu c. 7000–5700 a.C.