Atlas da História

Caverna de Yafteh

c. 35,5 mil anos atrás, radiocarbono não calibrado (Otte et al. 2007) · Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Caverna dos montes Zagros, no Lorestão (Irã), com uma sequência aurignaciana intacta de mais de 2 m, do Paleolítico Superior. As camadas deram c. 35,5 mil anos antes do presente em radiocarbono não calibrado; o sítio, sondado por Hole e Flannery nos anos 1960, recebeu novas pesquisas publicadas por Otte et al. (2007).

Altitude, posição e a sondagem de 2005

A caverna fica a c. 1.280 m de altitude, cerca de 14 km a oés-noroeste de Khorramabad, na província do Lorestão (Hashemi et al. 2006). A primeira escavação de Hole e Flannery aparece datada de 1965 em Hashemi et al. e de 1960 em Izadyari e Jayez (2024), divergência que fica registrada. Em 2005, uma equipe irano-belga voltou ao sítio e abriu uma sondagem de apenas 2 × 2 m, que rendeu grande quantidade de peças de pedra lascada, ossos de animais e outros achados. Hashemi et al. descrevem a indústria como de tipo aurignaciano e, com as datações radiométricas então recentes, situam os depósitos escavados entre c. 35 mil e 24 mil anos atrás, sem dizer se os valores são calibrados. A peça datada mais recente, um fragmento de argila cozida com sulcos, deu c. 24,5 mil anos, segundo Izadyari e Jayez. Como a datação mais antiga do resumo, essas faixas vêm de radiocarbono e dependem da forma de cálculo; a conversão para anos calendáricos não foi conferida. (Hashemi et al. 2006; Izadyari e Jayez 2024)

Dentes de cervo, conchas e ocre

Izadyari e Jayez (2024), arqueólogas da Universidade de Teerã, reúnem os objetos de adorno de Yafteh a partir dos relatórios de Sonia Shidrang e de Otte et al. (2007). A sondagem de 2005 deu dois caninos de cervo-vermelho perfurados, duas conchas marinhas perfuradas e manchas esparsas de ocre, cuja distribuição não pôde ser mapeada por causa do tamanho reduzido do corte; a prancha que elas reproduzem mostra ainda um fragmento perfurado de argila cozida e um pingente de hematita. Pelas datas de radiocarbono feitas no laboratório Beta Analytic, todos esses adornos, menos a peça de argila sulcada, ficam entre c. 35,5 mil e 33,4 mil anos atrás, valores que as autoras não dizem se são calibrados. No quadro iraniano que elas montam, Yafteh aparece ao lado de Ghar-e Boof, em Fars, onde as escavações de 2011 e 2015 deram dezenas de conchas perfuradas, e das cavernas de Komishan, Kamarband e Ali Tappeh, junto ao mar Cáspio, cujos adornos já pertencem ao Mesolítico. (Izadyari e Jayez 2024)

Adornos e a origem da capacidade simbólica

As autoras usam esses adornos para testar três modelos sobre a origem da capacidade simbólica humana. No modelo da “revolução humana”, ornamentos e arte teriam surgido de repente, c. 50 mil anos atrás; os achados iranianos, que vão de c. 43 mil a 10 mil anos atrás, coincidem com a chegada do Homo sapiens à região e, lidos por esse modelo, pareceriam confirmá-lo. Izadyari e Jayez preferem o modelo de evolução cumulativa, formulado a partir de achados africanos mais antigos: a capacidade já existiria antes da saída da África e teria se expressado de formas diferentes conforme as condições e as necessidades de cada grupo. O terceiro modelo, que atribui adornos também aos neandertais, não encontra apoio no Irã, onde até agora não há adornos associados a eles. A conclusão das autoras é que a falta de objetos simbólicos num sítio não prova falta de capacidade; trata-se de uma posição interpretativa dentro de um debate aberto, não de consenso. (Izadyari e Jayez 2024)

Roedores e aves de rapina

Os dentes e ossos de pequenos mamíferos da sondagem de 2005, recolhidos com peneiramento a seco sistemático, foram estudados por Hashemi et al. (2006), da Universidade Ferdowsi de Mashhad, com a arqueozoóloga Marjan Mashkour (CNRS) e Fereidoun Biglari, do Museu Nacional do Irã. Na tabela dos autores, Yafteh tem gerbilos do gênero Meriones, rato-d’água (Arvicola), rato-toupeira (Ellobius cf. lutescens), arganazes dos gêneros Microtus e Chionomys, Calomyscus e o jerboa Allactaga williamsi. As preferências atuais dessas espécies vão das margens de rios e da vegetação pantanosa, no caso do rato-d’água, aos campos secos e semidesertos, no do rato-toupeira. Os autores lembram, porém, que a distribuição desses animais depende tanto do ambiente quanto da predação, e não tiram deles uma reconstrução climática fechada. Imagens de microscópio eletrônico mostraram marcas de digestão em fêmures e ulnas de Yafteh, sinal de que os restos foram provavelmente acumulados por aves de rapina, talvez corujas como o bufo-real e a suindara. (Hashemi et al. 2006)

Fontes

  1. Otte, M.; Biglari, F.; Flas, D.; Shidrang, S. et al. (2007). "The Aurignacian in the Zagros region: new research at Yafteh Cave, Lorestan, Iran". Antiquity 81(311): 82–96. DOI 10.1017/s0003598x00094850. Acessar
  2. Ghasidian, E.; Heydari-Guran, S.; Mirazón Lahr, M. (2019). "Upper Paleolithic cultural diversity in the Iranian Zagros Mountains and the expansion of modern humans into Eurasia". Journal of Human Evolution 132: 101–118. DOI 10.1016/j.jhevol.2019.04.002. Acessar
  3. Hashemi, N.; Darvish, J.; Mashkour, M.; Biglari, F. (2006). "Rodents and Lagomorphs remains from late Pleistocene and early Holocene Caves and Rochshelter sites in the Zagros region, Iran". Iranian Journal of Animal Biosystematics 2(1): 25–33. DOI 10.22067/ijab.v2i0.114. Acessar
  4. Izadyari, T.; Jayez, M. (2024). "The Paleolithic Ornaments of Iran and Evaluating the Main Models Concerning the Origins of Cognitive Capacity in Human Species". Journal of Fine Arts: Visual Arts 29(3): 95–111. DOI 10.22059/jfava.2024.368899.667223. Acessar

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