Selos de carimbo, selagens de argila e fichas de contagem no Irã neolítico (c. 6000–5000 a.C.)
c. 6000–5000 a.C.: Matthews et al. (2025) dizem que o selo de carimbo está atestado no Irã "desde pelo menos c. 6000 a.C." e que os dados do sexto milênio vêm de sítios como Hajji Firuz e Chogha Mish; o artigo não diz se as datas são calibradas · Irã e planalto iraniano
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
No sexto milênio a.C., sítios neolíticos do Irã tinham pequenos objetos de argila modelados em cones, esferas e discos (fichas), argila usada para fechar recipientes e, em Tepe Khaleseh, um selo de carimbo de argila queimada. Segundo Matthews, Richardson, Fazeli Nashli e de Groene (2025), o selo de carimbo está atestado no Irã desde pelo menos c. 6000 a.C., e uma prática material de contagem já existia por essa data. Os autores veem as fichas como objetos de uso variado (contagem, jogo, objeto de sepultamento), não só como contabilidade, e dizem que o Irã teve uma relação mais hesitante e episódica com selagem e escrita do que a Mesopotâmia.
Fichas, selos e selagens: o que são
Matthews e colegas (2025) definem ficha como uma forma modelada de propósito, em geral de argila endurecida ao fogo, mas também de pedra, em cones, esferas, cilindros, discos e bicones, que aparece desde o Neolítico antigo. Os autores situam as primeiras fichas do Irã e do Oriente Próximo em c. 8000 a.C. Selagem, segundo eles, é a peça de argila afixada a um objeto sólido, de um fecho de porta à boca de um pote ou ao pescoço de um saco, que em geral leva a impressão de selo na face externa e a marca do objeto fechado no verso. O artigo reúne cerca de 45.000 objetos de 99 sítios iranianos, de 10.000 a 300 a.C. (Matthews et al. 2025)
Hajji Firuz e Tepe Khaleseh
Segundo o artigo, em Hajji Firuz Tepe, ao sul do lago Urmia, no início do sexto milênio a.C., fichas de argila foram achadas sobretudo em sepultamentos sob o piso de casas de tijolo cru, além de 14 selagens sem impressão de selo, marcadas por juncos, superfícies planas e potes. Para os autores, elas mostram a mudança, no início do sexto milênio, para o maior uso da argila como fecho antes dos selos de carimbo e de cilindro. Em Tepe Khaleseh (Zanjan) havia centenas de fichas, duas selagens com impressão de junco e tecido e um único selo de carimbo de argila queimada, além de um forno de cerâmica e armazenamento de cereais. (Matthews et al. 2025)
Ao longo do sexto milênio
O artigo diz que a argila seguiu como meio preferido para as fichas durante todo o sexto milênio a.C., com formas mais complexas. Em Tepe Guran, no Zagros central, havia 32 fichas simples e duas decoradas. Em Tepe Yahya, nível VII (fim do sexto e começo do quinto milênio), foram achadas 64 fichas de argila e 20 de pedra, em cones e esferas, e só no nível calcolítico V as fichas passaram a ser queimadas de propósito, o que sugere circulação mais longa. Em Chogha Mish, na planície de Susiana, o nível do Susiano Médio (c. 5400–5000 a.C.) trouxe 38 fichas de argila e três selos de carimbo de contexto incerto. (Matthews et al. 2025)
Contagem sem escrita, e um Irã episódico
Matthews e colegas (2025) argumentam que as fichas neolíticas ganharam regularidade de forma e de quantidade e passaram a ser aceitas como representação abstrata de outra coisa, fosse valor numérico, social ou material. O resultado geral do artigo, de 10.000 a 300 a.C., é que as sociedades iranianas tiveram um envolvimento mais hesitante e episódico com selagem e escrita do que as mesopotâmicas; os autores dizem que essas diferenças podem depender da fragilidade dos sistemas agrícolas que sustentavam as sociedades iranianas desde o Neolítico. Essa é a conclusão do artigo para os 9.000 anos que ele cobre, não uma conclusão sobre o sexto milênio em particular. (Matthews et al. 2025)
Fontes
- Matthews, Roger; Richardson, Amy; Fazeli Nashli, Hassan; de Groene, Donna (2025). "Information Revolutions and Information Transitions: Counting, Sealing, Writing in Iran 10,000–300 BC". Journal of Ancient Near Eastern History 12(2): 215–305. DOI 10.1515/janeh-2024-0027 (resolve em doi.org). Texto completo baixado pela API do Europe PMC, PMC12645803, em 29/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Escrita proto-elamita: contabilidade em argila em Susa e no planalto iraniano, em grande parte indecifrada (c. 3100–2900 a.C.) c. 3100–2900 a.C., segundo Englund (2001); o Wikidata dá 3500–2000 a.C. para o item da escrita
- Chogha Golan c. 11,8–9,6 mil anos atrás (Riehl et al. 2015)
- Persépolis c. 510 a.C. a 330 a.C. (Wikidata)
- Patroclo: general e geógrafo de Seleuco I e Antíoco I e o mar Cáspio como golfo do oceano c. 345 – c. 270 a.C. (Wikidata); Estrabão o situa sob os reis Seleuco Nicátor e Antíoco Sóter, sem dar datas
- Arsaces e a origem do reino parta (c. 247 a.C.): o que contam Estrabão e os ostracos de Nisa A partir de c. 247 a.C., começo do reinado de Arsaces I, que as fontes lidas dão até 217 a.C. (Wolski, na tabela de Mohammadi Nosudi e Tamari) ou 211 a.C. (Livius); o Livius narra a conquista parta da Pártia em 238–235 a.C.
- Canais subterrâneos do deserto entre a Média e a Pártia (qanats), segundo Políbio c. 210 a.C. (testemunho de Políbio sobre a campanha de Antíoco III, que uma nota do tradutor data entre 212 e 205 a.C.); a construção dos canais é anterior e sem data