Atlas da História

Chogha Golan

c. 11,8–9,6 mil anos atrás (Riehl et al. 2015) · Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Sítio do Neolítico acerâmico no sopé dos montes Zagros (província de Ilam, Irã), ocupado por cerca de 2 mil anos desde o fim do Dryas Recente. Os moradores cultivaram cevada, lentilha e ervilha silvestres; o emmer de tipo domesticado surge c. 9,8 mil anos atrás, e pequenas flutuações climáticas podem ter afetado os recursos depois de c. 10,2 mil anos atrás.

Um tell de 3 hectares junto ao rio Konjan Cham

O sítio é um tell de cerca de 3 hectares na planície de Amirabad, a uns 30 km ao norte de Mehran, a 200 m do rio Konjan Cham (Riehl et al. 2015; Weide et al. 2018). Foi escavado em 2009 e 2010 pelo Projeto Irano-Tubinguense de Pesquisa da Idade da Pedra (TISARP) e pelo Centro Iraniano de Pesquisa Arqueológica. Quase todo o material vem de uma única sondagem profunda, com área entre 5 m² e 1 m², que atravessou 8 m de depósitos com onze horizontes arqueológicos (XI a I) sobre uma camada geológica. Das 17 datas AMS, as do horizonte XI ficam quase todas entre c. 11,2 mil e 10,6 mil anos atrás calibrados; idades mais altas, como a de c. 11,7 mil anos da camada geológica, saem da fração de ácido húmico, que nas mesmas amostras dá resultados mais antigos que a outra fração datada. Paredes de tijolo cru e pisos de reboco surgem no horizonte X, e Weide et al. datam a arquitetura sólida de c. 11 mil a 10,6 mil anos atrás, o que indica moradia permanente por pelo menos mil anos. Hoje a área recebe 100 a 200 mm de chuva por ano. (Riehl et al. 2015; Weide et al. 2018)

Pisos pintados, pilões e figurinhas de argila

Os pisos de reboco eram pintados com ocre e se alternam com depósitos de lixo doméstico (Riehl et al. 2015). A pedra lascada mostra produção sistemática de lamelas, pouca variedade de ferramentas e raras lâminas de foice com marcas de uso; as semelhanças com outros sítios dos Zagros colocam Chogha Golan no grupo da indústria chamada mlefaatiana. Almofarizes, pilões e mós aparecem desde o horizonte X, alguns fixados nos pisos; a maior parte vem do horizonte III em diante, e restos de asfalto e pigmentos mostram que não serviam só para alimentos. A obsidiana surge apenas nos horizontes II e I, em torno de 0,5% do material lascado; em outros sítios da região ela veio do leste da Anatólia. As campanhas de 2009 e 2010 recolheram 62 pequenos objetos de argila, quase todos em cinzas e lixo, não em contextos rituais evidentes; das dez figurinhas de animais, a maioria (ovelha ou cabra, boi, porco) está nos dois horizontes mais recentes. (Riehl et al. 2015)

Caça, peixe, lenha e isótopos da cevada

A fauna estudada até 2015, cerca de um quarto do material da sondagem, soma mais de 5.800 fragmentos, 1.620 identificáveis (Riehl et al. 2015). Ungulados dominam (ovelha ou cabra, gazela, porco, cervo-vermelho e boi), seguidos de peixes; aparecem também tartaruga-terrestre, ouriço-cacheiro, raposa e lince. As gazelas crescem nos horizontes V e IV, e o peso dos ossos de boi aumenta no horizonte II. O carvão indica duas fontes de lenha: um bosque seco de pistacheiro e amendoeira e a vegetação de beira-rio, com salgueiros e tamargueiras; o pistacheiro chega a 90% do carvão no horizonte I. O primeiro uso seguro de esterco como combustível está num piso do horizonte III. As razões de isótopos de carbono em 159 grãos de cevada silvestre não mostram, em média, estresse hídrico forte; o sinal de seca moderada aparece nos horizontes XI, VI e III. Os autores lembram que tudo vem de uma área de 1 m² e discutem se as mudanças refletem a economia do sítio ou só os limites da escavação. (Riehl et al. 2015)

Cultivo ou coleta? A revisão de 2018

Weide et al. (2018), com Riehl entre os autores, analisaram 23 novas amostras dos horizontes VII a III, com cerca de 23.500 restos de 81 táxons. O dado novo foi o peso de gramíneas silvestres de grão médio e grande, como aveia, bromo, Eremopyrum, cevadas silvestres não ancestrais das cultivadas e Taeniatherum, mais abundantes que os grãos dos ancestrais dos cereais. A equipe havia proposto que a cevada silvestre, e talvez a Aegilops, eram semeadas antes da domesticação; agora se diz cautelosa. Diferentemente dos sítios do alto Eufrates, onde os cereais silvestres foram aos poucos substituindo outras plantas coletadas, em Chogha Golan a exploração de muitas gramíneas ficou constante. Como o conjunto se parece com as manchas naturais atuais dessas espécies, os autores levantam a hipótese de colheita em populações naturais, não em campos semeados. Raques de cevada de tipo domesticado chegam no máximo a 3,6% no horizonte VII, proporção típica de população cujas espigas ainda se desfaziam sozinhas; só o emmer dos horizontes II e I é domesticado sem dúvida. (Weide et al. 2018)

Fontes

  1. Riehl, S.; Zeidi, M.; Conard, N. J. (2013). "Emergence of Agriculture in the Foothills of the Zagros Mountains of Iran". Science 341(6141): 65–67. DOI 10.1126/science.1236743. Acessar
  2. Riehl, S.; Asouti, E.; Karakaya, D.; Starkovich, B. M. et al. (2015). "Resilience at the Transition to Agriculture: The Long-Term Landscape and Resource Development at the Aceramic Neolithic Tell Site of Chogha Golan (Iran)". BioMed Research International 2015: 1–22. DOI 10.1155/2015/532481. Acessar
  3. Weide, A.; Riehl, S.; Zeidi, M.; Conard, N. J. (2018). "A systematic review of wild grass exploitation in relation to emerging cereal cultivation throughout the Epipalaeolithic and aceramic Neolithic of the Fertile Crescent". PLoS ONE 13(1): e0189811. DOI 10.1371/journal.pone.0189811. Acessar

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