Caverna Fa-Hien Lena
c. 48 mil a 4 mil anos atrás (Wedage et al. 2019) · Sul da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Na caverna Fa-Hien Lena, na zona úmida do Sri Lanka, a cerca de 75 km de Colombo, camadas de c. 48 mil a 34 mil anos atrás mostram Homo sapiens caçando sobretudo macacos e esquilos das árvores da floresta tropical. Segundo Wedage et al. (2019), essa caça especializada vinha com ferramentas de osso e micrólitos, e a caverna foi usada até c. 4 mil anos atrás.
Quatro fases de ocupação
Wedage et al. (2019) dividem as datas da caverna em quatro fases. A fase D, do Pleistoceno final, vai de c. 48 mil a 34 mil anos atrás e reúne vários episódios, talvez curtos, de ocupação; a C fica entre 13 mil e 12 mil anos atrás; a B, entre 8,7 mil e 8 mil; e a A, entre 6 mil e 4 mil. Uma data isolada, de c. 29 mil a 28 mil anos atrás, pode indicar uma passagem breve. O preenchimento tem c. 170 cm de sedimentos, e um desabamento do teto ajudou a selar e preservar boa parte da fase D. Em escavações de 1986 apareceram restos de uma criança de 5,5 a 6,5 anos, de pelo menos dois bebês e de uma jovem adulta, associados a carvão de c. 30,6 mil anos de radiocarbono. Para os autores, são os fósseis de Homo sapiens mais antigos do Sri Lanka e do sul da Ásia. (Wedage et al. 2019)
Macacos e esquilos como presa principal
Dos 14.485 fragmentos de ossos e dentes analisados, mais da metade foi identificada. Pequenos mamíferos, com menos de 25 kg, passam de 90% dos restos desde a primeira fase, e macacos e esquilos arborícolas somam mais de 70%. Aparecem as três espécies de macacos que vivem hoje na ilha: o macaco-de-toque e dois langures. Os perfis de idade mostram preferência por adultos no auge da vida, o que aponta para caça dirigida, e não para armadilhas, que capturam animais de todas as idades. Marcas de corte em ossos de esquilo, lontra e civeta mostram desarticulação e descarne. Para Wedage et al. (2019), um foco tão constante em presas arborícolas, por mais de 40 mil anos e sem sinal de escassez de recursos, quase não tem paralelo entre caçadores atuais da floresta tropical. (Wedage et al. 2019)
Pontas de osso e arco e flecha
As ferramentas eram feitas no próprio sítio, com ossos dos macacos abatidos. Langley et al. (2020) identificaram 130 peças de osso compatíveis com pontas de projétil, com entalhes para fixação a uma haste fina e fraturas de impacto. Pequenas e leves demais para lanças e inadequadas como dardos de zarabatana, elas indicariam, para os autores, o uso de arco e flecha desde c. 48 mil a 34 mil anos atrás, que eles apresentam como o uso mais antigo dessa técnica fora da África. Pontas menores, sem sinais de fixação, podem ter servido para pescar bagres e carpas, presentes em todas as fases, ou como farpas de armadilhas. O tamanho das pontas cresce aos poucos da fase D à A, junto com o aumento da caça de porcos, cervos e bovinos. (Langley et al. 2020; Wedage et al. 2019)
Contas, ocre e trabalho com peles
Outras 29 ferramentas de osso, como furadores, cunhas e alisadores, indicam trabalho com peles e fibras vegetais; Langley et al. (2020) sugerem roupas ou redes, talvez como proteção contra doenças transmitidas por insetos, hipótese deles. Uma peça elíptica de osso com entalhes regulares, da fase A, pode ter sido medidor para fazer redes. Três contas de concha marinha, muito gastas pelo uso, indicam idas ao litoral ou trocas com grupos costeiros. Há ainda três contas feitas inteiramente de nódulos de ocre vermelho, perfuradas e polidas pelo contato com a pele, que os autores dizem não conhecer em nenhum outro contexto do Pleistoceno ou do início do Holoceno. Os 136 fragmentos de corantes, sobretudo mica prateada, mas também vermelhos e amarelos, foram raspados para obter pó. (Langley et al. 2020)
Fontes
- Wedage, O.; Amano, N.; Langley, M. C.; Douka, K. et al. (2019). "Specialized rainforest hunting by Homo sapiens ~45,000 years ago". Nature Communications 10. DOI 10.1038/s41467-019-08623-1. Acessar
- Langley, M. C.; Amano, N.; Wedage, O.; Deraniyagala, S. et al. (2020). "Bows and arrows and complex symbolic displays 48,000 years ago in the South Asian tropics". Science Advances 6(24). DOI 10.1126/sciadv.aba3831. Acessar
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