Atlas da História

Mehrgarh

c. 7000 a 2600 a.C. (Wikidata); em debate: Mutin e colegas (2025) datam o Período I em c. 5250–4650 a.C., contra c. 8000 a.C. na cronologia de Jarrige · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Sítio neolítico no Baluchistão (Paquistão) com ocupação de vários milênios, do Neolítico ao início da era urbana do Indo. A cronologia de suas fases é discutida desde as primeiras escavações.

Um sítio cortado pelo rio Bolan

A zona arqueológica de Mehrgarh cobre quase 200 hectares no norte da planície de Kachi, a c. 150 m de altitude, onde o vale do Indo encontra a barreira montanhosa do Baluchistão. A primeira campanha da Missão Arqueológica do Indo, no inverno de 1974–75, escavou um pequeno tepe datado por comparação entre 3500 e 2500 a.C.; esse montículo, porém, representa só a última fase do sítio (períodos IV a VII). Ao norte, o rio Bolan cavou um barranco onde aparece em corte um tepe neolítico sem cerâmica, com os flancos enterrados por aluviões. Segundo Jarrige e Lechevallier (1980), a planície chegou ao nível atual por volta de 3000 a.C., e até poucos anos antes boa parte do sítio, hoje salinizado e erodido, ainda era cultivada. (Jarrige e Lechevallier 1980; Mutin et al. 2025)

Da caça à criação de animais

Quando Mehrgarh começou a ser escavado, pensava-se que a agricultura chegara ao Baluchistão com populações vindas do leste do Irã ou do sul do Turcomenistão a partir de 4000 a.C., e que as primeiras aldeias do vale do Indo eram da segunda metade do 4º milênio. Jarrige e Lechevallier (1980) mostraram uma longa sequência neolítica sem cerâmica e calcolítica antes dessas culturas e registraram, nos níveis neolíticos, uma passagem nítida da caça para a criação: a fauna das camadas profundas é toda de animais não domesticados, e nas três camadas neolíticas superiores aparecem os ossos de espécies domésticas. Mutin et al. (2025) lembram que Mehrgarh é o único sítio do noroeste do sul da Ásia com depósitos neolíticos amplamente escavados: o período I, sem cerâmica, e o período II, com cerâmica. (Jarrige e Lechevallier 1980; Mutin et al. 2025)

De 8000 para c. 5200 a.C.

J.-F. Jarrige, diretor das escavações, situou o início do período I por volta de 8000 a.C. e o viu como fruto de um processo local; outros autores defendiam um início em meados ou fins do 6º milênio. Mutin et al. (2025) dataram por radiocarbono o esmalte dentário de 23 sepulturas dos nove níveis do cemitério do período I, em contextos primários e sem perturbação. A modelagem bayesiana indica que o cemitério começou entre 5200 e 4900 a.C. e durou de dois a cinco séculos, e não três milênios. Os autores lembram que a maioria das datas antigas de carvão foi obtida antes da técnica AMS, com grande margem de erro, e que as cinco datas citadas por Jarrige a favor de sua cronologia variam de c. 9200 a 5500 a.C., quase sem sobreposição entre si. (Mutin et al. 2025)

Uma agricultura que veio de fora

Se o período I começa c. 5000 a.C., a agricultura no noroeste do sul da Ásia surge tarde e, para Mutin et al. (2025), por difusão a partir do Irã e da Ásia Central, onde há sítios neolíticos dos 7º e 6º milênios a.C.; plantas e animais já domesticados estão presentes desde o início do período I e são sobretudo de origem oeste-asiática. A cerâmica do período IIA, que os autores apontam como a primeira conhecida no Paquistão, não seria anterior a c. 4650 a.C. Eles comparam Mehrgarh com Tell-e Atashi, no sudeste do Irã, outra comunidade agrícola sem cerâmica do fim do 6º milênio, e levantam a hipótese de que esses grupos conheciam a cerâmica e escolheram não usá-la. Os nove níveis de casas e de sepulturas também se acumularam mais depressa do que se pensava, talvez com a ajuda das cheias do Bolan. (Mutin et al. 2025)

Fontes

  1. Jarrige, J.-F.; Lechevallier, M. (1980). "Les fouilles de Mehrgarh, Pakistan : problèmes chronologiques". Paléorient 6: 253–258. DOI 10.3406/paleo.1980.4279. Acessar
  2. Kenoyer, J. M. (1998). Ancient Cities of the Indus Valley Civilization. Oxford University Press / American Institute of Pakistan Studies. ISBN 9780195779400.
  3. Mutin, B.; Zazzo, A.; Bondioli, L.; Coppa, A. et al. (2025). "New radiocarbon dates of human tooth enamel reveal a late appearance of farming life in the Indus Valley". Scientific Reports 15. DOI 10.1038/s41598-025-92621-5. Acessar

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