Atlas da História

Gārgī Vācaknavī, interlocutora de Yājñavalkya na corte de Janaka, nos textos dos sécs. VIII–VI a.C. (datas estimadas)

Sem data própria: figura de um texto que a literatura dá como composto entre c. 700 e 500 a.C. (Brian Black, no IEP, citando Olivelle 1998). O ano −650 é o meio do séc. VII a.C., usado só como marca no mapa, sem afirmar quando ela viveu · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Gārgī Vācaknavī é a mulher que, no Bṛhadāraṇyaka Upaniṣad, interroga Yājñavalkya diante dos brâmanes reunidos na corte de Janaka. Na tradução de Müller (1884), ela o pressiona com perguntas sobre aquilo em que o mundo está tecido, até ser mandada parar, e depois volta com duas perguntas, ao fim das quais declara que ele não será vencido numa disputa sobre brahman. Brian Black, no IEP, cita-a, com Maitreyī, entre as mulheres retratadas em debates filosóficos nas Upaniṣads.

A primeira rodada: tecido sobre tecido

No sexto brāhmaṇa do capítulo 3, na tradução de Müller (1884), Gārgī Vācaknavī pergunta a Yājñavalkya em que está tecida, como urdidura e trama, a água, e ele responde que no ar. Ela repete a pergunta a cada resposta, e ele nomeia em sequência os mundos do céu, dos gandharvas, do sol, da lua, das estrelas, dos deuses, de Indra, de Prajāpati e de Brahman. Ao ser perguntado em que estão tecidos os mundos de Brahman, ele diz que ela não deve perguntar demais, sob pena de a cabeça cair, e que pergunta demais sobre uma divindade acerca da qual não se deve perguntar demais. Gārgī se cala. Müller anota, a partir do comentador, que perguntas sobre Brahman devem ser respondidas pelas Escrituras e não decididas por argumento. (Müller 1884)

As duas flechas e o imperecível

No oitavo brāhmaṇa, Gārgī se dirige aos brâmanes e diz que fará duas perguntas e que, se ele as responder, nenhum deles o vencerá numa disputa sobre brahman. Compara-se a um guerreiro dos Kāśīs ou dos Videhas com o arco encordoado e duas flechas. Pergunta em que está tecido aquilo que se diz estar acima do céu, abaixo da terra, abrangendo céu e terra, passado, presente e futuro; Yājñavalkya responde que no éter (ākāśa). Ela repete a pergunta e pergunta em que está tecido o éter. Ele responde com o Akṣara, o imperecível, que descreve por negações (nem grosso nem fino, nem curto nem longo, sem sombra, sem olhos, sem mente) e por seu governo ("pela ordem desse Akṣara" o sol e a lua ficam separados, e os rios correm para o leste ou para o oeste). (Müller 1884)

O silêncio de Gārgī e seu lugar nas Upaniṣads

Ao fim da resposta, Gārgī diz aos brâmanes que podem considerar grande coisa saírem apenas se curvando diante dele e que, a seu ver, ninguém o vencerá numa disputa sobre brahman; depois se cala, segundo Müller. Brian Black (IEP) a cita junto com Maitreyī entre as mulheres que as Upaniṣads mostram em debates filosóficos, e ressalva que os ensinamentos sobre o eu se dirigem especificamente a um público masculino e que Yājñavalkya supõe que os principais conhecedores serão homens brâmanes. (Müller 1884; Black)

Fontes

  1. Müller, F. Max (trad.) (1884). "The Upanishads, Part II" (Brihadâranyaka, Chhândogya etc.), The Sacred Books of the East, vol. 15. Oxford: Clarendon Press. Texto baixado de https://archive.org/download/wg915/ (arquivo djvu.txt) em 30/10/2026; o OCR tem erros de grafia dos nomes sânscritos, normalizados aqui. Acessar
  2. Black, Brian. "Upaniṣads". Internet Encyclopedia of Philosophy (IEP), ISSN 2161-0002. Texto baixado de https://iep.utm.edu/upanisad/ em 30/10/2026; a data de publicação do artigo não aparece no texto extraído. Acessar

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