Atlas da História

O reino kuru e a cerâmica Painted Grey Ware: a ordem védica segundo Witzel e o debate sobre a datação (faixa tradicional de 1000–500 a.C.)

Faixa de c. 1000–500 a.C. proposta para a Painted Grey Ware, segundo Gupta e Mani (2017); Lal propôs 1100–800 a.C. e Shinde e Sengar, 800–600 a.C. para um sítio de Haryana. Witzel não data o reino kuru em anos no artigo lido · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Segundo Michael Witzel, depois do período do Rigveda surgiu em Haryana e no oeste de Uttar Pradesh o reino kuru, que ele chama de primeiro Estado da Índia, e seus reis mandaram reunir e reorganizar os hinos e os mantras em coletâneas para o ritual srauta. A cerâmica Painted Grey Ware aparece nos sítios kuru e foi datada em c. 1000–500 a.C., mas Gupta e Mani (2017) defendem datas bem mais antigas e duvidam de sua ligação com o Mahabharata. A cronologia permanece em aberto.

O reino kuru e a reforma ritual, segundo Witzel

Witzel explica que a batalha dos Dez Reis, no Rigveda, ocorreu no rio Parushni (Ravi), e que a vitória do chefe bharata Sudas permitiu aos bharatas se fixarem na região de Kurukshetra, entre os rios Sarsuti e Chautang. Os kurus aparecem de repente nos textos pós-rigvédicos. Ele atribui ao rei Parikshit e à sua dinastia a fusão de grupos numa só unidade, o Kuru, e a criação de uma nova base socioreligiosa, e cita hinos do Rigveda Khila em que se louva uma era de paz, cevada e leite sob esse rei. Aponta que o rei kuru passa a viver de tributo e de rituais como o asvamedha, e não só de distribuição de butim. (Witzel 1995)

A reunião dos textos védicos

Segundo Witzel, os reis kurus também mandaram reunir os principais textos poéticos e rituais e reorganizá-los para os objetivos do novo reino: os hinos antigos na coletânea do Rigveda, os mantras principais em uma primeira coletânea do Yajurveda, as melodias do ritual do soma em outra do Samaveda, e os encantamentos e hinos especulativos em outra do Atharvaveda, trabalhados por brâmanes angirasa. Ele diz que a extração desses textos de clãs de poetas e sacerdotes exigiu pressão, compensada com a ideia de uma propriedade conjunta da nova classe dos brâmanes, e que o sistema de arranjo dos hinos do Rigveda preservou a origem de cada hino por clã. (Witzel 1995)

Como se data a Painted Grey Ware

Gupta e Mani contam que Lal deu à PGW a faixa de 1100–800 a.C., por associá-la à guerra do Mahabharata, e que se propôs depois a de 1000–500 a.C., que combinava com o período védico tardio. Eles citam datas calibradas de níveis da cerâmica negra polida do norte (NBPW) que recuam o início dessa cerâmica para c. 900 a.C. em Mathura e para 1300–1000 a.C. em sítios do médio Ganges, e o entrelaçamento da PGW com o Harapense maduro em Alamgirpur, para defender um começo bem mais antigo. Reconhecem datas mais recentes de Chak 86, de 650 e 215 a.C. (com margens de erro), e a posição de Shinde e Sengar; citando Roy, dizem que a PGW é um critério pouco seguro para datar sítios. (Gupta e Mani 2017)

A ligação com o Mahabharata, em dúvida

Lal associara a PGW ao Mahabharata porque ela está nos níveis mais antigos de sítios ligados ao poema. Gupta e Mani objetam que a cerâmica ocre (OCP) é a mais antiga em Hastinapura, Ahichchhatra e Kampilya, que a PGW não aparece em Rajgir, capital de Jarasandha, nem em Dwarka, e que a pouca evidência de armas nos níveis da PGW não combina com uma era de guerra contínua. Lal chegou a dizer que, se a OCP fosse a cerâmica dos sítios do poema, a pretensão da PGW cairia. Os autores dizem que a OCP é uma candidata forte, não uma escolha segura. (Gupta e Mani 2017)

Fontes

  1. Witzel, Michael (1995). "Early Sanskritization. Origins and Development of the Kuru State". Electronic Journal of Vedic Studies 1(4): 1–26. DOI 10.11588/ejvs.1995.4.823. Texto bruto lido em 30/10/2026 na cópia do site do autor, http://michaelwitzel.org/wp-content/uploads/2014/06/ejvs0104article.pdf (a página da revista, em Heidelberg, exigia um desafio antirrobô e não foi usada). Acessar
  2. Gupta, Vinay Kumar; Mani, B. R. (2017). "Painted Grey Ware Culture: Changing Perspectives". Heritage: Journal of Multidisciplinary Studies in Archaeology 5: 370–379. https://heritageuniversityofkerala.com/JournalPDF/Volume5/23.pdf. Texto bruto lido em 30/10/2026. Os autores são da Coleção Central de Antiguidades do Serviço Arqueológico da Índia e do Museu Nacional e Instituto do Museu Nacional, em Nova Délhi, segundo a primeira página. Acessar

Na mesma região