Atlas da História

Yājñavalkya, mestre védico da corte de Janaka de Videha, nos textos dos sécs. VIII–VI a.C. (datas estimadas)

Sem data própria: figura de textos que a literatura dá como compostos entre c. 700 e 500 a.C. (Brian Black, no IEP, citando Olivelle 1998). O ano −650 é o meio do séc. VII a.C., usado só como marca no mapa, sem afirmar quando ele viveu; o Wikidata dá nascimento em c. 800 e morte em c. 700 a.C., com precisão de século, e esses valores não foram adotados · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Yājñavalkya é o mestre mais destacado do Bṛhadāraṇyaka Upaniṣad, texto que a literatura data de c. 700–500 a.C. e que o mostra na corte do rei Janaka de Videha, debatendo com sacerdotes dos Kurus e dos Pañcālas. Segundo Brian Black, no IEP, ele descreve o eu (ātman) mais como consciência do que como princípio de vida, o iguala a brahman e liga o conhecimento do eu a uma vida de asceta itinerante. Um concurso de Janaka, no qual ele manda tocar as mil vacas oferecidas ao mais sábio, abre uma sequência de interrogatórios que inclui a sábia Gārgī Vācaknavī.

Quem é Yājñavalkya nos textos

Segundo Brian Black (IEP), Yājñavalkya é o mestre mais destacado do Bṛhadāraṇyaka Upaniṣad, texto que se conta entre os da primeira fase das Upaniṣads védicas, geralmente datados entre 700 e 500 a.C., antes do surgimento de budistas, jainas e ājīvikas. O artigo salienta que muitas Upaniṣads foram compostas por vários autores, em prosa ou verso, e que a datação se apoia em Olivelle (1998). Por isso o registro trata Yājñavalkya como figura de um texto, cuja existência histórica e cujas datas de vida não são estabelecidas pelas fontes lidas. (Black)

O concurso de Janaka

Na tradução de Müller (1884), o capítulo 3 começa com o rei Janaka de Videha oferecendo um sacrifício com muitos presentes aos sacerdotes. Brâmanes dos Kurus e dos Pañcālas haviam ido ao local, e Janaka quis saber qual era o mais versado. Cercou mil vacas e prendeu dez padas de ouro a cada par de chifres. Como nenhum brâmane ousou, Yājñavalkya mandou o discípulo levá-las. Os outros se irritaram, e o sacerdote Aśvala, hotṛ de Janaka, perguntou se ele era o mais sábio; Yājñavalkya respondeu que se curvava diante do mais sábio, mas queria as vacas. Aśvala abriu então as perguntas, sobre como o sacrificante escapa da morte, do dia e da noite e das fases da lua, e ele respondeu associando cada sacerdote a um elemento, como Agni, o sol e o vento. (Müller 1884)

O eu como consciência e a vida de asceta

No IEP, Black diz que Yājñavalkya descreve ātman mais como consciência do que como essência vital: o eu é o "controlador interno" (BU 3.7.23) presente em todo ato de sentir e conhecer, e ao mesmo tempo distinto deles, e não pode ser objeto de consciência. A um interlocutor, Janaka, ele ensina que o eu consiste em várias partes sem se reduzir a nenhuma, e liga seu conhecimento a mudança de conduta: quem o conhece vê o eu em todos os seres e leva uma vida de asceta itinerante (BU 4.4.22–23). Em uma passagem citada por Black, no mundo de brahman o ladrão não é ladrão nem o assassino é assassino, e nem o bem nem o mal o seguem (BU 4.3.22). Black também nota que, ao contrário de Uddālaka, Yājñavalkya equipara ātman e brahman. (Black)

Fontes

  1. Black, Brian. "Upaniṣads". Internet Encyclopedia of Philosophy (IEP), ISSN 2161-0002. Texto baixado de https://iep.utm.edu/upanisad/ em 30/10/2026; a data de publicação do artigo não aparece no texto extraído. Acessar
  2. Müller, F. Max (trad.) (1884). "The Upanishads, Part II" (Brihadâranyaka, Chhândogya etc.), The Sacred Books of the East, vol. 15. Oxford: Clarendon Press. Texto baixado de https://archive.org/download/wg915/ (arquivo djvu.txt) em 30/10/2026; o OCR tem erros de grafia dos nomes sânscritos, que aqui são normalizados. Acessar

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