Mohenjo-daro
séc. XXV a XVII a.C. (Wikidata); a UNESCO dá o início do 3º milênio a.C. para a cidade e 2500–1500 a.C. para a civilização do Indo · Sul da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Uma das grandes cidades da civilização do Vale do Indo, na província de Sind (Paquistão). É referência para o estudo do urbanismo planejado da fase harappiana.
Uma cidade erguida sobre plataformas
As ruínas ficam na margem direita do Indo, a 510 km de Karachi e a 28 km de Larkana. Identificada em 1922, a cidade tem duas partes: a oeste, a cidadela, onde no séc. II d.C. se ergueu uma stupa budista de tijolo cru sobre as ruínas; a leste, a cidade baixa, com ruas que se cruzam em ângulo reto (UNESCO). Green (2021) descreve construções assentadas sobre plataformas de fundação encaixadas, que seguiam ruas planejadas, vielas privadas e uma rede de drenagem; para ele, a intensidade das obras pode ter superado a de outras cidades do Indo. O sítio cobre 240 ha, dos quais só cerca de um terço foi escavado desde 1922. (UNESCO, lista nº 138; Green 2021)
Casas com poço, banho e esgoto
A maior parte dos edifícios eram casas, de tipos variados, todas com pátio, poço e áreas para atividades domésticas. Uma rede de canos de drenagem permitia que cada casa tivesse uma plataforma de banho privada; Green (2021) a trata como uma grande obra de ação coletiva, que servia à maioria das residências. Algumas casas eram maiores do que outras, e Vidale chegou a chamar as maiores de palácios, mas para Green eram só casas acima da média. Numa das áreas escavadas, as casas grandes vêm primeiro na sequência, e as pequenas, de paredes mais finas, aparecem nas fases tardias. O artesanato também estava espalhado: a maior parte da produção ocorria dentro das casas da cidade baixa, com ofícios misturados. (Green 2021)
O Grande Banho e os edifícios coletivos
No monte ocidental, o Grande Banho tinha uma piscina de tijolos cozidos bem ajustados, impermeabilizada com betume e servida por canos e drenos que controlavam a quantidade e a temperatura da água, segundo o relatório de Marshall (1931) citado por Green (2021). Perto dele, o Salão das Colunas passa de 30 m de lado. Esses edifícios eram relativamente acessíveis, o que sustentou a leitura de que eram públicos. A UNESCO menciona ainda um "colégio de sacerdotes" e um grande celeiro; Green observa que em Harappa o chamado "Grande Celeiro", batizado por Wheeler, não mostrou grãos nem capacidade real de armazenagem. A UNESCO alerta que a salinização, causada pela subida do lençol freático do Indo, ameaça as fundações, tema de uma campanha internacional nos anos 1970. (Green 2021; UNESCO, lista nº 138)
Sem palácios nem rei-sacerdote?
As cidades do Indo, c. 2600–1900 a.C. segundo Green (2021), tinham escrita, metalurgia, pesos e medidas e selos, mas não as tumbas, os palácios e a arte de exaltação de governantes de outras sociedades complexas. Wheeler imaginou um Estado militar dirigido por reis-sacerdotes, inspirado na Mesopotâmia. Green observa que a estatueta de 17,5 cm conhecida como "rei-sacerdote" é vista hoje como sinal de contato com sociedades vizinhas, e não como emblema de uma elite militar. Para ele, os primeiros escavadores tinham razão ao notar a ausência de desigualdade política e econômica marcada: a riqueza e a produção estavam distribuídas, e uma classe dirigente não seria condição para a complexidade social. É uma tese em debate: autores como Vidale e Kenoyer, citados por Green, viram sinais de elites nas casas maiores ou no controle de matérias-primas. (Green 2021)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Archaeological Ruins at Moenjodaro", lista nº 138. https://whc.unesco.org/en/list/138/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
- Kenoyer, J. M. (1998). Ancient Cities of the Indus Valley Civilization. Oxford University Press / American Institute of Pakistan Studies. ISBN 9780195779400.
- Wikidata Q5725 (P580 −2500 e P582 −1700, precisão de século); consultado via API em out. 2026
- Green, A. S. (2021). "Killing the Priest-King: Addressing Egalitarianism in the Indus Civilization". Journal of Archaeological Research 29(2): 153–202. DOI 10.1007/s10814-020-09147-9. Acessar
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