Atlas da História

Mohenjo-daro

séc. XXV a XVII a.C. (Wikidata); a UNESCO dá o início do 3º milênio a.C. para a cidade e 2500–1500 a.C. para a civilização do Indo · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Uma das grandes cidades da civilização do Vale do Indo, na província de Sind (Paquistão). É referência para o estudo do urbanismo planejado da fase harappiana.

Selo de carimbo: unicórnio e queimador de incenso (?)
Selo de esteatita queimada com um animal de um só chifre e um objeto que pode ser um queimador de incenso. Selos assim, com figuras e sinais ainda não decifrados, são marca típica das cidades do Indo, como Mohenjo-daro. Selo de carimbo: unicórnio e queimador de incenso (?), artesãos do Indo não identificados, c. 2600–1900 a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo
Selo de carimbo: búfalo e queimador de incenso (?)
Outro selo de esteatita do Indo, com um búfalo diante de um possível queimador de incenso. Os animais gravados nos selos ajudam a pensar o que importava na vida e nas crenças dessas cidades. Selo de carimbo: búfalo e queimador de incenso (?), artesãos do Indo não identificados, c. 2600–1900 a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

Uma cidade erguida sobre plataformas

As ruínas ficam na margem direita do Indo, a 510 km de Karachi e a 28 km de Larkana. Identificada em 1922, a cidade tem duas partes: a oeste, a cidadela, onde no séc. II d.C. se ergueu uma stupa budista de tijolo cru sobre as ruínas; a leste, a cidade baixa, com ruas que se cruzam em ângulo reto (UNESCO). Green (2021) descreve construções assentadas sobre plataformas de fundação encaixadas, que seguiam ruas planejadas, vielas privadas e uma rede de drenagem; para ele, a intensidade das obras pode ter superado a de outras cidades do Indo. O sítio cobre 240 ha, dos quais só cerca de um terço foi escavado desde 1922. (UNESCO, lista nº 138; Green 2021)

Casas com poço, banho e esgoto

A maior parte dos edifícios eram casas, de tipos variados, todas com pátio, poço e áreas para atividades domésticas. Uma rede de canos de drenagem permitia que cada casa tivesse uma plataforma de banho privada; Green (2021) a trata como uma grande obra de ação coletiva, que servia à maioria das residências. Algumas casas eram maiores do que outras, e Vidale chegou a chamar as maiores de palácios, mas para Green eram só casas acima da média. Numa das áreas escavadas, as casas grandes vêm primeiro na sequência, e as pequenas, de paredes mais finas, aparecem nas fases tardias. O artesanato também estava espalhado: a maior parte da produção ocorria dentro das casas da cidade baixa, com ofícios misturados. (Green 2021)

O Grande Banho e os edifícios coletivos

No monte ocidental, o Grande Banho tinha uma piscina de tijolos cozidos bem ajustados, impermeabilizada com betume e servida por canos e drenos que controlavam a quantidade e a temperatura da água, segundo o relatório de Marshall (1931) citado por Green (2021). Perto dele, o Salão das Colunas passa de 30 m de lado. Esses edifícios eram relativamente acessíveis, o que sustentou a leitura de que eram públicos. A UNESCO menciona ainda um "colégio de sacerdotes" e um grande celeiro; Green observa que em Harappa o chamado "Grande Celeiro", batizado por Wheeler, não mostrou grãos nem capacidade real de armazenagem. A UNESCO alerta que a salinização, causada pela subida do lençol freático do Indo, ameaça as fundações, tema de uma campanha internacional nos anos 1970. (Green 2021; UNESCO, lista nº 138)

Sem palácios nem rei-sacerdote?

As cidades do Indo, c. 2600–1900 a.C. segundo Green (2021), tinham escrita, metalurgia, pesos e medidas e selos, mas não as tumbas, os palácios e a arte de exaltação de governantes de outras sociedades complexas. Wheeler imaginou um Estado militar dirigido por reis-sacerdotes, inspirado na Mesopotâmia. Green observa que a estatueta de 17,5 cm conhecida como "rei-sacerdote" é vista hoje como sinal de contato com sociedades vizinhas, e não como emblema de uma elite militar. Para ele, os primeiros escavadores tinham razão ao notar a ausência de desigualdade política e econômica marcada: a riqueza e a produção estavam distribuídas, e uma classe dirigente não seria condição para a complexidade social. É uma tese em debate: autores como Vidale e Kenoyer, citados por Green, viram sinais de elites nas casas maiores ou no controle de matérias-primas. (Green 2021)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Archaeological Ruins at Moenjodaro", lista nº 138. https://whc.unesco.org/en/list/138/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
  2. Kenoyer, J. M. (1998). Ancient Cities of the Indus Valley Civilization. Oxford University Press / American Institute of Pakistan Studies. ISBN 9780195779400.
  3. Wikidata Q5725 (P580 −2500 e P582 −1700, precisão de século); consultado via API em out. 2026
  4. Green, A. S. (2021). "Killing the Priest-King: Addressing Egalitarianism in the Indus Civilization". Journal of Archaeological Research 29(2): 153–202. DOI 10.1007/s10814-020-09147-9. Acessar

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