Cavernas Bluefish
c. 24 mil anos atrás (Bourgeon et al. 2017) · Ártico, América do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Cavernas no norte do Yukon, a cerca de 54 km de Old Crow, escavadas entre 1977 e 1987. Bourgeon et al. (2017) interpretam ossos de animais com marcas de corte, datados por AMS, como sinal de presença humana há cerca de 24 mil anos, no Último Máximo Glacial, hipótese que eles mesmos dizem ter sido muito contestada; para eles, é o sítio arqueológico mais antigo conhecido da América do Norte. Seriam visitas curtas de caça (Bourgeon e Mandel 2024).
Três pequenas cavernas em terras vuntut gwitchin
As Cavernas Bluefish (em francês, Grottes du Poisson-Bleu) são cavidades de até 30 m³ na base de uma crista de calcário, cerca de 250 m acima do rio Bluefish, a 67°09' N. Old Crow é uma aldeia vuntut gwitchin, e as cavernas ficam em terras da Primeira Nação Vuntut Gwitchin (Bourgeon e Mandel 2024). Jacques Cinq-Mars, do Archaeological Survey of Canada, escavou áreas de cerca de 40, 58 e 10 m² nas cavernas I, II e III, peneirando o sedimento em malha de 3 mm; as coleções estão no Museu Canadense de História, em Gatineau. O loess que preenche as cavernas acumulou-se entre c. 30 mil e 11 mil anos cal AP, numa paisagem de tundra herbácea. As poucas peças líticas, como microlâminas e buris, lembram a cultura Dyuktai da Sibéria oriental, e não há fogueiras registradas (Bourgeon et al. 2017). (Bourgeon e Mandel 2024; Bourgeon et al. 2017)
Marcas de corte sob o microscópio
Bourgeon et al. (2017) analisaram cerca de 36 mil ossos de mamíferos das cavernas I e II. Lobos, leões e, em menor grau, raposas foram os principais acumuladores, mas pessoas também contribuíram. Os autores identificaram marcas de corte seguras em 15 ossos e prováveis em outros 20, menos de 1% do conjunto, reconhecidas por sulcos em V e microestrias internas, e as associam a esfolar, desarticular e descarnar animais. Uma mandíbula de cavalo com cortes ligados à retirada da língua foi datada por AMS em 19.650 ± 130 anos radiocarbônicos AP, o que equivale a cerca de 24 mil anos calibrados. Os resultados indicam que caçadores continuaram a usar as cavernas quando o clima melhorou, recorrendo a caribus, bisões e uapitis depois da extinção de presas como o cavalo. (Bourgeon et al. 2017)
A hipótese da parada na Beríngia
Para Bourgeon et al. (2017), Bluefish apoia a chamada hipótese da parada (standstill): estudos genéticos sugerem que uma população ficou isolada na Beríngia, aproximadamente entre 23 mil e 15 mil anos atrás, antes de se dispersar pelas Américas. A escassez de evidência arqueológica do Último Máximo Glacial na Beríngia ocidental e oriental indica uma população pequena, com população efetiva feminina de 1 a 2 mil indivíduos, segundo os dados genéticos citados. Parte da Beríngia central está hoje submersa. O corredor livre de gelo entre as calotas Laurentide e Cordilheira só teria sido viável para migração por volta de 13 mil a 12.500 anos cal AP, e os autores consideram mais provável que os primeiros povoadores tenham seguido pela costa do Pacífico, talvez já por volta de 16 mil anos atrás, o que liga Bluefish aos debates sobre Monte Verde e o Sítio Mesa. (Bourgeon et al. 2017)
Dúvidas sobre o contexto: a crítica de Krasinski e Blong
A interpretação não é consensual. Bourgeon et al. (2017) reconhecem que a estratigrafia das cavernas já havia sido questionada. Krasinski e Blong (2020) afirmam que a reanálise ignora o histórico das críticas e deixa sem resposta questões sobre o contexto dos achados, a associação dos artefatos às datas do Último Máximo Glacial e o efeito de processos naturais sobre os ossos. Os autores propõem hipóteses alternativas para as modificações e consideram Bluefish um sítio "provocador, mas não convincente". Bourgeon e Mandel (2024) registram essa posição ao discutir a paisagem posterior ao Máximo Glacial. (Bourgeon et al. 2017; Krasinski e Blong 2020; Bourgeon e Mandel 2024)
Lagópodes, corujas e raposas
Bourgeon e Mandel (2024) estudaram 7.113 ossos de aves das três cavernas, de 17 gêneros, com pelo menos 450 lagópodes (Lagopus). Raposas e aves de rapina, como a coruja-das-neves, explicam a maior parte da acumulação. Um osso de ganso-das-neves tem marcas de corte, mas a data obtida para ele, de 7.780 ± 60 anos radiocarbônicos AP, nunca teve sua validade publicada, e a origem humana das marcas em ossos de lagópode não pôde ser confirmada. Os autores lembram que aves pequenas podem ser capturadas com laços e comidas cruas, ou levadas inteiras para outro lugar, sem deixar marcas; por isso, a ausência de cortes não exclui seu uso. Para os vuntut gwitchin, o lagópode é muito valorizado, ao lado das aves aquáticas e do caribu. (Bourgeon e Mandel 2024)
Fontes
- Bourgeon, L.; Burke, A.; Higham, T. (2017). "Earliest Human Presence in North America Dated to the Last Glacial Maximum: New Radiocarbon Dates from Bluefish Caves, Canada". PLOS ONE 12: e0169486. DOI 10.1371/journal.pone.0169486. Acessar
- Bourgeon, L.; Mandel, R. D. (2024). "Avian Taphonomy at Bluefish Caves, Yukon, Canada". ARCTIC 76. DOI 10.14430/arctic78984. Acessar
- Krasinski, K. E.; Blong, J. C. (2020). "Unresolved Questions about Site Formation, Provenience, and the Impact of Natural Processes on Bone at the Bluefish Caves, Yukon Territory". Arctic Anthropology 57(1): 1–21. DOI 10.3368/aa.57.1.1. Acessar
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