Compra do Alasca
30 mar. 1867 · Ártico, América do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 30 de março de 1867, o Império Russo acertou a venda do Alasca aos Estados Unidos; dificuldades da Companhia Russo-Americana, como esgotamento de recursos, concorrência, má gestão e lucros insuficientes, pesaram na decisão. Para os povos indígenas do Alasca, veio a perda de terras e recursos: apesar das tentativas de negociar, os americanos muitas vezes ignoraram o título aborígine à terra.
Peles para a China e uma companhia em apuros
Saul (2018) lembra que a Companhia Russo-Americana tinha, desde 1799, o monopólio do comércio na colônia. Peles de lontra-marinha, castor e raposa, obtidas em aldeias nativas ou por grupos da própria companhia, eram armazenadas em Kodiak ou Sitka e levadas à China para comprar chá. Nos anos 1840 o negócio sofreu com o esgotamento dos animais, a concorrência da Companhia da Baía de Hudson e o avanço dos colonos americanos no Oregon. A receita caiu de 425.628 rublos de prata em 1845 para 212.648 em 1849, e nos anos 1850 ficou em média em 150 mil. O Forte Ross, na Califórnia, fundado em 1812, já havia sido vendido em 1841 a John Sutter. (Saul 2018)
Gelo do Alasca para São Francisco
Depois da corrida do ouro de 1848, São Francisco cresceu depressa e virou mercado para produtos russos. O primeiro carregamento de gelo russo chegou a São Francisco em 11 de abril de 1852, ano em que se formou a American Russian Commercial Company (Saul 2018). Na temporada de corte, os trabalhadores nativos recebiam um rublo em papel por dia. Em 1854, durante a Guerra da Crimeia, a companhia russa assinou com o americano Beverley Sanders um acordo de 20 anos, que ele chamou de "tratado". A partir de 1858, a ilha Wood, perto de Kodiak, passou a fornecer o gelo, e em 1864 os embarques chegaram a 4.785 toneladas. Carvão, peixe e madeira não deram certo, e o gelo ficou como único produto vendável; o comércio ainda perdeu os navios Zenobia, Kodiak e Tsaritsa entre 1858 e 1861. (Saul 2018)
1862: a decisão antes da venda
Para Saul (2018), os resultados desse comércio com a Califórnia foram o fator principal da decisão de vender. Quando o privilégio da companhia expirou, em 1862, foi renovado por apenas um ano, sinal de que a Rússia estava pronta para vender, depois dos relatórios dos inspetores enviados pelos ministérios da Marinha e das Finanças; ambos preferiam concentrar esforços no Extremo Oriente e em Vladivostok. A venda esperou o fim da Guerra Civil americana. Houve oposição de acionistas da companhia, entre eles o próprio Alexandre II, e de russos contrários a qualquer perda de território. Saul nota ainda que a mudança da fonte de gelo de Sitka para Kodiak desviou renda dos tlingit para os nativos mais ao norte, que ele chama de aleútes. (Saul 2018)
O Artigo III e as categorias criadas pelo tratado
Baumgarte (2015) lembra que os russos chegaram em 1741 e submeteram os unangan e os sugpiaq numa colônia de extração. Já os tlingit destruíram o forte de Yakutat, erguido em 1796, nove anos depois, e queimaram em 1802 o forte de Sitka, de 1799; com os haida, mantiveram sua soberania e o controle de suas terras. O tratado de cessão, de US$ 7,2 milhões em ouro, foi assinado sem consulta aos povos nativos. Seu Artigo III dava três anos aos habitantes para voltar à Rússia e fazia cidadãos os que ficassem, exceto os povos nativos que o texto chamava de "não civilizados", sujeitos às leis americanas. Os EUA enviaram a Sitka 200 soldados e três navios; tlingit e haida diziam que os russos nunca haviam sido donos da terra. (Baumgarte 2015)
Da Irmandade Nativa ao processo de 1947
Em 1871, o Congresso americano deixou de assinar tratados com nações indígenas, e no Alasca o título indígena nunca foi extinto por tratado; a Lei Orgânica de 1884 deixou a questão para leis futuras (Baumgarte 2015). Em 1912, jovens líderes nativos fundaram a Alaska Native Brotherhood, que a partir de 1929 lutou pela terra; em 1947, tlingit e haida abriram o primeiro processo do gênero no Alasca, que abriu caminho para a lei de 1971 sobre as reivindicações nativas. Grinev (2025) amplia o quadro do período russo: as migrações na América Russa, de russos, de nativos dependentes e de grupos independentes, foram em boa parte organizadas e forçadas, causaram grandes perdas demográficas e mudaram fronteiras étnicas e culturas. (Baumgarte 2015; Grinev 2025)
Fontes
- Saul, N. (2018). "California-Alaska Trade, 1851–1867: The American Russian Commercial Company and the Russian America Company and the Sale/Purchase of Alaska". Journal of Russian American Studies 2: 1–14. DOI 10.17161/jras.v2i1.7554. Acessar
- Grinëv, A. V. (2022). Russian Colonization of Alaska: From Heyday to Sale, 1818–1867. Trad. R. L. Bland. University of Nebraska Press. DOI 10.2307/j.ctv2svjzfd; ISBN 9781496222176. Acessar
- Baumgarte, B. L. (2015). Alaska Natives and the Power of Perseverance: The Fight for Sovereignty and Land Claims in Southeast Alaska, 1912–1947. Dissertação de mestrado (MA, History), University of Nevada, Las Vegas. https://oasis.library.unlv.edu/thesesdissertations/2466/ (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Grinev, A. (2025). "Ethnic Migrations in Alaska and the Aleutian Islands during the Period of Russian America". Etnografičeskoe obozrenie 3: 162. DOI 10.7868/s3034627425030105. Acessar
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