Atlas da História

Chegada da missão de Hans Egede à Groenlândia

3 jul. 1721 · Ártico

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 3 de julho de 1721, o pastor dano-norueguês Hans Egede chegou à Groenlândia para converter ao protestantismo os nórdicos católicos; como eles haviam desaparecido, passou a cristianizar os inuit. Egede virou símbolo da presença dinamarquesa e do cristianismo, que ganhou papel central na sociedade groenlandesa; em 2020, sua estátua em Nuuk foi pintada com a palavra 'DECOLONIZE'.

De Lofoten à ilha da Esperança

Segundo a introdução de Rydstrøm-Poulsen et al. (2021), que resume o capítulo de Hallgeir Elstad, Egede conheceu o pietismo ao estudar teologia em Copenhague e, como pastor no norte de Lofoten, escolheu a Groenlândia, nas mesmas latitudes, para missionar; via a missão como dever que devia chegar aos confins da Terra. Depois de sete anos na ilha da Esperança (Håbets Ø), fundou Godthåb, a atual Nuuk, em 1728. Norrgrén (2020) mostra outro lado do pastor: na colônia, Egede fez experimentos de alquimia, limitados pela falta de combustível; os recursos naturais locais lhe eram úteis, e a chefia da colônia lhe dava acesso a eles. (Rydstrøm-Poulsen et al. 2021; Norrgrén 2020)

Catecismos e o começo do groenlandês escrito

Flemming A. J. Nielsen, resumido na introdução do livro, estuda o primeiro catecismo em groenlandês, de 1742, feito no modelo de Lutero; o de Poul Egede saiu em 1756. Na explicação dos Dez Mandamentos pelo missionário Fabricius, a nova vida cristã incluía rejeitar xamãs e feiticeiros, e os Mandamentos viraram a primeira legislação groenlandesa. Outro capítulo, de Kjærgaard, descreve a estratégia de Egede de partir de ideias que os groenlandeses já tinham, como a de um ser espiritual invisível e a da imortalidade das almas, e seu interesse pela natureza do país, registrado num livro de 1741 logo traduzido (Rydstrøm-Poulsen et al. 2021). (Rydstrøm-Poulsen et al. 2021)

Morávios, varíola e um balanço amargo

Em maio de 1733 chegou a Godthåb a missão alemã dos irmãos morávios. No mesmo ano começou uma epidemia de varíola (1733–34), e Hans Egede e Gertrud Rask abrigaram doentes. Joanna Kodzik descreve a crise entre os morávios e Egede e o choque entre o ensino baseado no catecismo, apoiado pelo Estado dinamarquês, e a estratégia de conversão dos morávios; para ela, as duas missões mudaram a visão de mundo inuit e feriram sua cultura e identidade. Qaajarnaq, batizado Samuel em 1739, tornou-se líder da missão morávia no sul (Rydstrøm-Poulsen et al. 2021). A editora resume: quando Egede partiu, em 1736, boa parte da congregação, inclusive sua esposa, havia morrido na epidemia. (Rydstrøm-Poulsen et al. 2021)

Kalaallit, Inussuk e a disputa pela memória

No primeiro capítulo do livro, Juaaka Lyberth argumenta que kalaaleq designava originalmente uma pessoa com poderes mágicos, capaz de falar com os antepassados, e que o nome atual kalaallit guarda essa história. Gert Mulvad vê na estátua de Egede, diante da catedral de Nuuk, o símbolo da missão, e no marco de pedras Inussuk o do autogoverno de 2009. Mads Fægteborg parte de um debate de 2018 entre historiadores e considera 1721 uma recolonização (Rydstrøm-Poulsen et al. 2021). Uma votação em 2020 manteve a estátua. Kleemann-Andersen pergunta se Egede foi colonizador cruel ou "apóstolo da Groenlândia", e Fleischer acompanha a imagem dele na mídia groenlandesa de 1971 a 2021. Rud (2017) contrapõe duas narrativas do colonialismo dinamarquês: exploração implacável ou governo benevolente. (Rydstrøm-Poulsen et al. 2021; Kleemann-Andersen 2021; Fleicher 2021; Rud 2017)

Fontes

  1. Rydstrøm-Poulsen, A.; Reimer, G. A.; Lauritsen, A. N. (orgs.) (2021). Tro og samfund i Grønland: I 300-året for Hans Egedes ankomst. Aarhus University Press. DOI 10.2307/j.ctv34wmmpn; ISBN 9788772194561. Acessar
  2. Kleemann-Andersen, C. (2021). "Hans Egede – en grusom kolonisator eller Grønlands apostel?". In: Rydstrøm-Poulsen, A.; Reimer, G. A.; Lauritsen, A. N. (orgs.). Tro og samfund i Grønland: I 300-året for Hans Egedes ankomst. Aarhus University Press, pp. 423–437. DOI 10.2307/j.ctv34wmmpn.28. Acessar
  3. Fleicher, A. (2021). "Hans Egede pillugu takorluuinerit: Raatiukkut tusarnaagassiamiit eqqaassutissamut niaquikkamut – Hans Egede ukiuni kingullerni 50-ini kalaallit tusagassiorfiinit isigalugu (1971-imiit – 2021-mut)". In: Upperisaq inuiaqatigiillu (edição em groenlandês de Tro og samfund i Grønland). Aarhus University Press, pp. 443–466. DOI 10.2307/j.ctv34wmn5c.27; ISBN 9788772194578. Acessar
  4. Norrgrén, H. (2020). "An Alchemist in Greenland: Hans Egede (1686–1758) and Alchemical Practice in the Colony of Hope". Ambix 67(2): 153–173. DOI 10.1080/00026980.2020.1747305. Acessar
  5. Rud, S. (2017). Colonialism in Greenland: Tradition, Governance and Legacy. Palgrave Macmillan. ISBN 9783319461571. DOI 10.1007/978-3-319-46158-8. Acessar

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