Atlas da História

Sítio Mesa (Alasca ártico)

c. 13,6 a 11,7 mil anos atrás (BLM 2025) · Ártico, América do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Sítio no alto de uma mesa na encosta norte da cordilheira Brooks, no Alasca ártico, com fogueiras e mais de 150 pontas de projétil de tradição paleoíndia. Foi ocupado entre cerca de 13,6 e 11,7 mil anos atrás, em boa parte no frio e seco Dryas Recente; Kunz e Reanier (1994) sugerem que oscilações do clima tornaram o norte do Alasca temporariamente desfavorável.

Um mirante sobre o vale do Iteriak

Kunz, Bever e Adkins (2003) situam o sítio no flanco norte das montanhas Endicott, na parte central da cordilheira Brooks, no lado leste do vale do riacho Iteriak. A mesa é uma crista de gabro e basalto de cerca de 245 por 90 m, que se ergue uns 55 m sobre o terreno e oferece visão de 360 graus sobre cerca de 100 km². A temperatura média anual é de −9,6 °C, e a neve cobre o chão por oito meses; a aldeia mais próxima, Anaktuvuk Pass, fica a mais de 160 km. O sítio foi identificado em 1978 por Michael Kunz e Dale Slaughter, durante um levantamento do Bureau of Land Management (BLM) na Reserva Nacional de Petróleo do Alasca, quando verificavam uma fonte de rocha para um poço e uma pista de pouso próximos. Hoje, segundo o BLM, o sítio fica logo fora da reserva, numa área de estudo de wilderness (Black 2025). (Kunz et al. 2003; Black 2025)

Datas, um erro de laboratório e o calendário

Em 1979, o carvão de três fogueiras, misturado, deu 7.620 ± 95 anos AP; em 1989, uma fogueira deu 9.730 ± 80 AP, e em 1992 uma nova medição por AMS da amostra arquivada deu 10.060 AP, o que levou os autores a atribuir a primeira data a erro de laboratório (Kunz et al. 2003). Em 1994, Kunz e Reanier publicaram 11 datas entre 9.730 e 11.660 anos radiocarbônicos AP; em 2003, o total chegava a 44 datas por AMS, de c. 11.700 a 9.700 AP, não calibradas. Os autores equivalem 12 mil a 10 mil anos radiocarbônicos a 14 mil a 12 mil anos de calendário. As pontas não são datadas diretamente: como explica o arqueólogo Joe Keeney, do BLM, sua idade vem do carvão das fogueiras da mesma camada (Black 2025). (Kunz et al. 2003; Kunz e Reanier 1994; Black 2025)

Oficina de pontas e obsidiana de Batza Téna

O conjunto soma mais de 121 mil peças: 442 ferramentas formais (154 pontas, 212 outros bifaces, 70 buris e 6 raspadores) e mais de 120 mil resíduos de lascamento, em torno de 40 fogueiras; a atividade principal era fabricar bifaces e pontas (Kunz et al. 2003). Cerca de 99% da pedra é sílex de afloramentos a poucos quilômetros dali. A exceção é a obsidiana: um buril e 61 lascas vieram de Batza Téna, cerca de 320 km ao sul, na bacia do Koyukuk, a única fonte de obsidiana ao norte do rio Yukon, identificada por ativação de nêutrons. Os autores pensam que a obsidiana chegou como ferramentas prontas, o que indica conhecimento geográfico amplo ou trocas. Os artefatos estão no Museu do Norte da Universidade do Alasca, em Fairbanks (Black 2025). (Kunz et al. 2003; Black 2025)

Paleoíndios no Ártico: do norte para o sul?

Kunz e Reanier (1994) questionaram a ideia de que as culturas paleoíndias tenham surgido apenas no centro do continente norte-americano, e notaram que as datas da Mesa se sobrepõem às de dois complexos do interior do Alasca. Kunz et al. (2003) comparam as pontas lanceoladas da Mesa, de bordas desgastadas, às do tipo Agate Basin das Grandes Planícies, e as distinguem do complexo Nenana, de feição mais siberiana. Para eles, as duas tradições são tão antigas quanto Clovis ou mais, e o estilo paleoíndio pode ter se formado na própria Beríngia; trata-se de hipótese dos autores. Eles lembram ainda que a rota costeira é tão viável quanto o corredor entre as geleiras, e que a agulha com olho, presente na Sibéria e na Mongólia há c. 30 mil anos, foi decisiva para viver no Ártico. (Kunz e Reanier 1994; Kunz et al. 2003)

Bisões, Dryas Recente e um teste com peixes

Kunz et al. (2003) descrevem a troca da estepe pela tundra de tufos: mamutes e cavalos sumiram primeiro, e o frio do Dryas Recente manteve por algum tempo o hábitat de um número reduzido de bisões. O sítio foi abandonado por volta de 9.700 AP, depois do desaparecimento do bisão, e não há evidência sólida de ocupação humana no Alasca ártico entre c. 9.700 e 7.500 AP, quando as pessoas voltaram com o caribu. O quadro de uso da mesa entre maio e setembro, com cães e bisões como presa principal, é declaradamente especulativo. Em 2025, Stormy Fields, do laboratório de isótopos estáveis da Universidade do Alasca em Fairbanks, analisava isótopos estáveis dos sedimentos das fogueiras para testar se havia peixe na dieta, já que mais ao sul, no interior do Alasca, as pessoas ampliaram a alimentação com peixes de água doce e anádromos no Dryas Recente; os resultados ainda não haviam saído (Black 2025). (Kunz et al. 2003; Black 2025)

Fontes

  1. Kunz, M. L.; Reanier, R. E. (1994). "Paleoindians in Beringia: Evidence from Arctic Alaska". Science 263: 660–662. DOI 10.1126/science.263.5147.660. Acessar
  2. Kunz, M.; Bever, M.; Adkins, C. (2003). The Mesa Site: Paleoindians above the Arctic Circle. BLM-Alaska Open File Report 86. Bureau of Land Management. https://www.blm.gov/sites/blm.gov/files/documents/files/Library_Alaska_OpenFileReport86.pdf (consultado em 07/10/2026). Acessar
  3. Black, M. (2025). "Using science to uncover mysteries of the Mesa archaeological site in Alaska". Bureau of Land Management, blog, 18 dez. 2025. https://www.blm.gov/blog/2025-12-18/using-science-uncover-mysteries-mesa-archaeological-site-alaska (consultado em 07/10/2026). Acessar

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