Atlas da História

Cerâmica e mós do sítio de Tagalagal (monts Bagzane, maciço do Aïr, Niger), c. 10.700 anos cal AP

c. 10.700 cal AP (c. 8750 a.C. em ano astronômico, 1950 − cal AP), data do carvão do sítio segundo Rotunno e Crema (2025), que a calibram a partir de 9370 ± 130 BP (laboratório de Orsay, Orsay 172). Roset (1982) deu só as idades não calibradas, 9330 e 9370 ± 130 anos antes do presente, que não são anos de calendário e não foram usadas como tais · África Ocidental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Tagalagal é um sítio a céu aberto nos monts Bagzane, no maciço do Aïr (norte do Niger), a cerca de 1.850 m de altitude, onde Jean-Pierre Roset achou em 1978 cerâmica decorada, lascas de pedra e mós. O carvão associado deu 9330 e 9370 ± 130 anos antes do presente, idades não calibradas que Rotunno e Crema (2025) situam em cerca de 10.700 anos cal AP, entre as datas mais antigas da cerâmica do Saara central. Para Roset, potes e material de moagem de grãos duros juntos mostram que a coleta, o preparo e a conservação de gramíneas comestíveis já faziam parte da alimentação no Saara meridional.

Um sítio a céu aberto no alto da montanha

Segundo Roset (1982), Tagalagal fica na parte norte dos monts Bagzane, um planalto granítico de mais de 1.800 m de altitude no Aïr, onde hoje há aldeias tuaregues kel owey nas depressões. O sítio, a cerca de 1.850 m, é uma clareira de uns 40 m por 20 m entre blocos de granito, com o chão coberto de cacos, ferramentas, lascas, mós e moletas. Chegar lá exigia dias de camelo, de caminhada e uma escalada final, e não há água no local, de modo que Roset não pôde escavar com calma: fez uma sondagem, ampliada em visitas anuais, e coletas de superfície por metro quadrado. (Roset 1982)

A camada sob o abrigo e as duas datas

Sob um abrigo raso, formado pelos blocos ao sul, ficou preservado um depósito de uns 5 m², com fragmentos de carvão, pedras aquecidas, cacos, lascas e um fragmento de mó num sedimento escuro, até 0,47 m de profundidade. Roset o descreve como provável depósito de resíduos de fogueiras e vê nele uma vantagem: os objetos da camada ajudam a confirmar os da superfície. O carvão foi enviado ao laboratório da Universidade de Paris-Sud (Orsay): a primeira amostra, de outubro de 1979, deu 9330 ± 130 anos antes do presente, e a segunda, de fevereiro de 1980, confirmou 9370 ± 130 em junho. Roset os chama de as datas mais altas já obtidas no Saara para um sítio com cerâmica, tomando o radiocarbono sem calibração. (Roset 1982)

Potes, pedra lascada e moagem de sementes

Para Roset, a técnica da cerâmica já aparece dominada: dos cacos remontados ele reconstitui vasos abertos e fechados de fundo esférico, lisos ou decorados, as formas que reaparecem muito depois no Neolítico do Ténéré. A decoração é por impressão e quase sempre cobre a superfície; é frequente a "dotted wavy line", em faixas horizontais, que lhe parece feita com um pente flexível. As lascas, curtas, vêm de núcleos poliédricos e pontas pseudo-levallois em riolito, com marcas de uso mas sem retoque intencional e sem microlitos, e as mós são de arenito. O que ele considera essencial é a associação, já nessa época, entre cerâmica e material de moagem de grãos duros. (Roset 1982)

Fontes

  1. Roset, Jean-Pierre (1982). "Tagalagal : un site à céramiques au Xe millénaire avant notre ère dans l'Aïr (Niger)". Comptes rendus des séances de l'Académie des Inscriptions et Belles-Lettres 126(3): 565-570. DOI 10.3406/crai.1982.13976 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://www.persee.fr/doc/crai_0065-0536_1982_num_126_3_13976 em 30/10/2026. Acessar
  2. Echallier, J.-C.; Roset, Jean-Pierre (1986). "La céramique des gisements de Tagalagal et de l'Adrar Bous 10 (Aïr, république du Niger) : résultats des analyses". Cahiers des Sciences Humaines 22(2): 151-158. Resumo lido em https://www.documentation.ird.fr/hor/fdi:23502 em 30/10/2026. Sem DOI. Acessar
  3. Rotunno, Rocco; Crema, Enrico R. (2025). "Bayesian analyses of radiocarbon dates suggest multiple origins of ceramic technology in Early Holocene Africa". Nature Communications 16: 8819. DOI 10.1038/s41467-025-63887-0 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://www.nature.com/articles/s41467-025-63887-0 em 30/10/2026. Acessar

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