Atlas da História

Djenné-Djenno (Jenné-jeno)

desde o séc. III a.C. (UNESCO) · África Ocidental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Sítio urbano antigo perto de Djenné, no Mali, ocupado desde o séc. III a.C. segundo a UNESCO. É um caso central nos estudos sobre formas africanas de urbanismo.

Figura sentada
Figura de terracota da civilização do Níger Médio, no Mali. É posterior à fase mais antiga de Djenné-Djenno, mas ilustra a tradição de modelagem em argila da região, uma das mais antigas e refinadas da África ocidental. Figura sentada, artista do Níger Médio não identificado, séc. XIII. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

Uma cidade anterior ao comércio transaariano

Antes dessas escavações, historiadores datavam a origem de Jenne no séc. XIII, junto com a de Tombuctu, como fruto do comércio transaariano, e descartavam as tradições orais que falavam de uma fundação no séc. VIII. As escavações de Roderick e Susan McIntosh (1981) em Jenne-jeno mudaram esse quadro. O sítio foi ocupado desde o séc. III a.C. por gente que usava e produzia ferro e chegou ao auge entre 750 e 1100 d.C., com mais de 33 hectares. Para os autores, Jenne-jeno talvez tenha participado da fundação dos centros da Curva do Níger, e não sido apenas produto do comércio de luxo vindo do norte. (McIntosh e McIntosh 1981)

Arroz, peixe e trocas a longa distância

A economia de Jenne-jeno apoiava-se no arroz, no peixe e no óleo de peixe, segundo McIntosh e McIntosh (1981). Desde os primeiros níveis, os moradores obtinham pedra e ferro de fora, e o cobre aparece por volta de 400 d.C., o que indica trocas a longa distância já nas primeiras fases do sítio. Uma prospecção de 1.100 km² ao redor do sítio mostrou uma paisagem densamente ocupada: a densidade rural antiga talvez fosse dez vezes a atual. (McIntosh e McIntosh 1981)

Escavações, tijolos e patrimônio

A UNESCO, que inscreveu as Cidades Antigas de Djenné, registra escavações em 1977, 1981, 1996 e 1997 e quatro sítios arqueológicos protegidos: Djenné-Djeno, Hambarketolo, Kaniana e Tonomba. Neles aparecem tijolos do tipo djenné ferey, jarros funerários e escória de metal. A cidade atual de Djenné guarda as camadas posteriores dessa história, com influências marroquinas (desde 1591) e tuculor (desde 1862), e a mesquita reconstruída em 1906–1907. A manutenção da arquitetura de terra depende da corporação de pedreiros Barey. (UNESCO, lista nº 116)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Old Towns of Djenné", lista nº 116. https://whc.unesco.org/en/list/116/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
  2. McIntosh, R. J. (2015). "Different cities: Jenne-jeno and African urbanism". In: capítulo em The Cambridge World History (volume não identificado), Cambridge University Press, p. 364–380. DOI 10.1017/cho9781139035606.022. Acessar
  3. McIntosh, R. J.; McIntosh, S. K. (1981). "The Inland Niger Delta before the Empire of Mali: Evidence from Jenne-Jeno". The Journal of African History 22(1): 1–22. DOI 10.1017/s0021853700018983. Acessar

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