Cultura Nok
séc. XV a.C. ao séc. I a.C. (Wikidata) · África Ocidental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Cultura arqueológica do centro da Nigéria, uma das mais antigas sociedades estudadas da África Ocidental. Novas escavações têm revisto sua cronologia e seus contextos.
Terracota e ferro sem chefias visíveis
As figuras de terracota que deram fama à cultura Nok começaram a ser feitas no início do 1º milênio a.C., e, segundo Gabriele Franke (2024), formam a tradição escultórica de grande porte mais antiga da África subsaariana. A partir de c. 900 a.C., elas se tornaram padronizadas. O ferro aparece pelo menos cem anos depois das primeiras figuras. As pesquisas dos últimos quinze anos, resume a autora, mostram especialização no trabalho da terracota e do metal, mas não sinais de complexidade social ou política: os portadores da cultura Nok eram pequenos agricultores, em casas dispersas, presentes desde meados do 2º milênio a.C. e vindos do norte. A cultura desaparece nos últimos séculos a.C., e no início do 1º milênio d.C. a região passa a ser ocupada por gente com novos cultivos. (Franke 2024)
Banquetes de milheto e rituais funerários
Escavações de 2016 ligaram depósitos de figuras a arranjos de pedras e potes interpretados como túmulos, e Franke (2024) associa as terracotas a banquetes e rituais funerários. Um estudo de restos de plantas reforça essa leitura. Champion et al. (2023) analisaram mais de 11 mil macrorrestos de 50 sítios, datados entre 1500 e 1 cal a.C. O milheto domina, com 9.220 grãos, seguido de feijão-caupi, Canarium e Nauclea. Como quase não há palha nem resíduos de debulha, os autores concluem que os sítios eram lugares de consumo, onde chegava grão já limpo, trazido de fora, provavelmente para refeições rituais. Eles também propõem que o milheto chegou à região diretamente do Saara central. (Franke 2024; Champion et al. 2023)
Contexto perdido e cópias perfeitas
As terracotas Nok eram conhecidas, mas seu contexto era quase desconhecido, e por isso Rupp, Ameje e Breunig (2005) voltaram a pesquisa para os sítios de habitação. O comércio das peças trouxe outro problema. Breunig e Ameje (2006), este da comissão nigeriana de museus e monumentos, estudaram o trabalho de Audu Washi, de Miango, perto de Jos, mecânico de profissão que fazia cópias perfeitas. Ele usava argila da região Nok misturada a fragmentos moídos de terracota original, modelava com um graveto de cerca de 1 cm de ponta oblíqua e montava a figura em quatro etapas, da base à cabeça. Segundo os autores, as cópias provavelmente eram vendidas como originais a compradores estrangeiros. (Rupp et al. 2005; Breunig e Ameje 2006)
Uma cronologia em revisão
As datas da cultura Nok mudaram com as escavações recentes. Em 2006, Breunig e Ameje ainda citavam uma faixa de c. 500 a.C., ou antes, até 200 d.C. Champion et al. (2023) trabalham com 1500 a 1 cal a.C., e Franke (2024) situa os primeiros agricultores em meados do 2º milênio a.C. e o desaparecimento da cultura nos últimos séculos a.C. A diferença entre essas faixas acompanha a revisão trazida pelas novas campanhas da Universidade Goethe de Frankfurt, das quais participaram pesquisadores nigerianos como James Ameje. (Breunig e Ameje 2006; Champion et al. 2023; Franke 2024)
Fontes
- Rupp, N.; Ameje, J.; Breunig, P. (2005). "New studies on the Nok culture of central Nigeria". Journal of African Archaeology 3: 283–290. DOI 10.3213/1612-1651-10056. Acessar
- Ehret, C. (2002). The Civilizations of Africa: A History to 1800. University Press of Virginia; James Currey. ISBN 9780813920849; 9780852554753.
- Franke, G. (2024). "The Archaeology of Nok Culture in Nigeria (2nd/1st Millennium BCE)". Oxford Research Encyclopedia of African History. Oxford University Press. DOI 10.1093/acrefore/9780190277734.013.1380. Acessar
- Champion, L.; Höhn, A.; Neumann, K.; Franke, G. et al. (2023). "A question of rite—pearl millet consumption at Nok culture sites, Nigeria (second/first millennium BC)". Vegetation History and Archaeobotany 32(3): 263–283. DOI 10.1007/s00334-022-00902-0. Acessar
- Breunig, P.; Ameje, J. (2006). "The making of “Nok terracotta”". Afrique : Archéologie et Arts 4: 91–102. DOI 10.4000/aaa.1398. Acessar
Na mesma região
- Djenné-Djenno (Jenné-jeno) desde o séc. III a.C. (UNESCO)
- Mansa Musa c. 1280 – c. 1337; reinado estimado em 1312–1337 (Wikidata; Canós-Donnay 2019)
- Mesquita Djinguereber (Tombuctu) 1327 (Wikidata); reconstruída em 1570–1583 (UNESCO)
- Tráfico atlântico de africanos escravizados viagens registradas entre 1514 e 1866
- Domínio de Gana (independência de Gana) 6 mar. 1957 a 1º jul. 1960
- Oficina de lascamento de quartzo e fogueira de Ravin Blanc X (vale do Falémé, Senegal), c. 9100 anos atrás c. 9100 cal AP (c. 7150 a.C. em ano astronômico). As três datas de carvão da fogueira, calibradas pelos autores, vão de 9271 a 8988 cal AP (c. 7320–7040 a.C.); uma quarta, da mesma camada, de 9397 a 9028 cal AP