Atlas da História

Ounjougou: cerâmica do 10º milênio a.C.

antes de 9400 a.C. (datação calibrada; Huysecom et al. 2009) · África Ocidental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Ravinas no Mali onde escavações acharam cerâmica e pequenas pontas de flecha bifaciais de antes de 9400 a.C., um dos indícios mais antigos de cerâmica na África. Os autores ligam esse primeiro uso a um período quente e úmido no Saara, rico em gramíneas silvestres, e propõem que as sementes eram cozidas em água, como ainda hoje, e não transformadas em pão.

Ravinas no Planalto Dogon

Ounjougou é um conjunto de ravinas abertas em formações do Pleistoceno Superior e do Holoceno, no Planalto Dogon, no Sahel do Mali, na borda sul do Saara. Ali, Huysecom et al. (2004) acompanharam uma sequência estratificada de ocupação humana do 10º ao 2º milênio a.C., com camadas naturais e de origem humana que guardam artefatos e restos de plantas e animais, quase sempre em excelente estado. A partir dela, fizeram a primeira síntese arqueológica e ambiental do Holoceno no lugar, definiram cinco grandes fases de ocupação e procuraram situá-las na história antiga da África Ocidental. (Huysecom et al. 2004)

Cerâmica, pontas de flecha e grãos cozidos

Huysecom et al. (2009) comparam o caso de Ounjougou ao da Ásia oriental, onde também há cerâmica muito antiga: nos dois lugares, os potes e as pequenas pontas bifaciais fariam parte de uma nova forma de subsistência ligada à abundância de gramíneas silvestres. Soriano e Huysecom (2012) datam a cerâmica da primeira metade do 10º milênio cal a.C. e a contam entre os indícios mais antigos dessa técnica na África. Para entender como ela se espalhou, analisaram a indústria lítica associada e a compararam com a de Temet, Tagalagal e Adrar Bous 10. O resultado sustenta, para eles, um cenário de difusão da cerâmica a partir da África Ocidental subsaariana em direção ao Saara central, entre o 10º milênio e meados do 9º milênio a.C., hipótese ainda em discussão. (Huysecom et al. 2009; Soriano e Huysecom 2012)

O vale do Yamé e a ação humana

O geógrafo Michel Rasse (2007), membro da equipe, mostra que as condições locais foram excepcionalmente favoráveis à conservação de uma sequência estratigráfica muito rica. Com muitas missões de campo, análises de laboratório e datações absolutas, ele reconstitui as grandes etapas da evolução dos sedimentos e da paisagem do vale do Yamé. Tudo indica, segundo o autor, que a ação humana sobre os ecossistemas cresceu provavelmente a partir do Holoceno Médio, e sobretudo no Holoceno Recente e Final. O projeto reuniu instituições da Suíça (Genebra, Friburgo), da França, da Alemanha e da Universidade de Helwan, no Egito. (Rasse 2007; Huysecom et al. 2009)

Fontes

  1. Huysecom, E.; Rasse, M.; Lespez, L.; Neumann, K. et al. (2009). "The emergence of pottery in Africa during the tenth millennium cal BC: new evidence from Ounjougou (Mali)". Antiquity 83: 905–917. DOI 10.1017/s0003598x00099245. Acessar
  2. Huysecom, E.; Ozainne, S.; Raeli, F.; Ballouche, A. et al. (2004). "Ounjougou (Mali): A history of holocene settlement at the southern edge of the Sahara". Antiquity 78(301): 579–593. DOI 10.1017/s0003598x00113237. Acessar
  3. Soriano, S.; Huysecom, E. (2012). "Lithic Industry as an Indicator of Ceramic Diffusion in the Early Neolithic of West Africa: A Case Study at Ounjougou". Journal of African Archaeology 10(1): 85–101. DOI 10.3213/2191-5784-10212. Acessar
  4. Rasse, M. (2007). "Géomorphologie, géoarchéologie et géographie en pays dogon : vers une reconstitution du passé climatique et du peuplement du Sahel malien à partir du site d'Ounjougou". Bulletin de l'Association de géographes français 84(2): 119–131. DOI 10.3406/bagf.2007.2549. Acessar

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