Sepultamento de Iwo Eleru
c. 16 a 12 mil anos atrás (série do urânio; Harvati et al. 2011) · África Ocidental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Sepultamento na caverna de Iwo Eleru, perto de Owo, na Nigéria, associado a artefatos da Idade da Pedra Recente e datado por série do urânio entre c. 16 e 12 mil anos atrás. Segundo Harvati et al. (2011), é um dos poucos restos humanos desse período conhecidos na África Ocidental.
A escavação de 1965
O sepultamento foi escavado em 1965 por Thurstan Shaw num abrigo sob rocha no sudoeste da Nigéria. O esqueleto estava entre 82 e 100 cm de profundidade, num contexto da Idade da Pedra Recente. Harvati et al. (2011) voltaram ao crânio com uma equipe que incluiu C. A. Folorunso, da Universidade de Ibadan, para rever sua idade e sua forma. Os próprios autores apontam limites do estudo: parte das observações foi feita numa réplica, e a escassez de fósseis humanos na África Ocidental dificulta as comparações regionais. (Harvati et al. 2011)
Duas datas para um sepultamento
A idade de Iwo Eleru foi estimada por dois caminhos. O radiocarbono deu 11.200 ± 200 anos antes do presente, o que corresponde a cerca de 13 mil anos calibrados. A datação por série do urânio deu um intervalo de c. 11,7 a 16,3 mil anos. Segundo Harvati et al. (2011), as duas medidas situam o indivíduo no fim do Pleistoceno. (Harvati et al. 2011)
Um crânio fora do padrão esperado
Harvati et al. (2011) compararam a forma do crânio com a de 242 crânios recentes e com fósseis africanos. Iwo Eleru se aproximou mais de fósseis antigos, como LH 18, de Laetoli, e Saldanha, do que das populações atuais, numa combinação de traços arcaicos e modernos. Stojanowski (2014), usando 22 medidas, chegou a uma conclusão compatível: o crânio fica fora da variação das populações do Saara, do vale do Nilo e da África oriental do fim do Pleistoceno e do início do Holoceno. Para ele, isso sugere que a África Ocidental contribuiu pouco para o povoamento do Saara durante o Período Úmido Africano. Segundo o mesmo autor, Iwo Eleru é o único fóssil humano do fim do Pleistoceno conhecido na África Ocidental tropical. (Harvati et al. 2011; Stojanowski 2014)
Fontes
- Harvati, K.; Stringer, C.; Grün, R.; Aubert, M. et al. (2011). "The Later Stone Age Calvaria from Iwo Eleru, Nigeria: Morphology and Chronology". PLoS ONE 6: e24024. DOI 10.1371/journal.pone.0024024. Acessar
- Stojanowski, C. M. (2014). "Iwo Eleru's place among Late Pleistocene and Early Holocene populations of North and East Africa". Journal of Human Evolution 75: 80–89. DOI 10.1016/j.jhevol.2014.02.018. Acessar
Na mesma região
- Ounjougou: cerâmica do 10º milênio a.C. antes de 9400 a.C. (datação calibrada; Huysecom et al. 2009)
- Cerâmica e mós do sítio de Tagalagal (monts Bagzane, maciço do Aïr, Niger), c. 10.700 anos cal AP c. 10.700 cal AP (c. 8750 a.C. em ano astronômico, 1950 − cal AP), data do carvão do sítio segundo Rotunno e Crema (2025), que a calibram a partir de 9370 ± 130 BP (laboratório de Orsay, Orsay 172). Roset (1982) deu só as idades não calibradas, 9330 e 9370 ± 130 anos antes do presente, que não são anos de calendário e não foram usadas como tais
- Gobero (Níger): o cemitério de caçadores-pescadores-coletores à beira de um lago do Saara (c. 7700–6300 a.C.) fase 2 (ocupação do início do Holoceno): c. 7700–6200 a.C. (cal a.C.); sepultamento datado mais antigo 7730–7580 cal a.C., mais recente da fase 6380–6210 cal a.C., segundo Sereno e outros (2008)
- Oficina de lascamento de quartzo e fogueira de Ravin Blanc X (vale do Falémé, Senegal), c. 9100 anos atrás c. 9100 cal AP (c. 7150 a.C. em ano astronômico). As três datas de carvão da fogueira, calibradas pelos autores, vão de 9271 a 8988 cal AP (c. 7320–7040 a.C.); uma quarta, da mesma camada, de 9397 a 9028 cal AP
- Cultura Nok séc. XV a.C. ao séc. I a.C. (Wikidata)
- Djenné-Djenno (Jenné-jeno) desde o séc. III a.C. (UNESCO)