Cerâmica geométrica grega: vasos pintados em silhueta, com meandros e círculos feitos a compasso, e o debate sobre a data (c. 900–700 a.C.) depois das datas de radiocarbono de Sindos
c. 900 – c. 700 a.C. (cronologia convencional, com Geométrico Antigo em c. 900–850 a.C.); Gimatzidis e Weninger propõem, por radiocarbono, recuar o Geométrico Antigo para a segunda metade do séc. XI a.C. · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Geométrico designa os vasos e outros objetos gregos feitos c. 900–700 a.C., entre os chamados "séculos escuros" e o período orientalizante. Na pintura de vasos de Atenas domina a técnica de silhueta, com preenchimento de todo o espaço, meandros e outros motivos geométricos, círculos e semicírculos concêntricos traçados a compasso e poucas figuras, que crescem na fase tardia; o Mestre do Dípilon e o Pintor Hirschfeld decoraram grandes vasos de uso funerário. As 21 datas de radiocarbono de Sindos levaram Gimatzidis e Weninger a propor que as fases sejam mais antigas que a cronologia convencional, tese que eles próprios dizem precisar de confirmação.
O estilo e a técnica
Segundo o Kerameikos.org, o Geométrico designa vasos gregos e outras artes feitas c. 900–700 a.C.; o nome vem de uma evolução perceptível nas técnicas e na aparência da cerâmica, da escultura e da arquitetura. Na pintura de vasos, as marcas são o horror vacui, os meandros gregos e outros motivos geométricos, os círculos e semicírculos concêntricos desenhados a compasso e a representação limitada de figuras. Em Atenas e na Ática a técnica principal é a silhueta, que no Geométrico Tardio às vezes se combina com hachuras e contorno. O estilo vale para Atenas e a Ática e também para Creta, Eubeia, Beócia, Corinto, Argólida e o leste grego. (Kerameikos.org. "Geometric" (E4_Period)
Pintores e grandes vasos
O verbete do Kerameikos.org cita como pintores atenienses principais o Mestre do Dípilon e o Pintor Hirschfeld, ambos especializados em decorar vasos grandes ligados aos ritos funerários. As fases convencionais são o Protogeométrico (c. 1050/1000–900 a.C.), o Geométrico Antigo (c. 900–850), o Médio (c. 850–750) e o Tardio (c. 750–700). O Geométrico fica entre o que a base chama de "Séculos Escuros" (c. 1100–900 a.C.), de produção limitada de vasos com figuras, e o período orientalizante (c. 700–600 a.C.). (Kerameikos.org. "Geometric" (E4_Period)
Sindos e as datas de radiocarbono
Gimatzidis e Weninger datam 21 ossos de animais de Sindos, perto de Salônica, de uma sequência de ocupação do Protogeométrico Tardio ao Geométrico Tardio Ib, medidos em Mannheim. Segundo eles, a ordem tradicional das fases se confirma, mas as datas são mais altas: o Geométrico Médio II começaria em 930 cal a.C. (não em 800), o Médio I já no séc. X e o Antigo na segunda metade do séc. XI a.C., 100 a 150 anos acima do convencional. O Protogeométrico Tardio iria para a primeira metade do séc. XI. Eles reconhecem o risco de remexer camadas em tells e o platô de Hallstatt da curva de calibração (c. 800–400 cal a.C.), trecho que os arqueólogos evitam porque datas diferentes de radiocarbono se confundem nele. (Gimatzidis)
O que muda se a cronologia for mais alta
Segundo os mesmos autores, o Geométrico Tardio Ia, que a cronologia convencional reduz a cerca de dez anos, teria em Sindos 130 ou 140 anos, e o Geométrico Tardio I começaria em 870 cal a.C. Os eventos que a tradição enfileira entre 800 e 735 a.C., como o contato Grécia–Levante, a adoção do alfabeto dos fenícios e a expansão colonial, passariam a ser vistos como processos mais longos, e eles perguntam se a escrita não chegou já na segunda metade do séc. IX a.C. Afirmam que são ainda necessárias mais séries de radiocarbono de contextos seguros no Egeu. (Gimatzidis)
Fontes
- Kerameikos.org. "Geometric" (E4_Period, conceito geometric_greece), definições em inglês, alemão e grego. https://kerameikos.org/id/geometric_greece, consultado em 29/10/2026. Acessar
- Gimatzidis, Stefanos; Weninger, Bernhard. "Radiocarbon dating the Greek Protogeometric and Geometric periods: The evidence of Sindos". PLOS ONE 15(5), 27 maio 2020. DOI 10.1371/journal.pone.0232906. Texto integral via Europe PMC (PMC7252618), consultado em 29/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Bronzetti nurágicos: as figuras de bronze dos santuários da Sardenha, feitas com cobre sardo e ibérico e estanho de fora, na passagem do Bronze Final para a Idade do Ferro c. 900 – c. 700 a.C.: Berger e colegas seguem o grupo mais antigo (Uta-Abini) em c. 950–800 a.C., dizem que os primeiros bronzetti foram feitos por volta do séc. IX a.C. e datam o grupo mais tardio (Mediterraneizzante) em c. 800–700 a.C.
- Estelas de guerreiro do Sudoeste Ibérico: Idade do Bronze ou início do Ferro? A cronologia em debate entre Mederos (1325–950 a.C.) e Araque e colegas (gravadas com ferro, após c. 900 a.C.) início em debate: c. 1325–1300 a.C. para as primeiras estelas e 1050–950 a.C. para a fase final (Mederos 2019), ou depois da chegada do ferro, com cinzel de ferro de Rocha do Vigio-2 em camada datada de 900–770 cal a.C. (Araque e colegas 2023, segundo a UAM)
- Navicelle nurágicas: os barcos votivos de bronze da Sardenha fundidos em cera perdida, e a navicella de Turim com um lavrador entre os bois c. 900 – c. 700 a.C.: Idade do Ferro inicial; a navicella estudada é datada "presumivelmente" do séc. IX ao VII a.C., e o artigo diz que a produção das navicelle se deu sobretudo entre o séc. X e o VII a.C.
- Cultura vilanoviana (Itália, c. 900 a.C.): cremação em urnas bicônicas e centros proto-urbanos início c. 900 a.C. (data do Wikidata e da cronologia absoluta convencional); Pillitteri et al. dão a segunda metade ou o último quarto do séc. X a.C. para a fase inicial na Etrúria Padana, e Nijboer e van der Plicht propõem 975–950 a.C. para o início da Idade do Ferro na Itália
- Horizonte fenício inicial no sudoeste da Península Ibérica (Huelva, El Carambolo, La Rebanadilla): datas de radiocarbono do fim do séc. X e do séc. IX a.C. fim do séc. X ou pleno séc. IX a.C. (cal a.C.), segundo López Castro et al. (2016); a datação é discutida
- Necrópole de Fossa (Abruzzo): ferro em todas as tumbas da fase 1A, final do séc. IX a.C. final do séc. IX e início do séc. VIII a.C. (14C calibrado das três tumbas mais antigas: 890–795, 830–790 e 895–770 cal a.C., a 1σ)