Atlas da História

Necrópole de Fossa (Abruzzo): ferro em todas as tumbas da fase 1A, final do séc. IX a.C.

final do séc. IX e início do séc. VIII a.C. (14C calibrado das três tumbas mais antigas: 890–795, 830–790 e 895–770 cal a.C., a 1σ) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em Fossa, no Abruzzo, a necrópole que van der Plicht e Nijboer descrevem como ativa por oito séculos começou no fim do séc. IX a.C.: as 14 tumbas da fase mais antiga (Fossa 1A) trazem ferro, e três delas têm datas de radiocarbono calibradas entre 895 e 770 a.C. Os autores usam esses dados, junto com as árvores-caixão datadas de Celano, para sustentar que a Idade do Ferro italiana começou por volta de 975–950 a.C., e não em torno de 900 a.C., como na cronologia absoluta convencional.

As três datas calibradas de Fossa 1A

Van der Plicht e Nijboer citam três tumbas da fase mais antiga de Fossa, a 1A, datadas por radiocarbono AMS: a tumba 56 em 2660±40 BP, a tumba 100 em 2650±40 BP e a tumba 190 em 2630±40 BP. As datas calibradas (1σ, arredondadas de 5 em 5 anos) são 890–795, 830–790 e 895–770 cal a.C. Os autores dizem que a curva de calibração é bastante íngreme nesse trecho, o que dá datas absolutas relativamente precisas, e por isso situam a fase 1A no fim do séc. IX e no início do séc. VIII a.C. (van der Plicht e Nijboer 2018)

Ferro em todas as tumbas da fase 1A

Segundo o artigo, 14 tumbas puderam ser atribuídas à fase 1A de Fossa e todas contêm ferro; nelas há mais ferramentas, armas e ornamentos de ferro do que de liga de cobre. O repertório inclui peças típicas da região, como discos recortados e outros ornamentos, o que os autores tomam como prova de trabalho local do ferro. A necrópole continuou em uso por oito séculos, e o depósito de armas, ferramentas e ornamentos de ferro segue pelos séculos seguintes. (van der Plicht e Nijboer 2018)

Torre Galli e a rede de centros do início do Ferro

O artigo compara Fossa com Torre Galli, na costa tirrênica da Calábria, onde cerca de 25% das 205 tumbas do início da Idade do Ferro continham objetos de ferro e há importações do Levante, mas nenhuma associada à Eubeia ou a outras partes da Grécia atual. Em Fossa, por volta de 800 a.C., não há materiais que registrem contatos diretos ou indiretos com o Levante ou a Eubeia, mas há objetos de distribuição inter-regional que ligam o sítio à rede de centros vilanovianos. Para os autores, essa rede densa contribuiu de modo importante para a difusão do trabalho do ferro na Itália no séc. IX a.C. (van der Plicht e Nijboer 2018)

Fontes

  1. van der Plicht, J.; Nijboer, A. J. (2018). Around 1000 BC. Absolute dates for the Final Bronze Age – Early Iron Age transition in Italy: wiggle-match 14C dating of two tree-trunk coffins from Celano. Palaeohistoria 59/60 (2017/2018), p. 99–108. Groningen: Barkhuis/Groningen Institute of Archaeology. DOI 10.21827/5beab031371e0. https://ugp.rug.nl/Palaeohistoria/article/download/32513/29910 (baixado e lido em texto bruto em 29/10/2026). Acessar

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