Navicelle nurágicas: os barcos votivos de bronze da Sardenha fundidos em cera perdida, e a navicella de Turim com um lavrador entre os bois
c. 900 – c. 700 a.C.: Idade do Ferro inicial; a navicella estudada é datada "presumivelmente" do séc. IX ao VII a.C., e o artigo diz que a produção das navicelle se deu sobretudo entre o séc. X e o VII a.C. · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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As navicelle são pequenos barcos nurágicos de bronze, com uma bacia que imita o casco e um mastro; Porcaro e colegas contam mais de 150 e dizem que foram feitas sobretudo entre o séc. X e o VII a.C., provavelmente como lamparinas votivas em santuários. Elas eram fundidas pela técnica da cera perdida, às vezes com o casco, a protoma e os adornos fundidos em separado e unidos depois. A navicella nº 7990 dos Musei Reali de Turim, a única conhecida com figura humana, tem um homem de pés descalços ao lado de uma cena de arado e, em análise por fluorescência de raios X, mostrou uma liga de cobre, estanho e chumbo com adornos de composição diferente do casco.
O que é uma navicella
Segundo Porcaro e colegas, as navicelle são pequenas esculturas de bronze com uma bacia que reproduz o casco, um mastro e uma protoma animal na proa; passam de 150 as conhecidas. Provavelmente serviram como lamparinas votivas em santuários, oferendas de prestígio. A maior parte foi produzida na Idade do Ferro inicial, entre os séculos X e VII a.C., mas a cronologia é incerta pela escassez de achados sardos em contexto estratigráfico seguro. Fora da ilha, os achados vão do séc. VIII ao VII a.C. (Porcaro)
Fundição em cera perdida e peças unidas
Os autores dizem que as navicelle eram em geral fundidas pela técnica da cera perdida, que dá mais detalhe porque a cera é plástica. Em geral, acreditam eles, partes do modelo eram moldadas separadamente em cera e montadas depois; há indícios de que casco, protoma e adornos foram fundidos à parte e unidos por uma nova câmara de fundição. A liga da peça de Turim é um bronze ternário, de cobre, estanho e chumbo (teor médio de chumbo 2,6%), com um pouco de prata (0,05% a 0,17%), que, segundo eles, vem dos minérios usados. (Porcaro)
A navicella de Turim e o que a análise mostrou
A peça, nº de inventário 7990, vem da Coleção Real da Casa de Saboia e hoje está nos Musei Reali de Turim. Tem uma ponte transversal sustentada por duas figuras de bovinos, uma cena de arado sobre a borda e um homem de pés descalços em passo, caso único entre as navicelle. A análise por fluorescência de raios X com simulações de Monte Carlo e espectroscopia Raman, sem coletar amostra, mostrou que os adornos de bombordo têm ligas diferentes das do resto do casco, o que sugere acréscimo posterior ou retrabalho. A corrosão difere entre os lados, com enriquecimento de estanho à direita e perda total de estanho na superfície à esquerda, o que os autores atribuem a ambientes de conservação distintos. (Porcaro)
Fontes
- Brunetti, Antonio; Porcaro, Marta; Lins, Sergio; di Gennaro, Francesco; Anzalone, Rosario Maria; Mineo, Mario; Depalmas, Anna. "The Strange Case of the Nuragic Offerers Bronze Statuettes: A Multi-Analytical Study". Materials 15(12), 13 jun. 2022. DOI 10.3390/ma15124174. Texto integral via Europe PMC (PMC9227995), consultado em 29/10/2026. Acessar
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