Atlas da História

Travessia dos Alpes por Aníbal (218 a.C.): os guias gauleses, o ataque dos alóbroges e a rota em debate, segundo Políbio

218 a.C.: a margem de Shuckburgh anota 'B.C. 218' na partida de Aníbal dos quartéis de inverno e '9th November' no topo da passagem; Políbio diz que a marcha toda levou cinco meses e a passagem dos Alpes quinze dias · Europa Ocidental e do Norte, Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo Políbio, em 218 a.C. Aníbal levou de Nova Cartago ao Pó um exército de cartagineses, líbios, iberos e númidas, atravessou os Pireneus e o Ródano e subiu os Alpes com guias gauleses e o apoio de chefes celtas do vale do Pó. Na subida foi atacado por alóbroges, enganado por moradores que lhe deram reféns e hostilizado nos desfiladeiros até o topo da passagem, onde acampou dois dias. Políbio diz que a travessia durou quinze dias e que o exército entrou na planície do Pó muito reduzido, com doze mil líbios, oito mil iberos e não mais de seis mil cavaleiros.

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De Nova Cartago ao Ródano, com Iberos, Celtas e Hanão

Segundo Políbio, no dia marcado Aníbal pôs em marcha, a partir dos quartéis de inverno, noventa mil de infantaria e cerca de doze mil de cavalaria. Depois de cruzar o Ebro, submeteu os ilurgetes, bargúsios, aerenósios e andosinos até os Pireneus e deixou Hanão no comando de toda a região ao norte do Ebro, com dez mil de infantaria e mil de cavalaria, e com a bagagem pesada. Mandou outro tanto para casa, e Políbio explica o gesto como forma de deixar gente afeiçoada atrás de si e dar esperança de retorno aos iberos que seguiam com ele. Ao Ródano chegou com cinquenta mil de infantaria e nove mil de cavalaria. A travessia dos elefantes foi feita em balsas cobertas de terra, que Políbio descreve em detalhe: alguns animais se lançaram à água e salvaram-se respirando pela tromba, enquanto os cornacas indianos se afogaram. (Políbio. The Histories of Polybius)

O pedido dos celtas do Pó e a ilha entre o Ródano e o Isère

Na margem do Ródano, antes da subida, Aníbal reuniu o exército para ouvir Magilo e outros chefes vindos do vale do Pó, por intérprete. Políbio resume o que lhes foi dito: o convite, a promessa de guias por rotas com provisões e a riqueza da terra aonde iam. Depois, na região que Políbio chama de Ilha, entre o Ródano e o Isère, Aníbal encontrou dois irmãos em disputa pelo poder. Apoiou o mais velho; este lhe deu provisões, trocou as armas gastas, deu roupas e botas, e escoltou a retaguarda pelo território dos alóbroges até o pé da passagem. Antes disso Aníbal se juntou ao mais velho no ataque ao irmão e ajudou a expulsá-lo. (Políbio. The Histories of Polybius)

A subida: alóbroges, ramos de oliveira e a rocha branca

Ao subir, Aníbal soube, por guias gauleses mandados à frente, que os alóbroges guardavam os pontos altos de dia e voltavam à cidade vizinha à noite. Marchou de dia, acampou perto, acendeu fogueiras e subiu à noite com tropa leve, tomando os pontos já deixados. De manhã os nativos atacaram a coluna de animais e cavalos, e Políbio diz que os maiores danos vieram do terreno. Aníbal tomou a cidade quase vazia, de onde saíram os atacantes. Dias depois, moradores com ramos e guirlandas (sinal de amizade, escreve Políbio) deram reféns e viraram guias; dois dias adiante atacaram num desfiladeiro, e a defesa feita por Aníbal custou muitos animais. Passou a noite junto de uma 'rocha branca'. No nono dia chegou ao topo e esperou dois dias. (Políbio. The Histories of Polybius)

Neve, a estrada na rocha e a entrada na planície

Perto do ocaso das Plêiades a neve já era espessa. Segundo Políbio, para animar o exército Aníbal mostrou-lhe a Itália abaixo e, na direção da planície do Pó, indicou a acolhida dos gauleses de lá. Na descida, um desmoronamento fechou a trilha estreita; neve fresca sobre neve velha derrubou homens e animais. Aníbal acampou, fez limpar a neve e pôs a tropa a construir uma estrada na face do precipício. Em um dia abriu passagem para animais e cavalos, e os númidas ficaram três dias para abrir a dos elefantes, famintos. Ao chegar à planície, no terceiro dia depois dessa passagem, Políbio diz que a marcha toda desde Nova Cartago tinha levado cinco meses, dos quais quinze dias para os Alpes. O exército que entrou no território dos insubres tinha doze mil líbios, oito mil iberos e não mais de seis mil cavaleiros, números que, segundo Políbio, Aníbal deixou numa inscrição. (Políbio. The Histories of Polybius)

Fontes

  1. Políbio. The Histories of Polybius, vol. 1, tradução de Evelyn S. Shuckburgh, Londres e Nova York: Macmillan, 1889, no Project Gutenberg (ebook n. 44125, gutenberg.org/ebooks/44125). Lido em 31/10/2026 no texto bruto o livro III, caps. 35 e 44 a 56, com as notas 179 a 181 do tradutor. As datas a.C. das margens são do tradutor.

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